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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Aprendizados atemporais

Com o passar do tempo, passei a acreditar que a importância dos fatos em nossa vida pode ser exacerbadamente aumentada dependendo do quanto de atenção damos ao tema. É como se a energia gasta ao se pensar naquilo servisse como uma lupa que distorce a realidade daquilo – é quando, frequentemente, nos pegamos pensando no que aconteceu ou no que pode acontecer. Nada disso é mutável ou, até aquele momento, indica que irá acontecer. São conjecturas, como uma câmara de tortura na qual nos colocamos e que insiste em machucar; quase sempre, sem razão.
Ao longo dos anos, aprendi que há problemas que aparecem e que alguns outros nós criamos, mas que não importa o tipo, os problemas passam. Por bem ou por mal, eles passam. É aí que você percebe que o valor da vida não está na solução, mas sim em curtir e aprender durante o percurso de solução – que, diga-se de passagem – pode ser longo. Aprendi também que, para quem está vivo, o dia seguinte sempre chega. Sempre. As noites passam, o sol vem e vai e, por fim, o calendário segue. O mundo não para só porque você quebrou a cara, já dizia Shakespeare.
Nos últimos tempos, passei a entender cada vez mais a importância de se trocar energia boa e com as pessoas certas. Somos energia, traduzida de uma forma diferente, mas é isso que somos. Quando conectados com as pessoas que nos trazem bons ventos e palavras necessárias, é como se tudo fizesse sentido de uma hora pra outra. Comecei a compreender que os grandes amigos são como as pílulas de coragem que a gente precisa pra seguir em frente, sempre nos lembrando do quão forte somos e do quanto podemos sustentar. Ah, como aprendemos como eles.
Ultimamente tenho olhado mais pra dentro e pensado mais com o coração. Aprendi que o meu lado racional me ajuda em muita coisa, mas o que eu sinto nunca se engana. Passei a entender muito mais a importância de se entender, de entender o outro e de saber ler o mundo. Ah, é tão mais “fácil” quando enxergamos os sinais do que está ali, querendo ser visto. Depois de um tempo é tão óbvio que eu me pergunto como não enxerguei antes – e chego à conclusão de que é preciso estar pronto para isso.
Uma hora você aprende que coisas vem e vão, que pessoas entram e saem da sua vida e que nem todo final é feliz. Existe dor, sofrimento, decepções e gente que se vai sem a oportunidade de se despedir. O caminho é inevitável para aqueles que tem a sorte de continuar por aqui e, se não for pra aprender todo dia, para que se vive? 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Sobre o agora, o antes e o depois

É curioso pensar que vivemos uma vida dividida em horas, minutos, dias, anos... noções tão vagas de uma unidade temporal que se fez necessária em algum momento da história. E com ele – o tempo – fomos nos tornando reféns dessas métricas que não deveriam representar tanto na nossa história. Criamos o relógio e, com ele, a noção do “tempo certo” para se viver. Esperamos a segunda começar pra mudar os hábitos e pulamos 7 ondas no Ano Novo porque isso vai trazer sorte, como se o dia anterior fosse assim tão menos especial que a noite de fogos.
Caminhamos pra frente, vivendo o tic tac do momento (teoricamente), sustentados por tudo aquilo que um dia nos aconteceu. É, meus caros, somos a somatória de absolutamente tudo que já rodou no relógio de cada um: alegrias, tristezas, decepções, conquistas, viagens e todo o resto que compõe essa montanha russa de emoções chamada vida. Engraçado é perceber que, apesar de termos a vida acontecendo agora, exatamente enquanto você lê esta frase, vivemos uma parte massiva dos nossos dias pensando no antes e no depois. Dormimos conjecturando o que podia ter sido diferente no passado, criando cenários que nunca existiram – talvez em algum universo paralelo – e sofrendo com a ansiedade de quem tenta adivinhar o futuro.
Ah, meus amigos... o tic tac é perspicaz, malandro e geralmente opera de forma pouco compreensível. Nós achamos que entendemos o relógio, mas ele é só um símbolo de tudo o que nos acomete dia após dia: a vida indo embora, passando. Rápida e cheia de nuâncias, curvas e charadas aparentemente indecifráveis pra quem as vive – como se a vida por si só não fosse uma grande charada.
É intrigante pensar que “temos” o tempo escorrendo pelas nossas mãos no presente, mas acabamos nos prendendo no que já aconteceu ou naquilo que pode nem acontecer. Um pouco estúpido eu diria e seria cômico se não fosse trágico. O problema disso tudo é quebrar esse ciclo de expectativas, ansiedade e uma cabeça distante. Concentrar-se no que existe hoje talvez seja o melhor caminho pra garantir que o amanhã será melhor – e quando os dias passarem, o amanhã será o ontem e poderemos dormir com a consciência mais tranquila de termos um passado do qual nos orgulhamos. O antes, o agora e o depois: os mesmos momentos de uma história que segue separada mas que nunca deixou de ser um só.
O agora já se foi e você... viveu?

sábado, 6 de maio de 2017

Efêmeros versos do passado


Vida formada por caminhos se cruzam aqui e ali
Pessoas vem e vão, amigos se distanciam, amores surgem... o tempo passa
Passa correndo, voando. Sem pedir licença, vai embora com a mesma rapidez que entrou
Sentimos as relações ficarem embaçadas com a falta de tempo
E os dias cada vez mais exaustos de tanto correr atrás do que não está definido

Ah... o tempo!
Tempo: menino travesso de idade incontável e desejos imprevisíveis
Vejo-te passar todo dia, caminhas do meu lado mas não te acompanho

Sinto você mais rápido, como se cada novo amanhecer te acelerasse...
...ou estou eu cada vez mais lento?
Passe menos, passe devagar. Não passe. Não, por favor, não corra!
Senta aqui, vamos conversar calmamente. Há tanto que eu quero te falar!

Quero olhar pro passado e não vê-lo tão longe
Quero voltar aos versos de outrora, conversar com os amigos de sempre e achar que você parou
Parou de correr de mim, parou de voar sem deixar vestígios
Que a bateria acabou, o relógio travou e tudo vai ficar como está: estático

Que você não leve consigo os versos que construíram meu presente
Que as memórias não sumam com estes segundos tão ligeiros
E que a poesia não suma de mim
Ah... tempo, meu eterno companheiro de versos!
Vem cá, senta aqui, vamos escrever mais uma estrofe


terça-feira, 25 de agosto de 2015

O poder das decisões

             As vezes esquecemos que temos as rédeas de quase todas as nossas escolhas. Exceto por aquelas de natureza maior, é você quem decide o que, como e onde quer fazer algo. Está nas suas mãos aceitar certos desafios, propor outros e seguir adiante (ou não). Ninguém te obrigou a simplesmente aceitar a vida que tem hoje e não há nenhuma força que te impeça de mudá-la, que não a sua própria inércia, que passeia pela tão famosa zona de conforto. Nada te impede de crescer, evoluir e absorver novos conhecimentos. Ninguém disse que seria fácil, mas apesar de duro, o jogo é (geralmente) justo.
            Quando somos coniventes com a mesmice, ela toma conta e torna-se cada vez mais difícil mudar. A mesma lógica, acredito eu, serve para a liberdade que damos para os outros. Aceite certos comentários, e será sempre atingido por eles. Aceite o desrespeito e as mentiras, e elas te perseguirão com quase tanta força como as verdades, que vagam acanhadas por aí. Parece contraditório, mas a ordem só existe se houver desordem, discordância. Opiniões. Quando todos se calam e aceitam sem hesitar, vira uma discussão de um homem só, onde não existem opiniões e sim "verdades" absolutas que oprimem aqueles que, por muitas vezes, sequer tiveram a chance de se expressar. Não é possível, não é correto e não é saudável. Não consigo acreditar que as coisas só possam funcionar quando as cabeças estão baixas. É impossível enxergar os obstáculos quando o seu horizonte é o chão. Simplesmente não dá.
            Nesses tempos de opressão cultural, vejo pessoas aceitando demais e questionando de menos. Vejo injustiça, ignorância e coisas erradas. Muitas coisas erradas. Enquanto algumas pessoas simplesmente aceitam as coisas como são, agradeço por ainda me questionar e me incomodar com as coisas fora do lugar. Nem sempre consigo mudá-las, mas elas me colocam em posição de questionamento e inquietação. Agora é preciso colocar a cabeça no lugar e decidir o rumo da estrada.
E você, vai fazer o que da sua vida?

terça-feira, 24 de março de 2015

Bula da vida - leia com atenção

Afaste-se daquelas pessoas que te colocam pra baixo e aproxime-se daquelas que te deixam leve.
Encare os problemas como degraus e suba todos eles, um a um.
Reze. Tenha fé, seja ela no que for.
Seja leve, educado e não desconte sua raiva nos outros. Aliás, controle sua raiva.
Dome um leão por dia, todos os dias.
Faça amizade. Conheça pessoas. Experiências vão te fazer crescer.
Conversas de bar também.
Ligue para os velhos amigos da escola e encontre-os. Sorria e procure saber como eles estão.
Conversem sobre como o tempo passou e perceba que você amadureceu.
Exercite-se, tome muita água e dê valor ao seu sono. Ele vai fazer falta um dia.
Coma mais frutas, mas nunca deixe de comer o que te faz feliz.
Vá ao cinema sozinho e tire um fim de semana inteiro para ficar só com você.
Ultrapasse seus limites e vá além.
Conheça seu corpo e cada ponto fraco dele. Fortaleça-os.
Cuide da sua saúde com afinco – você verá o quanto ela é preciosa quando você for mais velho.
Seja persistente e aprenda que levantar-se de uma queda é mais importante do que não cair.
Aprenda com as decepções e fracassos. São as lições que mais nos fazem amadurecer.
Corra, viaje, pratique esportes. Aproveite cada momento como se fosse o último – ele pode realmente ser.
Veja menos televisão e leia mais livros.
Trace objetivos e vá atrás deles, mas não busque o caminho mais fácil.
Escute músicas que te impulsionem e que te desafiem.
Mantenha um contato diário com os seus pais e irmãos. Você nunca saberá quando será muito tarde para se arrepender de não ter feito isso.
Quebre a cara. Apaixone-se por pessoas que vão embora e aprenda a perder.
Apaixone-se por pessoas que vão fazer de tudo por você e aprenda a ganhar.
Saiba fechar uma porta para que outra se abra.
Entenda que a vida é feita de escolhas e que nem sempre fazemos as melhores.
Reflita sobre o que falta para você ser feliz e busque isto, mas lembre-se de não tornar sua felicidade dependente de algo que não depende de você.
Tome atitudes.
Mude sua rotina, seus planos.
Saia da sua zona de conforto.
Sinta um pouco de dor para lembrar que está vivo e saiba conviver com ela.
Confie em si mesmo.
Siga em frente e lembre-se que no final é só você contra você mesmo.


E se no fim do dia nada der certo, descanse e tire uma boa noite de sono.
No dia seguinte, tudo começa novamente.

Desafie-se!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

As fases da vida

Sempre ouvi "Não pule fases na sua vida". Talvez esse seja um dos conselhos mais valiosos, junto ao clássico "Use filtro solar". Pular fases deve ser um dos caminhos mais curtos para embaralhar sua vida de uma tal forma que você nunca conseguirá sincronizar maturidade, desejos, sonhos e mundo real. É como se a cada etapa pulada, o ritmo dos seus passos ficasse cada vez mais descompassado.
             Entender que cada etapa tem sua importância é fundamental para o processo de evolução, mas é uma pena que muita gente só entenda isso num certo do ponto da vida onde não há mais como se recuperar o tempo perdido, criando assim um grande vazio de frustrações que serão carregadas até o último suspiro. Além disso, acredito veementemente que este é um dos grandes fatores que contribuem pra termos hoje uma sociedade imatura e indecisa, que cresce pulando fases que não viveram e, em certo ponto da vida, percebem que muito ficou pra trás. O resultado? Desastroso. Gente que nunca cresce, que nunca sai de casa, que nunca abandona o estilo de vida de um universitário e até gente que acha que ainda não é gente suficiente para assumir responsabilidades que a vida traz.       
             A apreciação do momento que a vida te sugere é o que você pode fazer melhor por você. Viver cada etapa (ou a maior parte delas) no timing perfeito não é fácil, mas deve ser uma ótima forma para que você cresça de forma "sustentável" e sem questões que lhe tentem levar ao passado. Arrependimento do que não foi feito é uma das piores coisas que alguém pode ter, por isso sempre defendo a ideia de que é melhor conviver com um "não deu certo" do que com um eterno "e se tivesse dado certo".
Aceitar cada momento e extrair ao máximo o ensinamento de cada fase não é algo simples e geralmente requer paciência, resiliência e maturidade. Lembre-se que, por mais que algo pareça não fazer sentido, tente enxergar pela big picture. Aceite o fato de que o tempo vai passar, no seu ritmo, mas vai... uma hora a fase vai mudar e você estará pronto para crescer e dar um passo além sem o receio de ter deixado algo para trás.
 Ah... e não deixe de passar filtro solar.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Utopia do verbo ser

Há pessoas que têm e que são
Pessoas que são e que têm
Pessoas que não têm, mas tentam ser
E pessoas que não são e não têm.

Há quem não queira ter
E quem não queira ser
Invariavelmente um vazio verbal que se constrói
Preenchido por um conjunto de espelhos distorcidos e que nada refletem

Difícil é querer ser e depois ter.
A utopia do verbo que queria mais valores e menos pudores
Mais amores e menos dores
Ah, sonhador... eterno sonhador.

Na leveza do verbo ser, ele vai sendo
Vai vendo e vai tendo o que contar..
Não sabe o que será nem quando terá, mas deixa para o tempo cuidar

Afinal, de que vale um sonho sem uma história pra contar?

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A matilha de um lobo solitário

Ele era aquele garoto de sempre
Os mesmos hábitos, amigos e trejeitos que o caracterizavam
Não sabia pra onde ia, mas sabia onde queria chegar
Teimosia que ultrapassava a perseverança e que beira a insanidade, diriam alguns
Mas ele definitivamente não se importava. 
Sentia-se totalmente blindado ao mundo ao seu redor..  tinha o seu próprio universo.
E nele viviam tantos outros como ele

Caminhava obstinado e solto desde muito tempo
Não lembrava como era ter pra onde voltar e, na verdade, não sabia como fazer
Por muito tempo sentiu que o MUNDO era sua casa, e assim fez planos
E nas veias de seus planos corriam a sede da descoberta, do desconhecido
O entusiasmo de quem tem um mundo a ganhar todo dia, o dia todo
Era um viajante nato, gigante pela própria natureza
E nem o impávido Colosso seria capaz de aprisiona-lo

Habituara-se com a grandeza das montanhas,
Sentia-se em paz naquelas colinas cinzentas
E agora já lhe agradava muito mais aquela selva predial
Observava atencioso a paisagem colorida em um dia de sol
Definitivamente, gostava da alegria daquele lugar.
Sabia que seria passageiro, que o viajante reapareceria
Decidiu não lutar contra o anseio naquela hora. 

Sabia que a sua casa não era ali
Mas tinha certeza da plenitude dos seus sonhos
E sabia que como filho do mundo não fugiria à luta
Relaxou, sorriu e descansou por um instante
Saberia a hora de ganhar o mundo novamente.. era o seu destino

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mudo

Os dias tem sido de total blackout linguístico. É como se o esforço fosse em vão mediante tantos pensamentos soltos e aleatórios. Falta atenção, concentração, inspiração e um pouco de paciência. A mente anda melindrosa, vagando como um vagabundo solitário na boêmia carioca. Só que não há bebidas, nem o som dos batuques humildes adoçados com o balançar de uma morena. É só um longo filme mudo e em preto e branco que contrariaria bastante a irreverência de um Chaplin. E o problema de perder as palavras é que somente elas podem te achar. Acho que me escondi bem desta vez. Já soltei sinalizadores textuais e gritei hiperbolicamente em uníssono tom de ajuda, mas não adianta... 
E para lutar contra a agonia de uma mão que não segura o lápis com a mesma firmeza, só me resta apreciar as boas divagações dos talentosos e esperar que elas voltem.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Epifania de um Guerreiro

No espelho algo distorcido e sem forma
O descontentamento era notório diante do que se via
Mas o que estava ali? Não era possível distinguir.
A mente engana e ludibria os fanáticos pelo que não tem
Distorce a realidade e afronta os desejos de mudança
E num piscar de olhos, tudo mudara
O positivismo torna-se delírio, descontentamento e decepção

Mais um dia nascia e o sol subia alaranjado
A transição da noite parecia atraente para mudança
A energia estava parcialmente recuperada e o vigor emanava
Não era fácil levantar daquela forma,
Mas tudo era por uma causa que transcendia os limites do meio físico
Pois agora a mente estava calma

A passividade do abstrato havia sumido da mesma forma que aparecera
E por um momento podia-se enxergar as luzes da mudança
Mudança esta que parecia longe, mas não inatingível como antes
E tudo que era preciso para caminhar e evoluir estava ali

Aceitara prontamente o desafio, como sempre o fazia
E sabendo que talvez titubeasse ao fim do dia
Empenhou-se com a energia de um menino e o foco de um guerreiro sedento por vitória
E mesmo sabendo que perdia as lutas contra si mesmo dia após dia
Sabia que nascera para vencer.

domingo, 30 de junho de 2013

O Leão


O ímpeto era forte, decidido e questionador
Suspiros pragmáticos tornaram-se banais nessa vida tão lógica
Que de lógica não tem nada.
As verdades eram cravadas com firmeza na pedra e ali permaneciam..
As discussões eram árduas, calorosas , explosivas
Como quem defende os ideais com a própria vida
Com uma convicção tão plena e cheia de si que,
Daquele garoto poucas indecisões eram esperadas

Os dias passavam assim, difíceis de lidar e de levar
Uma distância irrisória de tudo que crescia com os segundos
E ia engolindo cada parte do garoto
Eram leões numa selva de pedra, uma selva mental.
Brigando entre si, mas juntos contra todos
E no fim era tipo isso, uma guerra sem regras
Fazendo com que a vida do garoto fosse aquilo
Um leão por dia, e um dia de cada vez

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Mais vinagre, por favor

Os últimos dias estarão escritos nos livros de História e serão estudados pelos nossos filhos. Estamos no meio de um tornado que está revirando todas as ideias do governo e colocando em pauta assuntos sobre os quais ele não quer conversar. Ou melhor, não queria. Agora eles perceberam que nós não estamos aqui dando direito de escolha e sim intimando-o a nos dar explicações porque queremos mudanças. A Revolta do Vinagre, como vem sendo chamado o movimento, obstina muito mais do que lutar contra os 20 centavos de aumento da passagem. Trata-se da indignação de um povo que permaneceu calado por um bom tempo. Que engoliu desvio de bilhões e uma patifaria sem escrúpulos que assombra o Congresso Nacional desde que eu me lembro por gente. Por muitos anos nós fomos os palhaços deste circo, fazendo rir aqueles que não tem um pingo de valores e que provavelmente acham que caráter é algo que se acha na feira. Não é, e não se pode comprar valores que vem de berço, e agora estamos aqui para mostrar que o espetáculo mudou. Agora o show é na rua, através do grito PACÍFICO de milhões. Acho que nunca na história se viu tanta gente de diferentes gerações na rua. É sinal de que a noção de injustiça é geral, atemporal e aflige inclusive aqueles que já viveram tempos tenebrosos lá atrás, mas que continuam até hoje sonhando com um Brasil mais justo.
Meus caros, isto não se trata de “apenas” 20 centavos. O que presenciamos hoje é um exercício pleno da democracia – conquistada com muita luta, diga-se de passagem. Acho que pela primeira vez o país está realmente enxergando uma luz no fim do túnel. Dessa vez as vozes estão ecoando longe, muito longe. Temos o apoio de outros países e milhares de outros brasileiros estão acreditando conosco, lá de longe. Agora nós somos um movimento sem partido, sem cor, sem raça, sem torcida, sem religião. Somos um movimento BRASILEIRO e que busca melhorias na Educação, Saúde, Transporte e Transparência do Governo para tantos outros assuntos. Estamos tão fortes nesta luta que fizemos a Dilma recuar e bater palma pro MONSTRO que está contra ela. Fizemos o Jabour pedir desculpas por, num ato que eu espero ter sido de pressão, ter defecado oralmente. Fizemos Haddad e Alckmin mudarem abruptamente seus discursos relapsos e esnobes diante de algo tão sério. Temos o apoio de uma massa intelectual crítica e sagaz, que nos apoia através das redes sociais. Hoje a nação acorda unida por UM objetivo comum e luta como um só. E por mais que tenhamos tantas nações misturadas por aqui, é o que somos, um só país – colorido, alegre e esperançoso. Daqui a 20 anos seremos lembrados nos livros de História como uma geração que fez diferente. Não, não estou desmerecendo a luta de ninguém que já batalhava por mudanças, porque isso seria afirmar que somente agora o “Gigante Acordou”, e não é. Um pedacinho nosso sempre esteve acordado e incomodando os incorretos, por lutas que nós não percebíamos porque talvez estivéssemos apáticos demais. Mas elas sempre existiram. O que nos importa agora é foco, é saber lidar com o poder que temos na mão. Discutir quem “acordou” antes ou depois é apenas uma disputa ridícula de ego diante de algo tão maior – e que isso seja sempre lembrado por nós para que não interfira nas nossas lutas.            
Hoje, meus caros, é dia do NOSSO espetáculo. Hoje somos nós quem vamos rir e mostrar como deve ser feito. Sem violência, sem baderna, sem vandalismo. Com cartazes criativos e alegria que nos é característica. Isso sim “faz parte do nosso show”. E quando a lua cair amanhã, mostraremos ao mundo que aqui vive um povo que irá mudar a história. A Revolta do Vinagre será para sempre conhecida como o dia em que colocamos tudo de errado numa panela e temperamos com indignação e justiça. Mas é tanta coisa errada, que muito vinagre ainda é pouco.

                - “Garçom, um pouco mais de vinagre, por favor. Isto aqui ainda tem muito o que azedar”.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ah, o tempo ...


          O tempo se encarrega de levar as coisas ruins pra longe. Por mais que a mente possa não colaborar com isso, o tempo fatalmente consegue fazer com que algo caia no esquecimento. Não é que seja voluntário, ele só tem essa habilidade intrínseca. Olhar uns álbuns de fotografias, ouvir aquela música que um dia te fez chorar ou sentir o perfume de uma pessoa querida que já se foi .. nada disso pode ser apagado pelo tempo. Ele não destrói o que ficou de bom, como aquelas sensações reprimidas de um amor que não deu certo, ele apenas se encarrega de apagar o que alfineta.
            O tempo é sim forte, poderoso, mas não invencível. Ou talvez seja, considerando-se que ele nunca pára, nunca perde, nunca anda pra trás. O tempo é escalar. Nós somos vetoriais. Não existe uma forma de se competir com ele, até porque isso seria matematicamente grosseiro. Hoje parece que o tempo anda mais devagar, como se fizesse questão de deixar claro os bons ventos que pairam por aqui, querendo dizer: “Vai lá garoto, aproveita e se joga!” , ou talvez ele só esteja ocupado demais levando embora alguns sentimentos ruins pra longe de quem precisa. Sempre há alguém que precisa e sempre há alguém na plenitude da vontade de correr o mundo.
            Nessa vida é o tempo que nos ensina tudo. Ele é o grande professor. Não há mistérios no aprendizado, basta esperar que ele passe. Pra alguns ele corre, pra outros ele caminha.. nunca para. Nunca. Não ande, corra! Pense, reflita, aja. Re-pense. Cuidado ao dar tempo demais ao tempo. Ele tem o seu próprio ritmo e não vai te perdoar pelas suas inseguranças ou medos. Viva intensamente, por mais que as coisas não saiam como você planejou. Na pior das hipóteses você vai parar, vai sofrer um pouco e depois o tempo vai cicatrizar tudo isso, quer você queira ou não. É essa a função do tempo, passar e ensinar que tudo um dia vai valer a pena. Nem que seja uma remota lembrança de um momento bom. Acredite, ele nunca erra.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O menino que vagava por aí

Aquele dia amanhecera diferente. Azulado, claro e com um aroma agradável. Desde os primeiros passos já se mostrava deveras interessante. O menino havia se proposto a vagar vagarosamente pelo mundo vagabundo e vasto de tanto vivacidade. Não tinha a certeza de que viver tudo aquilo seria tão sagaz, mas decidira apostar suas fichas naquilo ali. Havia se cansado tanto da prolixidade repetitiva dos dias recentes, que qualquer sombra de mudança parecia um movimento de translação de uma cabeça que se abre pro mundo. Tudo parecia diferente, mas perigoso. Calmo porém enérgico. Saiu de casa com a calmaria de sempre, um sorriso no rosto e um semblante inspirador, como alguém que caminha rumo à vitória. Aquele dia havia de ser diferente, no mínimo um marco no processo todo de mudança. A vida caminhava pra frente, e o tempo ia junto, nunca andando pra trás. Nem dando passos em falso. Os ponteiros nunca perdoam e por mais que se queira parar no tempo, o tempo não iria parar para o menino. “Melhor correr agora, pra tirar das costas o peso de um relógio atrasado” - pensou ele. E assim foi feito, e foi o que se comentou .. que “um menino com um belo sorriso no rosto havia sido avistado por ai, caminhando perdido em direção a um lugar qualquer.”

E um tanto mais se ouviu sobre o menino de sorriso largo e direção indefinida. Dizem que até hoje ele vagueia por ai, vagabundo e voraz, tentando vencer os ponteiros do relógio com a vontade de um vencedor nato. O menino pertencia ao mundo.




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Musica do Post: Lost - Coldplay

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Madrugada Cinzenta

Ontem eu acordei sentindo mais frio que o normal. Não bastasse esse inverno solitário e sem cor, ainda tem aquela outra pontadinha que cutuca o dia inteiro. Realizar qualquer tarefa, por mais simples que seja, é um desafio. Ando desconcentrado, com a cabeça longe, bem longe. Tudo se resume à umas poucas palavras querem ser pronunciadas, mas acabam ficando presas, e à uma seqüência de memórias que, quando juntas, formam um filme em forma de flashback saudosista. Queria estar em outro lugar, distante daqui, aonde eu não conheceria ninguém e talvez ficasse quase incomunicável, mas estaria bem desta forma. Esses tempos de dezembro são bons, são alegres e descontraídos, mas poderiam ser ainda melhores se algumas outras peças estivessem aqui no tabuleiro. De vez em quando a gente não nota a importância do que nos cerca até que o cotidiano vira distância. Foi preciso tudo isso para que eu pudesse enxergar esse cenário em preto e branco de outro ângulo.

Nunca fui de ter problemas com sono, mas de umas semanas pra cá, dormir virou quase um desafio. É quando você deita que fica mais difícil desacelerar os pensamentos. Parece que a madrugada, quanto mais fria e quieta, mais pensativa ela se torna. Sonhar, lembrar, sentir falta, lembrar de novo. Tudo isso que andava enterrado anda voltando aos pouquinhos, tentando se readaptar à cabeça, e a cabeça à isso. É um treinamento bilateral que envolve paciência e requer tempo, mas há de acontecer. Agora o que eu preciso é só de umas noites tranqüilas, com a mente mais sossegada. Continuo fazendo aquela contagem, com um ar ainda mais ansioso, eu diria. E o frio continua apertando, maltratando pela madrugada. Só há uma solução agora:

- Um café, por favor. Extra forte e caprichado.

domingo, 13 de novembro de 2011

Noite multifacetada

Ela acordara sem saber como seria. Pisou com o pé esquerdo, mas recuou. Decidiu ficar mais alguns minutos no escuro do seu quarto e aproveitar aquela marola sonolenta. Desceu então, pisando dessa vez com o pé direito. Sentiu confiança e um ar de alegria, como uma premissa de que tudo daria certo. Saiu feliz e conversou com cada um dos seus amigos, gesticulando e falando graciosamente, tentando transparecer toda a paz interior daquele dia tão azul. Parecia conseguir deixar um rastro leve no ar. Imaginou como seria voltar ao passado e alterar tudo o que havia feito. Pensou um pouco melhor e percebeu que se fizesse isso, estaria afetando quem ela era, e aquele momento em si. Decidiu não tocar nas feridas. Bebeu, comeu e se divertiu como se fosse sua última noite de liberdade. Não cogitou o amanhã e não atendeu a porta para o pretérito. Simplesmente viveu. Ela sabia que aquilo tudo não duraria pra sempre, mas preferiu deixar o lado racional e egoísta de lado. Pelo menos naquela noite, naquele dia. Abriu as portas da sua cabeça para quem quisesse entrar, e deixou bem claro naquela roda de amigos, que nem tudo ia bem. Aquilo que todos viam era só uma imagem, um papel sendo interpretado por alguém que tentava não demonstrar o que parecia alfinetar por dentro. Um capricho talvez, ou uma forma de defesa. Aquele teatro todo era a sua fortaleza, seus muros pessoais.

Não desejava mais sentir aquela angústia. Queria poder gritar à vontade e marejar os olhos se fosse preciso. E se impreciso fosse o desejo disso tudo, que assim fosse. Desceu do palco e desligou os holofotes que há tanto lhe agraciavam. Tirou toda a maquiagem e mostrou ao mundo o que havia por baixo daquela fantasia carnavalesca. Conseguiu surpreender-se diante do que viu em frente ao espelho – uma mulher forte, criada e vivida por todas aquelas cicatrizes. Necessárias. Cada parte do seu corpo fazia sentido no conjunto, e agora ela podia enxergar isso. Deitou a cabeça no travesseiro e esperou o sono visitá-la. Não conseguia prever seus sonhos mas tinha a ligeira impressão de que seriam bons. Foi entrando num estado meio nirvana, meio saudosista. Colocara ali, naquela hora, um ponto final nessa peça que já durava há tanto. Seria agora uma menina diferente. Uma mulher de olhar forte e sincero, sem máscaras, sem maquiagem, sem meias palavras.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A razão disso tudo

           Um dia ele se pegou pensando em como havia chegado ali. Em como num piscar de olhos tudo havia mudado: as pessoas, as cores, os ambientes, os hábitos, os gostos. Sua aparência. Ele parecia não acreditar no que via, mas não por ser algo desagradável, e sim pela surpresa que lhe havia causado. E a pergunta continuava rondando a sua cabeça. Por alguns minutos debruçou-se sobre seus braços apoiando lentamente o queixo sobre as mãos e refletiu profundamente sobre a causa daquilo tudo. Era como tentar pescar uma baleia com uma vara de pescar daquelas de festa junina. Tudo aquilo foi gerando uma angústia misturada com pavor e incerteza. Ele nada pode fazer.

           Minutos se passaram, horas se passaram, dias se passaram. E o garoto continuava a se perguntar qual era a razão daquilo tudo. Lembrou-se então de amores e decepções passadas e de coisas que lhe fizeram mudar de atitude e tomar a decisão de mudar por um tempo. Era nisto que tinha culminado esta sua decisão. Os amigos haviam aumentado, mas os poucos e bons permaneciam ali. As cores eram apenas diferentes, afinal agora ele tinha mais tonalidades para pintar sua rotina. Os hábitos haviam mudado como uma resposta natural do que ele havia passado. E sua aparência era uma mera conseqüência do tempo. No fundo, agora o garoto estava mais calmo. Descruzou os braços e relaxou o maxilar. Esticou as pernas e por alguns segundos conseguiu se libertar do pensamento que tanto lhe torturava. Agora tudo parecia simples e lógico. Sem pestanejar colocou sua melhor roupa e seu melhor perfume, como quem se arruma pela última vez. Aquela noite prometia ser mais divertida que o normal. Antes de sair para encontrar com seus novos e velhos amigos, olhou-se no espelho como de rotina, apenas para ver se estava tudo em ordem, e surpreendeu-se ao ver quem estava ali. A pergunta foi inevitável: Como eu vim parar aqui?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Alegria em poucas linhas

          Considero a escrita como um dom, uma forma de arte. Aquele que escreve bem e consegue envolver o leitor em seus textos, usando palavras que tocam, que identificam e fazem com que o leitor se sinta preso, esse sim é o verdadeiro escritor. Pra mim, a escrita sempre serviu como uma forma de expressão, como uma "válvula de escape". Outros cantam, dançam, bebem, dormem. Eu gosto é de escrever. Não sei se escrevo bem, se meus textos são apenas mais uns, ou se são realmente bons. Realmente espero que seja esta última a correta. Gosto de falar sobre coisas que vivo e que vivi. Geralmente tento deixar no ar algum sentimento que está presente na minha vida no exato momento em que escrevo, mesmo que isso seja feito nas entrelinhas. Não se engane. Nenhum texto, em momento algum, é sem motivo. Por mais sem sentido que ele o pareça, não é.

           Não sei como os outros começam seus textos, mas gosto de deixar os pensamentos fluírem e colocar no papel as coisas que giram na minha cabeça. Quase sempre isso leva um certo tempo, mais pra achar as palavras certas, mas as idéias estão todas ali esperando para serem lapidadas.  Um texto bem escrito tem que ser capaz de causar um efeito similar ao de uma música ou de uma essência, que é: desprender do momento, provocar sensações adversas, sejam elas boas ou ruins, e despertar lembranças. Agora imagine algo semelhante, só que você é o criador dessa sensação. E o melhor, em você mesmo e nos outros. É isso que quem escreve sente, ou pelo menos deveria sentir. Não importa se o texto é bom, ruim ou indiferente. Até porque aqui entra um efeito curioso. Escreva algo hoje, e se esforce mesmo nisso. Daqui algum tempo, volte e releia aqueles rasbiscos. A chance de você não o achar mais tão interessante é bem grande, e a chance de você pensar  "Meu Deus, um dia eu escrevi isso e ainda tive coragem de mostrar pra alguém." é maior ainda. Isso deve ter alguma explicação, algo que devia ser descrito como um “efeito escritor”.

          Mas, quem se importa? Eu não me importo de olhar pra algum texto meu e ver que o mesmo não era tão bom quanto eu pensava, mas por algum motivo eu o achava na época. Sei que no momento em que coloquei o último ponto final, senti uma sensação de leveza. De liberdade. Sensação esta que provavelmente sentirei quando terminar este. Pode ser que um dia eu o ache meio tolo também. Vai ver isso é tudo parte desse ciclo de quem escreve. E com sorte, no final da sua vida você poderá dizer: "Poxa, este texto continua bom". Mas de uma coisa estou certo, esse meu ponto final acabou de fazer valer o meu dia.