segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mudo

Os dias tem sido de total blackout linguístico. É como se o esforço fosse em vão mediante tantos pensamentos soltos e aleatórios. Falta atenção, concentração, inspiração e um pouco de paciência. A mente anda melindrosa, vagando como um vagabundo solitário na boêmia carioca. Só que não há bebidas, nem o som dos batuques humildes adoçados com o balançar de uma morena. É só um longo filme mudo e em preto e branco que contrariaria bastante a irreverência de um Chaplin. E o problema de perder as palavras é que somente elas podem te achar. Acho que me escondi bem desta vez. Já soltei sinalizadores textuais e gritei hiperbolicamente em uníssono tom de ajuda, mas não adianta... 
E para lutar contra a agonia de uma mão que não segura o lápis com a mesma firmeza, só me resta apreciar as boas divagações dos talentosos e esperar que elas voltem.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Epifania de um Guerreiro

No espelho algo distorcido e sem forma
O descontentamento era notório diante do que se via
Mas o que estava ali? Não era possível distinguir.
A mente engana e ludibria os fanáticos pelo que não tem
Distorce a realidade e afronta os desejos de mudança
E num piscar de olhos, tudo mudara
O positivismo torna-se delírio, descontentamento e decepção

Mais um dia nascia e o sol subia alaranjado
A transição da noite parecia atraente para mudança
A energia estava parcialmente recuperada e o vigor emanava
Não era fácil levantar daquela forma,
Mas tudo era por uma causa que transcendia os limites do meio físico
Pois agora a mente estava calma

A passividade do abstrato havia sumido da mesma forma que aparecera
E por um momento podia-se enxergar as luzes da mudança
Mudança esta que parecia longe, mas não inatingível como antes
E tudo que era preciso para caminhar e evoluir estava ali

Aceitara prontamente o desafio, como sempre o fazia
E sabendo que talvez titubeasse ao fim do dia
Empenhou-se com a energia de um menino e o foco de um guerreiro sedento por vitória
E mesmo sabendo que perdia as lutas contra si mesmo dia após dia
Sabia que nascera para vencer.

domingo, 30 de junho de 2013

O Leão


O ímpeto era forte, decidido e questionador
Suspiros pragmáticos tornaram-se banais nessa vida tão lógica
Que de lógica não tem nada.
As verdades eram cravadas com firmeza na pedra e ali permaneciam..
As discussões eram árduas, calorosas , explosivas
Como quem defende os ideais com a própria vida
Com uma convicção tão plena e cheia de si que,
Daquele garoto poucas indecisões eram esperadas

Os dias passavam assim, difíceis de lidar e de levar
Uma distância irrisória de tudo que crescia com os segundos
E ia engolindo cada parte do garoto
Eram leões numa selva de pedra, uma selva mental.
Brigando entre si, mas juntos contra todos
E no fim era tipo isso, uma guerra sem regras
Fazendo com que a vida do garoto fosse aquilo
Um leão por dia, e um dia de cada vez

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Destro ou Canhoto?

Na última semana eu tive a oportunidade de ir às ruas e presenciar algo que há algumas gerações estava entalado na garganta de muitos. O que o Brasil presenciou foi o povo, gritando enfaticamente por mudanças, e mostrando que está sim indignado com tanta coisa errada que fica difícil até saber por onde começar. O que vimos foi um movimento espontâneo e liderado pela nossa geração, mas apoiado por tantas pessoas mais velhas que provavelmente quiseram gritar assim também, mas foram repreendidas. Mas, ao mesmo tempo que a indignação da massa é  visível, devemos tomar um cuidado no tratamento que será dado daqui pra frente. Há algumas coisas que precisam sim ser bem definidas: propostas sólidas levadas por representantes, e que demonstrem o desejo da maioria. Para o começo, foi sim muito positivo lotar as ruas e mostrar que queremos mudanças na Saúde, Educação, Transporte e mais Transparência Política. Tudo isso quando analisado friamente, acaba tendo como raiz (ou maior causadora dos problemas) a corrupção – um mal que assola o país há muito tempo. É o que queremos mudar, mas é preciso saber como. Um tanto disso mudaria se aqueles que estão no poder tivessem valores como caráter e honestidade, mas isso meus amigos, protesto algum do mundo vai criar nas pessoas. O que podemos sim é mudar as cabeças pensantes lá de cima, escolhendo melhor quem vai nos liderar, sem colocar Renan’s e Sarney’s no poder, porque ai vira a tragédia da morte anunciada. Aliás, uma primeira mudança que acho deveras cabível é a mudança de voto para facultativo. O voto obrigatório valoriza quem manipula a massa. A opção de votar caberia àqueles que quisessem sair de casa para mudar o país, afinal isso é algo tão sério, mas tão sério, que você não pode fazer por obrigação. Se um dia pensar em ir para um protesto por obrigação, não vá. Fique em casa que você contribuirá muito mais.

Um outro ponto que deve ser repensado é a opressão aos partidos. Não acho justo sermos tão árduos com gente que por muito tempo lutou por você, mesmo que você não saiba. Isso é ignorar anos de história de "Gigantes que já estavam acordados", e por mais que o movimento seja “do povo”, reprimir partidos não é inteligente, até porque existe uma DIFERENÇA ABSURDA em ser apartidário e anti-partidário. Além disso, lembrem-se que o povo por si só não se governa, por mais legal que seja essa ideia. O povo todo gritando pelo que quer, sem líderes e objetivos, é uma linha tênue entre democracia e anarquismo. Mas agora, que demos esse primeiro choque inicial de realidade no governo, está na hora de deixar a poeira baixar só um pouquinho. Não, não vamos nos calar, mas é hora de sentar, pensar, discutir e colocar num papel o que se quer. Não adianta ir pras ruas e gritar que o Feliciano é maluco e logo em seguida pedir para a Dilma não aprovar a PEC37. Isso só mostra que falta consciência política em muitos, que por sinal, deveriam estudar um pouco mais antes de ir pra rua. A movimentação na rua é boa, mas conhecimento nunca fez mal a ninguém. O que precisamos agora é da força consciente do povo. Ontem, no 4º protesto que pude participar aqui no Rio, percebi que existem pessoas levando isso como micareta, bebendo cerveja e tentando pegar mulher. Sério, você que faz isso, pode ficar em casa comendo pão com mortadela que eu vou te agradecer, mas não vá para a rua com esse intuito.

O que eu espero ver daqui pra frente, é que o "Gigante mantenha-se acordado" porque eu acredito sim que dessa vez veremos mudanças. O que nós queremos nada mais é do que o mínimo. Ninguém está gritando por luxo ou benefícios que não nos caibam. E que todos criem um pouco mais de consciência política antes de gritar por alguma coisa. Grite apenas por algo em que você realmente acredite, e lembre-se que a história se repete. E antes de pegar a caneta e começar a escrever esse novo capítulo da nossa história, pare um pouco e pense: Você é destro ou canhoto?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Mais vinagre, por favor

Os últimos dias estarão escritos nos livros de História e serão estudados pelos nossos filhos. Estamos no meio de um tornado que está revirando todas as ideias do governo e colocando em pauta assuntos sobre os quais ele não quer conversar. Ou melhor, não queria. Agora eles perceberam que nós não estamos aqui dando direito de escolha e sim intimando-o a nos dar explicações porque queremos mudanças. A Revolta do Vinagre, como vem sendo chamado o movimento, obstina muito mais do que lutar contra os 20 centavos de aumento da passagem. Trata-se da indignação de um povo que permaneceu calado por um bom tempo. Que engoliu desvio de bilhões e uma patifaria sem escrúpulos que assombra o Congresso Nacional desde que eu me lembro por gente. Por muitos anos nós fomos os palhaços deste circo, fazendo rir aqueles que não tem um pingo de valores e que provavelmente acham que caráter é algo que se acha na feira. Não é, e não se pode comprar valores que vem de berço, e agora estamos aqui para mostrar que o espetáculo mudou. Agora o show é na rua, através do grito PACÍFICO de milhões. Acho que nunca na história se viu tanta gente de diferentes gerações na rua. É sinal de que a noção de injustiça é geral, atemporal e aflige inclusive aqueles que já viveram tempos tenebrosos lá atrás, mas que continuam até hoje sonhando com um Brasil mais justo.
Meus caros, isto não se trata de “apenas” 20 centavos. O que presenciamos hoje é um exercício pleno da democracia – conquistada com muita luta, diga-se de passagem. Acho que pela primeira vez o país está realmente enxergando uma luz no fim do túnel. Dessa vez as vozes estão ecoando longe, muito longe. Temos o apoio de outros países e milhares de outros brasileiros estão acreditando conosco, lá de longe. Agora nós somos um movimento sem partido, sem cor, sem raça, sem torcida, sem religião. Somos um movimento BRASILEIRO e que busca melhorias na Educação, Saúde, Transporte e Transparência do Governo para tantos outros assuntos. Estamos tão fortes nesta luta que fizemos a Dilma recuar e bater palma pro MONSTRO que está contra ela. Fizemos o Jabour pedir desculpas por, num ato que eu espero ter sido de pressão, ter defecado oralmente. Fizemos Haddad e Alckmin mudarem abruptamente seus discursos relapsos e esnobes diante de algo tão sério. Temos o apoio de uma massa intelectual crítica e sagaz, que nos apoia através das redes sociais. Hoje a nação acorda unida por UM objetivo comum e luta como um só. E por mais que tenhamos tantas nações misturadas por aqui, é o que somos, um só país – colorido, alegre e esperançoso. Daqui a 20 anos seremos lembrados nos livros de História como uma geração que fez diferente. Não, não estou desmerecendo a luta de ninguém que já batalhava por mudanças, porque isso seria afirmar que somente agora o “Gigante Acordou”, e não é. Um pedacinho nosso sempre esteve acordado e incomodando os incorretos, por lutas que nós não percebíamos porque talvez estivéssemos apáticos demais. Mas elas sempre existiram. O que nos importa agora é foco, é saber lidar com o poder que temos na mão. Discutir quem “acordou” antes ou depois é apenas uma disputa ridícula de ego diante de algo tão maior – e que isso seja sempre lembrado por nós para que não interfira nas nossas lutas.            
Hoje, meus caros, é dia do NOSSO espetáculo. Hoje somos nós quem vamos rir e mostrar como deve ser feito. Sem violência, sem baderna, sem vandalismo. Com cartazes criativos e alegria que nos é característica. Isso sim “faz parte do nosso show”. E quando a lua cair amanhã, mostraremos ao mundo que aqui vive um povo que irá mudar a história. A Revolta do Vinagre será para sempre conhecida como o dia em que colocamos tudo de errado numa panela e temperamos com indignação e justiça. Mas é tanta coisa errada, que muito vinagre ainda é pouco.

                - “Garçom, um pouco mais de vinagre, por favor. Isto aqui ainda tem muito o que azedar”.