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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Dores do crescimento

Quando decidimos crescer, tomamos o risco de aprender algumas coisas de uma forma não tão amigável. É quando repetimos para nós mesmos que chegou a hora de evoluir, de se tornar mais resiliente e de entender que nem sempre as coisas sairão do jeito que planejamos. Nossos planos? São meros rabiscos de expectativa que criamos para tentar nos manter focados naquilo que achamos que queremos. No fim, é tudo possivelmente passageiro e mutável – coisa que só descobrimos tempos depois.
Uma das belezas do aprendizado é perceber que hoje temos uma compreensão melhor do que ontem e imaginar que amanhã será ainda melhor do que hoje. Somos seres em constante evolução e em busca de felicidade e plenitude. Passamos então a admirar o aprendizado, mesmo quando doloroso, porque sabemos que algo melhor virá disso tudo. É possível quase que tangibilizar aquele momento, aquele estalo mental, em que enxergamos uma melhor versão de nós mesmos. E que momento!
O grande ponto deste processo de evolução é que toma-se tempo. Tempo até entender onde a expectativa se descolou da realidade. Tempo para entender o que causou isso. Tempo para mensurar os impactos das frustrações em nosso subconsciente e entender que há coisas muito mais profundas do que um simples desalinhamento de expectativas. E, acima de tudo, tempo para se aprender a lidar com tantos pensamentos e absorver a dor daquilo que já se foi, visceralmente acreditando que planos maiores estão traçados mais a frente.

É... crescer não é fácil, mas é necessário. Pode nos custar ombros amigos, noites de sono e porres de amor, mas no fim, sempre vale a pena. Crescer é estar vivo e estar vivo é ter a oportunidade de seguir evoluindo. Se não é pra isso que viemos nessa vida, por que seria?

domingo, 12 de junho de 2011

Perder e Ganhar. Ganhar e Perder.

        Parece uma dança das cadeiras, com umas regras diferentes, aonde além de cair, você também deve ganhar ou perder alguma coisa. Só que você joga com cadeiras que se movem, numa sala escura e cheia de buracos. E a regra do jogo é simples : perder ou ganhar. Eu não sei se o perder vem quase sempre acompanhado do fato de nós sermos idiotas - e quando eu falo nós eu to me referindo à sociedade como um todo – ou se é só uma questão da velha e boa lei de Murphy. Um pouco dos dois, maybe.

         Estamos tão habituados à nos contentar com a mesmice, que perder algo ou alguém, pode doer e marcar, mas é encarado como algo normal. Não é, ou pelo menos não deveria. É como estar numa situação boa e que te faz bem, e não conseguir mais enxergar isso, ofuscado pela rotina. Ai vem uma mudança e te faz acordar e perceber o quanto aquilo é importante. O intrigante da coisa é saber que você depende daquilo ou daquela pessoa, e que você pode perdê-la à qualquer hora ,e mesmo assim se acomodar e esperar que a pura sorte tome conta das rédeas de tudo. Só que uma hora ou outra, meu amigo,  o cavalo corre demais e a carroça tomba.

         Eu já perdi tanta coisa, e deixei passar tanta gente boa na minha vida simplesmente por me acomodar e achar que isso era certo. Pra falar a verdade, escrever é uma forma de aliviar esse sentimento de culpa que segue comigo. Mas apesar de concordar e compactuar com o que foi dito, ninguém vai deixar de errar por isso. De algum modo, faz parte da vida perder algo e sentir essa dor da perda, pra só assim abrir os olhos e ser capaz de crescer como pessoa. Só sei que eu cansei de cair nessa dança das cadeiras, mas não posso reclamar também. Já puxei a cadeira de muita gente nesse jogo de perde e ganha. Mas afinal de contas, quem é que ganha alguma coisa com isso? Estou tentando descobrir até hoje.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Nostalgia

        Hoje eu fui à minha casa antiga pegar tudo o que ainda estava por lá. Nunca imaginei que abrir um armário e vasculhar coisas antigas pudesse ser tão difícil. À cada caixa aqui, roupa ali eu ia lembrando de momentos passados. Momentos bons, ruins, porém todos marcantes. Acabei pegando tudo, absolutamente tudo, e jogando no chão para ver o que eu levaria e o que eu deixaria para trás de vez. 

        Pareceu meio que uma cena de filme, uma casa totalmente vazia, aquele silêncio, e eu sentado com um punhado de caixas, bilhetes, e outras mil coisas pequenas espalhadas pelo chão. Comecei a perceber como somos uma metamorfose ambulante E errante. Achei velhas cartas, fotos, presentes. Ao mesmo tempo que aquilo tudo pesava e trazia saudade, de certa forma doía. Não sei, talvez pela vontade de querer reviver, de querer fazer diferente, de testar mais e ir aos limites. Enfim, uma nostalgia melancólica ou uma melancolia nostálgica. Whatever.

        O que mais dói é ver a foto de alguém que já se foi, e que sempre foi tão importante pra você. Mas, ficou pra trás. Está tudo numa grande caixa velha, lá na casa antiga. E de lá, acho que nunca mais verei tudo aquilo. Acho que já estava na hora de deixar pra trás algumas coisas, e esquecer de vez outras. Não que isso vá evitar a tristeza, a saudade. Longe disso. Agora vou curtir um pouco essa minha nostalgia (quase-triste) ouvindo uma boa música. Led Zeppelin, here I go.