Mostrando postagens com marcador Sonhar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sonhar. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de novembro de 2011

Noite multifacetada

Ela acordara sem saber como seria. Pisou com o pé esquerdo, mas recuou. Decidiu ficar mais alguns minutos no escuro do seu quarto e aproveitar aquela marola sonolenta. Desceu então, pisando dessa vez com o pé direito. Sentiu confiança e um ar de alegria, como uma premissa de que tudo daria certo. Saiu feliz e conversou com cada um dos seus amigos, gesticulando e falando graciosamente, tentando transparecer toda a paz interior daquele dia tão azul. Parecia conseguir deixar um rastro leve no ar. Imaginou como seria voltar ao passado e alterar tudo o que havia feito. Pensou um pouco melhor e percebeu que se fizesse isso, estaria afetando quem ela era, e aquele momento em si. Decidiu não tocar nas feridas. Bebeu, comeu e se divertiu como se fosse sua última noite de liberdade. Não cogitou o amanhã e não atendeu a porta para o pretérito. Simplesmente viveu. Ela sabia que aquilo tudo não duraria pra sempre, mas preferiu deixar o lado racional e egoísta de lado. Pelo menos naquela noite, naquele dia. Abriu as portas da sua cabeça para quem quisesse entrar, e deixou bem claro naquela roda de amigos, que nem tudo ia bem. Aquilo que todos viam era só uma imagem, um papel sendo interpretado por alguém que tentava não demonstrar o que parecia alfinetar por dentro. Um capricho talvez, ou uma forma de defesa. Aquele teatro todo era a sua fortaleza, seus muros pessoais.

Não desejava mais sentir aquela angústia. Queria poder gritar à vontade e marejar os olhos se fosse preciso. E se impreciso fosse o desejo disso tudo, que assim fosse. Desceu do palco e desligou os holofotes que há tanto lhe agraciavam. Tirou toda a maquiagem e mostrou ao mundo o que havia por baixo daquela fantasia carnavalesca. Conseguiu surpreender-se diante do que viu em frente ao espelho – uma mulher forte, criada e vivida por todas aquelas cicatrizes. Necessárias. Cada parte do seu corpo fazia sentido no conjunto, e agora ela podia enxergar isso. Deitou a cabeça no travesseiro e esperou o sono visitá-la. Não conseguia prever seus sonhos mas tinha a ligeira impressão de que seriam bons. Foi entrando num estado meio nirvana, meio saudosista. Colocara ali, naquela hora, um ponto final nessa peça que já durava há tanto. Seria agora uma menina diferente. Uma mulher de olhar forte e sincero, sem máscaras, sem maquiagem, sem meias palavras.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Sonhador

      Eu sempre fui do tipo prol-liberdade. Nunca gostei de regras, rotinas ou qualquer comportamento que me transpareça a idéia de estar preso. Desde pequeno buscava contrariar o que se parecia fixo, e ir de encontro ao que era indiscutível. Não, eu nunca fui rebelde. Sou, e sempre fui um cara com idéias e ideologias, capaz de defendê-las sob quaisquer circunstâncias. Gosto da idéia de me sentir livre, de dormir em Nova York e acordar em Paris. Da idéia de conhecer todos os continentes, e viver o máximo de cada cultura possível. Como já disse Pedro Bial : “More uma vez em Nova York mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer”. Eu quero, e vou, viver cada sensação que esse mundão há de me proporcionar. Sou do tipo sonhador, com um toque de capricorniano que não nega a minha perseverança no que eu faço.

         Sou fascinado pelas caminhadas sem rumo que vem e vão, pelos caminhos confusos que vão sendo lançados ao longo desses minutos tão ligeiros. Hoje eu escrevo aqui, amanhã eu escrevo ali. Outro dia.. ah, o outro dia ninguém sabe. E essa é a única certeza que eu tenho: sobre o amanhã eu não sei de nada. Alguém já disse um dia: “Pra morrer, basta estar vivo.” Espero levar comigo até o último instante essa liberdade que sempre fez muito bem. Até hoje eu não entendo como gastamos tanta energia buscando mostrar ao mundo o quanto somos felizes, como se ele, em algum momento, tivesse pedido explicações. É desafiar demais as probabilidades, desperdiçando cada única oportunidade que se abre pra você. Não dependa da sorte, nem conte com ela para guiar os seus passos, afinal, a sorte vem para quem está preparado. Caminhe, ande, corra, viaje. Viaje!

         A verdade é que dessa vida eu não vou levar nada. E quando eu partir, o que vão ficar serão lembranças, idéias, memórias e amigos. Tudo isso será lembrado por uma única e forte palavra que sempre me descreveu: Liberdade. E que isso crie tantos outros sonhadores, capazes de viver consigo mesmos, e sozinhos se preciso. Capazes de enxergar a beleza de um amanhecer ao lado de alguém numa praia deserta. Que consigam perceber que o que te faz feliz está ai, do seu lado. Não busque o equilíbrio longe demais, nem torne a sua felicidade dependente de algo que não depende de você. É tudo tão efêmero e sutil que não vale à pena. 

domingo, 15 de maio de 2011

Doce Ilusão

          Hoje eu sonhei que as guerras haviam acabado. No meu sonho, tudo era tranqüilo. As crianças andavam por ai sem medo, jogando suas bolas e manejando suas bonecas sem preocupação, enquanto o sol intenso caminhava pelo dia. O suor descia, mas não era um suor qualquer. Eram as gotas transbordando dos copos, ou melhor, corpos felizes. Era um dia ensolarado e feliz.

           No meu sonho, não havia preconceito de qualquer gênero. Não existiam crimes contra à natureza, e nenhum tipo de sentimento ruim que levasse à uma atitude violenta. Não existiam roubos. Não. Éramos todos pessoas vivendo, e convivendo pacificamente. No meu sonho, ninguém morria de fome e todas as crianças eram alfabetizadas. Todos tinham uma casa com quintal, com um balanço para as crianças e uma casinha de cachorro. No meu sonho, a natureza era verde e cheia de vida. 

        No meu sonho, a água era um bem para todos. Nele, as pessoas sonhavam mais, e batalhavam para que cada passo valesse à pena. Ninguém tinha medo de errar, ninguém tinha medo de amar. Neste mesmo sonho, tudo o que se via era um mundo sorridente, alegre, colorido. Um mundo perfeito. Um mundo feito para as crianças, para os homens, para as mulheres, para os idosos. Para os animais. Um mundo feito de natureza, para a natureza. 

           E neste mesmo sonho a lua brilhava mais, como se quisesse agradecer por tudo aquilo que acontecia ali, bem embaixo dela. Brilhar mais era seu único, mas precioso sinal. Sonhar nunca pareceu tão fácil, nunca foi tão leve. Mas a leveza não ficou naquelas lembranças, somente. Tudo foi tão leve como ainda pode ser um dia. Sonhe!