É curioso pensar que vivemos uma
vida dividida em horas, minutos, dias, anos... noções tão vagas de uma unidade
temporal que se fez necessária em algum momento da história. E com ele – o
tempo – fomos nos tornando reféns dessas métricas que não deveriam representar
tanto na nossa história. Criamos o relógio e, com ele, a noção do “tempo certo”
para se viver. Esperamos a segunda começar pra mudar os hábitos e pulamos 7
ondas no Ano Novo porque isso vai trazer sorte, como se o dia anterior fosse
assim tão menos especial que a noite de fogos.
Caminhamos pra frente, vivendo o
tic tac do momento (teoricamente), sustentados por tudo aquilo que um dia nos
aconteceu. É, meus caros, somos a somatória de absolutamente tudo que já rodou
no relógio de cada um: alegrias, tristezas, decepções, conquistas, viagens e
todo o resto que compõe essa montanha russa de emoções chamada vida.
Engraçado é perceber que, apesar de termos a vida acontecendo agora, exatamente
enquanto você lê esta frase, vivemos uma parte massiva dos nossos dias pensando
no antes e no depois. Dormimos conjecturando o que podia ter sido diferente no
passado, criando cenários que nunca existiram – talvez em algum universo
paralelo – e sofrendo com a ansiedade de quem tenta adivinhar o futuro.
Ah, meus amigos... o tic tac é
perspicaz, malandro e geralmente opera de forma pouco compreensível. Nós
achamos que entendemos o relógio, mas ele é só um símbolo de tudo o que nos
acomete dia após dia: a vida indo embora, passando. Rápida e cheia de nuâncias,
curvas e charadas aparentemente indecifráveis pra quem as vive – como se a vida
por si só não fosse uma grande charada.
É intrigante pensar que “temos” o
tempo escorrendo pelas nossas mãos no presente, mas acabamos nos prendendo no
que já aconteceu ou naquilo que pode nem acontecer. Um pouco estúpido eu diria
e seria cômico se não fosse trágico. O problema disso tudo é quebrar esse
ciclo de expectativas, ansiedade e uma cabeça distante. Concentrar-se no que
existe hoje talvez seja o melhor caminho pra garantir que o amanhã será melhor
– e quando os dias passarem, o amanhã será o ontem e poderemos dormir com a
consciência mais tranquila de termos um passado do qual nos orgulhamos. O
antes, o agora e o depois: os mesmos momentos de uma história que segue
separada mas que nunca deixou de ser um só.
O agora já se foi e você...
viveu?
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