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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Aprendizados atemporais

Com o passar do tempo, passei a acreditar que a importância dos fatos em nossa vida pode ser exacerbadamente aumentada dependendo do quanto de atenção damos ao tema. É como se a energia gasta ao se pensar naquilo servisse como uma lupa que distorce a realidade daquilo – é quando, frequentemente, nos pegamos pensando no que aconteceu ou no que pode acontecer. Nada disso é mutável ou, até aquele momento, indica que irá acontecer. São conjecturas, como uma câmara de tortura na qual nos colocamos e que insiste em machucar; quase sempre, sem razão.
Ao longo dos anos, aprendi que há problemas que aparecem e que alguns outros nós criamos, mas que não importa o tipo, os problemas passam. Por bem ou por mal, eles passam. É aí que você percebe que o valor da vida não está na solução, mas sim em curtir e aprender durante o percurso de solução – que, diga-se de passagem – pode ser longo. Aprendi também que, para quem está vivo, o dia seguinte sempre chega. Sempre. As noites passam, o sol vem e vai e, por fim, o calendário segue. O mundo não para só porque você quebrou a cara, já dizia Shakespeare.
Nos últimos tempos, passei a entender cada vez mais a importância de se trocar energia boa e com as pessoas certas. Somos energia, traduzida de uma forma diferente, mas é isso que somos. Quando conectados com as pessoas que nos trazem bons ventos e palavras necessárias, é como se tudo fizesse sentido de uma hora pra outra. Comecei a compreender que os grandes amigos são como as pílulas de coragem que a gente precisa pra seguir em frente, sempre nos lembrando do quão forte somos e do quanto podemos sustentar. Ah, como aprendemos como eles.
Ultimamente tenho olhado mais pra dentro e pensado mais com o coração. Aprendi que o meu lado racional me ajuda em muita coisa, mas o que eu sinto nunca se engana. Passei a entender muito mais a importância de se entender, de entender o outro e de saber ler o mundo. Ah, é tão mais “fácil” quando enxergamos os sinais do que está ali, querendo ser visto. Depois de um tempo é tão óbvio que eu me pergunto como não enxerguei antes – e chego à conclusão de que é preciso estar pronto para isso.
Uma hora você aprende que coisas vem e vão, que pessoas entram e saem da sua vida e que nem todo final é feliz. Existe dor, sofrimento, decepções e gente que se vai sem a oportunidade de se despedir. O caminho é inevitável para aqueles que tem a sorte de continuar por aqui e, se não for pra aprender todo dia, para que se vive? 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Contos inacabados da terra do efêmero

Caminhos voláteis e histórias que se entrelaça(ra)m
Jogos aqui e ali, sem nenhum fortuito vencedor, afinal
Disputas sem nexo  e um lego sentimental que se espalha por aí
Pedaços, cacos, espinhos, sobras, amor e um pouco de dor
Sente-se aqui, sente-se ali... mas não se sente, realmente, em nenhum lugar
E sentado à beira do mar, descobre-se que os sentidos se enganaram
Que o irreal tomou conta muito antes da mente se dar conta
E que agora, infelizmente, a conta já é alta demais – há de se pagar o preço

Um grito entalado na garganta e preso por tanto tempo
Disfarçado, cabisbaixo mas deveras energético – cheio de emoção consigo
Quando solto, causa estrago, como um furacão aleatório de sentimentos
Varrendo consigo mar, terra, poeira e pessoas boas
Ah, as pessoas... quanta gente certa na hora errada
Pagando o preço do relógio que já girou – e girou errado
Como se o erro estivesse aqui e não ... ali

E assim, sem mais nem menos, o permanente se vai
O impensável entra em ação e toma conta do rotineiro
Um sonho de cada vez, um passo atrás do outro e um pôr do sol por dia
Dias que seguem... efêmeros e marcantes
Importantes, mas negligenciados por quem fica aqui
Como se tudo não passasse de ... um sopro?

E soprou.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A matilha de um lobo solitário

Ele era aquele garoto de sempre
Os mesmos hábitos, amigos e trejeitos que o caracterizavam
Não sabia pra onde ia, mas sabia onde queria chegar
Teimosia que ultrapassava a perseverança e que beira a insanidade, diriam alguns
Mas ele definitivamente não se importava. 
Sentia-se totalmente blindado ao mundo ao seu redor..  tinha o seu próprio universo.
E nele viviam tantos outros como ele

Caminhava obstinado e solto desde muito tempo
Não lembrava como era ter pra onde voltar e, na verdade, não sabia como fazer
Por muito tempo sentiu que o MUNDO era sua casa, e assim fez planos
E nas veias de seus planos corriam a sede da descoberta, do desconhecido
O entusiasmo de quem tem um mundo a ganhar todo dia, o dia todo
Era um viajante nato, gigante pela própria natureza
E nem o impávido Colosso seria capaz de aprisiona-lo

Habituara-se com a grandeza das montanhas,
Sentia-se em paz naquelas colinas cinzentas
E agora já lhe agradava muito mais aquela selva predial
Observava atencioso a paisagem colorida em um dia de sol
Definitivamente, gostava da alegria daquele lugar.
Sabia que seria passageiro, que o viajante reapareceria
Decidiu não lutar contra o anseio naquela hora. 

Sabia que a sua casa não era ali
Mas tinha certeza da plenitude dos seus sonhos
E sabia que como filho do mundo não fugiria à luta
Relaxou, sorriu e descansou por um instante
Saberia a hora de ganhar o mundo novamente.. era o seu destino

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Epifania de um Guerreiro

No espelho algo distorcido e sem forma
O descontentamento era notório diante do que se via
Mas o que estava ali? Não era possível distinguir.
A mente engana e ludibria os fanáticos pelo que não tem
Distorce a realidade e afronta os desejos de mudança
E num piscar de olhos, tudo mudara
O positivismo torna-se delírio, descontentamento e decepção

Mais um dia nascia e o sol subia alaranjado
A transição da noite parecia atraente para mudança
A energia estava parcialmente recuperada e o vigor emanava
Não era fácil levantar daquela forma,
Mas tudo era por uma causa que transcendia os limites do meio físico
Pois agora a mente estava calma

A passividade do abstrato havia sumido da mesma forma que aparecera
E por um momento podia-se enxergar as luzes da mudança
Mudança esta que parecia longe, mas não inatingível como antes
E tudo que era preciso para caminhar e evoluir estava ali

Aceitara prontamente o desafio, como sempre o fazia
E sabendo que talvez titubeasse ao fim do dia
Empenhou-se com a energia de um menino e o foco de um guerreiro sedento por vitória
E mesmo sabendo que perdia as lutas contra si mesmo dia após dia
Sabia que nascera para vencer.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O menino que vagava por aí

Aquele dia amanhecera diferente. Azulado, claro e com um aroma agradável. Desde os primeiros passos já se mostrava deveras interessante. O menino havia se proposto a vagar vagarosamente pelo mundo vagabundo e vasto de tanto vivacidade. Não tinha a certeza de que viver tudo aquilo seria tão sagaz, mas decidira apostar suas fichas naquilo ali. Havia se cansado tanto da prolixidade repetitiva dos dias recentes, que qualquer sombra de mudança parecia um movimento de translação de uma cabeça que se abre pro mundo. Tudo parecia diferente, mas perigoso. Calmo porém enérgico. Saiu de casa com a calmaria de sempre, um sorriso no rosto e um semblante inspirador, como alguém que caminha rumo à vitória. Aquele dia havia de ser diferente, no mínimo um marco no processo todo de mudança. A vida caminhava pra frente, e o tempo ia junto, nunca andando pra trás. Nem dando passos em falso. Os ponteiros nunca perdoam e por mais que se queira parar no tempo, o tempo não iria parar para o menino. “Melhor correr agora, pra tirar das costas o peso de um relógio atrasado” - pensou ele. E assim foi feito, e foi o que se comentou .. que “um menino com um belo sorriso no rosto havia sido avistado por ai, caminhando perdido em direção a um lugar qualquer.”

E um tanto mais se ouviu sobre o menino de sorriso largo e direção indefinida. Dizem que até hoje ele vagueia por ai, vagabundo e voraz, tentando vencer os ponteiros do relógio com a vontade de um vencedor nato. O menino pertencia ao mundo.




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Musica do Post: Lost - Coldplay

domingo, 13 de novembro de 2011

Noite multifacetada

Ela acordara sem saber como seria. Pisou com o pé esquerdo, mas recuou. Decidiu ficar mais alguns minutos no escuro do seu quarto e aproveitar aquela marola sonolenta. Desceu então, pisando dessa vez com o pé direito. Sentiu confiança e um ar de alegria, como uma premissa de que tudo daria certo. Saiu feliz e conversou com cada um dos seus amigos, gesticulando e falando graciosamente, tentando transparecer toda a paz interior daquele dia tão azul. Parecia conseguir deixar um rastro leve no ar. Imaginou como seria voltar ao passado e alterar tudo o que havia feito. Pensou um pouco melhor e percebeu que se fizesse isso, estaria afetando quem ela era, e aquele momento em si. Decidiu não tocar nas feridas. Bebeu, comeu e se divertiu como se fosse sua última noite de liberdade. Não cogitou o amanhã e não atendeu a porta para o pretérito. Simplesmente viveu. Ela sabia que aquilo tudo não duraria pra sempre, mas preferiu deixar o lado racional e egoísta de lado. Pelo menos naquela noite, naquele dia. Abriu as portas da sua cabeça para quem quisesse entrar, e deixou bem claro naquela roda de amigos, que nem tudo ia bem. Aquilo que todos viam era só uma imagem, um papel sendo interpretado por alguém que tentava não demonstrar o que parecia alfinetar por dentro. Um capricho talvez, ou uma forma de defesa. Aquele teatro todo era a sua fortaleza, seus muros pessoais.

Não desejava mais sentir aquela angústia. Queria poder gritar à vontade e marejar os olhos se fosse preciso. E se impreciso fosse o desejo disso tudo, que assim fosse. Desceu do palco e desligou os holofotes que há tanto lhe agraciavam. Tirou toda a maquiagem e mostrou ao mundo o que havia por baixo daquela fantasia carnavalesca. Conseguiu surpreender-se diante do que viu em frente ao espelho – uma mulher forte, criada e vivida por todas aquelas cicatrizes. Necessárias. Cada parte do seu corpo fazia sentido no conjunto, e agora ela podia enxergar isso. Deitou a cabeça no travesseiro e esperou o sono visitá-la. Não conseguia prever seus sonhos mas tinha a ligeira impressão de que seriam bons. Foi entrando num estado meio nirvana, meio saudosista. Colocara ali, naquela hora, um ponto final nessa peça que já durava há tanto. Seria agora uma menina diferente. Uma mulher de olhar forte e sincero, sem máscaras, sem maquiagem, sem meias palavras.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Um conto sobre o esquecimento

Um dia ele acordou com a idéia de que tudo seria diferente. Espreguiçou-se espantando todos os males e tomou um banho para lavar a alma. Colocou sua melhor roupa e perfumou-se meticulosamente. Viu o sol raiar e se deu conta do quão belo era o amanhecer, coisa que havia lhe fugido à mente há tanto tempo. Ouviu os pássaros cantarem, o orvalho secar e desejou um sol pra ele todo dia. Não queria ainda encarar que o mundo lá fora o aguardava ansioso e voraz, querendo lhe mostrar umas verdades inevitáveis. Decidiu então se calçar e abriu a grande muralha marrom. Lá fora, a luz refletia a beleza já esquecida por ele. Por um momento, conseguiu viajar na sensação do vento batendo no seu rosto e como que sorrateiramente, sorriu de canto de boca. Felicidade, era isso que ele sentia. Sentiu todo seu corpo ser percorrido por uma bela corrente fugaz que arrepiou todos seus pêlos. Deu seus primeiros passos como uma criança que tropeça nas próprias pernas, e lembrou agora dos tempos da sua juventude. É, o tempo havia sido cruel com ele. Cantarolou sozinho, conversou consigo mesmo, gritou ao vento e viu-se como um louco, sendo observado pelos olhares críticos de pessoas que não sabiam o motivo de tanto alarde. Não ligava para isso, e cantou ainda mais alto.

Sentou-se no banco da praça, ou melhor, naquele banco da praça. Sim, aquele que há alguns anos atrás mudara sua vida. Era ali talvez, o lugar mais dolorido para estar. Ainda conseguia sentir no ar o cheiro doce que por tempos foi seu guia. Fechou os olhos e criou novamente o cenário que lhe causara pesadelos e o fizera perder tantas noites de sono. Agora já não sentia mais aquela confiança, e o medo parecia estar sentado ao seu lado. Pestanejou e desejou nunca ter saído de casa. Tudo que lhe restava eram memórias doloridas, imersas em momentos que foram tão bons, mas que agora não passavam do passado. Não viu outra saída senão voltar à sua segura escuridão e saborear lentamente aquela agonia amorosa. Caminhou para casa tentando se convencer de que tudo ficaria bem e não passara de mais um sonho ruim, até dar-se conta de que toda aquela luz era de fato real. Prometeu-se apenas que a partir daquele momento não entregaria mais seu coração à ninguém. Era dolorido demais, real demais. Sabia que talvez nunca mais fosse feliz, mas era um risco à se correr, afinal, a dor já estava o matando mesmo. Deitou-se e pensou apenas em coisas boas, como se isso devesse lhe trazer bons sonhos. Sabia que conviveria com aquele fantasma ainda por muito tempo, e ainda assim quis permanecer solitário.Esqueceu-se apenas do fato de que ninguém é tão alguém que seja alguém sozinho. Mais um amor traído que caiu no esquecimento, perdido nas memórias em preto e branco, vagando por ai sem propósito e sem vontade. Mais um, apenas isso, mais um.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A razão disso tudo

           Um dia ele se pegou pensando em como havia chegado ali. Em como num piscar de olhos tudo havia mudado: as pessoas, as cores, os ambientes, os hábitos, os gostos. Sua aparência. Ele parecia não acreditar no que via, mas não por ser algo desagradável, e sim pela surpresa que lhe havia causado. E a pergunta continuava rondando a sua cabeça. Por alguns minutos debruçou-se sobre seus braços apoiando lentamente o queixo sobre as mãos e refletiu profundamente sobre a causa daquilo tudo. Era como tentar pescar uma baleia com uma vara de pescar daquelas de festa junina. Tudo aquilo foi gerando uma angústia misturada com pavor e incerteza. Ele nada pode fazer.

           Minutos se passaram, horas se passaram, dias se passaram. E o garoto continuava a se perguntar qual era a razão daquilo tudo. Lembrou-se então de amores e decepções passadas e de coisas que lhe fizeram mudar de atitude e tomar a decisão de mudar por um tempo. Era nisto que tinha culminado esta sua decisão. Os amigos haviam aumentado, mas os poucos e bons permaneciam ali. As cores eram apenas diferentes, afinal agora ele tinha mais tonalidades para pintar sua rotina. Os hábitos haviam mudado como uma resposta natural do que ele havia passado. E sua aparência era uma mera conseqüência do tempo. No fundo, agora o garoto estava mais calmo. Descruzou os braços e relaxou o maxilar. Esticou as pernas e por alguns segundos conseguiu se libertar do pensamento que tanto lhe torturava. Agora tudo parecia simples e lógico. Sem pestanejar colocou sua melhor roupa e seu melhor perfume, como quem se arruma pela última vez. Aquela noite prometia ser mais divertida que o normal. Antes de sair para encontrar com seus novos e velhos amigos, olhou-se no espelho como de rotina, apenas para ver se estava tudo em ordem, e surpreendeu-se ao ver quem estava ali. A pergunta foi inevitável: Como eu vim parar aqui?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sonhos : R$1,00. Promoção: 3 por R$2,00

 

                Dificilmente o homem está satisfeito com o que tem nas mãos. Temos sempre a sensação de que falta alguma coisa, de que algo pode melhorar. E é por isso que estamos o tempo todo buscando algo que não temos, por mais que o que tenhamos naquele momento tenha sido o desejo de tempos atrás. A sensação de vazio, ou melhor, de incompleto, é freqüente e intensa. É como se o homem fosse um animal raivoso, em busca de sua própria presa para matar sua fome, apesar de nunca ficar saciado. E isso é um vicio perigoso. Como já dizia minha bisavó: “Cuidado com o que você quer, porque você pode conseguir”.

                De uns tempos pra cá eu venho encontrando nos sonhos a solução (temporária e com duas grandes aspas) dos meus problemas. Apesar de tudo o que acontece, e de toda aquela maré de preocupação na sua cabeça, quando você se deita é somente você, o travesseiro, um quarto escuro e os seus pensamentos. Estes são os grandes responsáveis por fazerem sua cabeça girar, viajar.. tudo isso numa fração de minutos que antecede o momento em que você deita e o momento em que você é qualquer coisa que quiser. Sonhos.

                Neles você pode ser mais magro, mais alto, mais gordo, mais bonito. Pode assumir a forma que quiser. Pode fazer qualquer um se apaixonar por você, pode brigar com pessoas que lá no fundo do seu subconsciente tem uma mágoa passada guardada. Pode correr mais do que qualquer um, ou até mesmo imaginar um mundo totalmente fantasioso que nada mais é do que uma mistura de mitologia e folclore com aquela sua parte criança que vai sempre existir. Mas sonhar é bom, faz bem e é capaz de nos fazer delirar nem que seja por alguns minutos (Sim, aqueles imediatamente depois que você acorda, enquanto o sonho está totalmente gravado em sua mente).. Minutos estes que somem tão rapidamente como agradam, e ai começa tudo novamente. A rotina, as preocupações, as obrigações. Enfim, a vida real. Mas é bom saber que no final do seu dia, o sol vai sair, a lua vai chegar e tudo vai ficar escuro novamente. E lá estará o seu travesseiro e a sua cama, esperando você e seus pensamentos para mais uma noite aonde você pode (ao menos tentar) extravasar tudo aquilo que foi ruim no seu dia.

                Não, sonhar não é um remédio, nem uma terapia. É só uma forma de escape que cada um tem para amenizar dores, frustrações e desejos. 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sobre o agora e um pouco mais

Ultimamente, meu cotidiano anda bem agitado.Diferente. As coisas vem mudando numa velocidade assustadora, e o volume de experiências adquiridas parece o de uma grande tempestade, com ventos fortíssimos que trazem pessoas, emoções, situações.. mudanças! Quando você é menor, suas experiências são extremamente dependentes das pessoas mais próximas, e dar um passo no escuro é o grande desafio do dia. Daí o tempo vai passando, você vai ganhando maturidade[ou não] e vai começando a dar seus próprios passos, e assumir as consequências dos próprios erros. Vai assim crescendo, experimentando o novo, re-experimentando o velho, e redescobrindo sabores, sensações. Começa a perceber tudo com novos olhos, a ver o banal de novos ângulos, e a adentrar em novos mundos. Mudanças, aí começam elas. Algumas sutis, outras nem tanto, mas no final todas te trazem até aqui, hoje, a ser quem você é, e a estar aqui lendo este texto.

Há uns 3 anos, comecei a encarar as coisas com mais seriedade. Comecei a ver que fora daquele universo de colégio, no qual passamos ai mais de uma década imersos, as coisas são diferentes, bem diferentes. Como já dizia um professor da universidade: "Quem disse que a vida é facil e justa?" É verdade, nunca foi. Justa, nem de longe, e fácil só pra alguns poucos. Mas no frigir dos ovos, todos tem as suas dificuldades. E cada um tem um peso nas costas, algo a carregar, e isso não é o tipo de coisa que se escolhe. 

 E, apesar da peleja de cada dia, você pode escolher se vai viver ou sobreviver. Cada um escolhe em que abismos se jogar, e quais aventuras serão enfrentadas. Cada homem é arquiteto da sua própria sorte. Nesse quesito eu não acredito em destino feito. Não me cabe a idéia de que está tudo escrito, e que no final das contas você está apenas cumprindo mais um papel nessa grande peça. Não. Mas parar pra pensar nisso, e pensar que isso também já foi pensado no planejar de tudo, é algo Freud demais pra mim. Prefiro manter a idéia de que eu faço acontecer. Nunca vi ninguém ganhar tudo sem fazer nada, com exceção de Charlie Harper na série "Two and a half men", que por sinal é foda, e ele tem uma puta vida. Ou uma vida puta, whatever.

Sempre fui o tipo de cara que gosta de aventuras. De fazer o máximo do que posso. Quem me conhece sabe que uma palavra que cabe muito bem é Intenso(Teimoso vem logo em seguida). Não sinto que nasci pra viver preso à algo, e deve ser por isso que rotinas não me agradam muito. Nem regras, apesar de respeita-las sempre que necessário. Aventuras sempre foram o meu forte. Viajar, sair pra pedalar sem rumo, parar em frente à praia num final de tarde, sair pra correr, sair sem rumo, sair com amigos. Liberdade é o que me alimenta, e o que me faz querer acordar amanhã e experimentar um final de tarde. Não costumo pensar em como serão as coisas daqui a 5 anos, ou como serão os tempos futuros. Um dia você vai olhar pra trás, ver tudo o que passou e pensar: "Que tempos bons eram aqueles. Os melhores na verdade. Pena que ninguém me disse na época."

domingo, 27 de junho de 2010

Press "ESC"

Fugir de algo que te atormenta é quase tão bom quanto se deliciar com uma música, cuja melodia te faz suspirar, levitar. E cada nota te leva à uma euforia sem igual.Descer de um palco já feito, e fazer seu próprio show é algo complicado. Poucos são capazes de conquistar um novo público, compor novas músicas e iniciar uma turnê. Jã não me sinto bem com esse cotidiano, com todo esse emaranhado de rotinas. Tudo está normal demais, previsível demais e pateticamente triste. Cores, sons...cadê vocês? Talvez escapar e buscá-los em outro lugar pareça a melhor solução agora, mas que certeza posso ter que o "lá" não será da mesma forma? É, não sei..

Sair correndo dessa faiscante e pálida experiência é quase um senso comum. Abandonar tudo e começar a viver na incerteza do acaso, dependendo de nada mais do que a sua própria sorte é algo que apenas um grupo seleto de grandes desbravadores de destino conseguem fazer. Poemas de agonia, compostos por velhos sonhadores guiam as intenções através dos tempos, na busca da revolução, da mudança, do crescimento, da vida. Mudar, e mudar e mudar, sempre. Quando se para de mudar, para-se de viver.

Cores, sons, tons.. tudo se conecta na busca de um novo dia, de novos ares. E lá vou eu, dar um ESC aqui no meu sistema que tudo acabou de travar. Está tudo bem turvo, desconexo e aleatório. Vamos colocar um pouco de ordem que aqui não é a casa da mãe Joana. Ops, o sistema da mãe Joana. Aliás, Joana.. pobre dela, sempre limpando as nossas desordens.