sexta-feira, 25 de abril de 2014

Utopia do verbo ser

Há pessoas que têm e que são
Pessoas que são e que têm
Pessoas que não têm, mas tentam ser
E pessoas que não são e não têm.

Há quem não queira ter
E quem não queira ser
Invariavelmente um vazio verbal que se constrói
Preenchido por um conjunto de espelhos distorcidos e que nada refletem

Difícil é querer ser e depois ter.
A utopia do verbo que queria mais valores e menos pudores
Mais amores e menos dores
Ah, sonhador... eterno sonhador.

Na leveza do verbo ser, ele vai sendo
Vai vendo e vai tendo o que contar..
Não sabe o que será nem quando terá, mas deixa para o tempo cuidar

Afinal, de que vale um sonho sem uma história pra contar?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

No place like home

Ele não conseguia mais enxergar o horizonte
tudo o que via era neblina e pensamentos soltos
não sabia no que acreditar, nem como faria para sair dali
Era ali que queria estar ou deveria buscar o lugar de outrora?
as emoções se confundiam e entrelaçavam-se
e por mais cartesiano que fosse, a matemática de nada lhe adiantava
Tentara racionalizar, pesar, questionar. Nada.

No fundo precisava daquele tempo de sol, dos amigos e da antiga rotina
sabia que o cheiro da grama de casa lhe ajudaria
e que as cores daquela velha cidade fariam lhe bem
Era angustiante, mas sabia que tudo isso estava com os dias contados
era quase hora de voltar pra casa novamente

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A matilha de um lobo solitário

Ele era aquele garoto de sempre
Os mesmos hábitos, amigos e trejeitos que o caracterizavam
Não sabia pra onde ia, mas sabia onde queria chegar
Teimosia que ultrapassava a perseverança e que beira a insanidade, diriam alguns
Mas ele definitivamente não se importava. 
Sentia-se totalmente blindado ao mundo ao seu redor..  tinha o seu próprio universo.
E nele viviam tantos outros como ele

Caminhava obstinado e solto desde muito tempo
Não lembrava como era ter pra onde voltar e, na verdade, não sabia como fazer
Por muito tempo sentiu que o MUNDO era sua casa, e assim fez planos
E nas veias de seus planos corriam a sede da descoberta, do desconhecido
O entusiasmo de quem tem um mundo a ganhar todo dia, o dia todo
Era um viajante nato, gigante pela própria natureza
E nem o impávido Colosso seria capaz de aprisiona-lo

Habituara-se com a grandeza das montanhas,
Sentia-se em paz naquelas colinas cinzentas
E agora já lhe agradava muito mais aquela selva predial
Observava atencioso a paisagem colorida em um dia de sol
Definitivamente, gostava da alegria daquele lugar.
Sabia que seria passageiro, que o viajante reapareceria
Decidiu não lutar contra o anseio naquela hora. 

Sabia que a sua casa não era ali
Mas tinha certeza da plenitude dos seus sonhos
E sabia que como filho do mundo não fugiria à luta
Relaxou, sorriu e descansou por um instante
Saberia a hora de ganhar o mundo novamente.. era o seu destino

sábado, 17 de agosto de 2013

just empty

Empty.
some steps are being taken without any reason
and all I see is black. 

It's gonna change, I guess. Actually, I hope so.
but now.. not much to say. 
Void ( )
and that's all, folks.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mudo

Os dias tem sido de total blackout linguístico. É como se o esforço fosse em vão mediante tantos pensamentos soltos e aleatórios. Falta atenção, concentração, inspiração e um pouco de paciência. A mente anda melindrosa, vagando como um vagabundo solitário na boêmia carioca. Só que não há bebidas, nem o som dos batuques humildes adoçados com o balançar de uma morena. É só um longo filme mudo e em preto e branco que contrariaria bastante a irreverência de um Chaplin. E o problema de perder as palavras é que somente elas podem te achar. Acho que me escondi bem desta vez. Já soltei sinalizadores textuais e gritei hiperbolicamente em uníssono tom de ajuda, mas não adianta... 
E para lutar contra a agonia de uma mão que não segura o lápis com a mesma firmeza, só me resta apreciar as boas divagações dos talentosos e esperar que elas voltem.