domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma insônia produtiva

Outro dia eu deitei a cabeça no travesseiro e me peguei pensando sobre o porquê das coisas darem errado. Ou melhor, parei pra pensar porque geralmente isso acontece repentinamente, parecendo que num piscar de olhos veio uma tempestade de coisas ruins que nem você sabe ao certo explicar. É como fosse necessário, o tempo todo, a condução das coisas dentro de umas linhas pra que tudo fique bem. Se você vacilar e se descuidar, nem que por alguns instantes, a entropia cresce e se alastra e quando você menos espera ... há algo de errado ali. Isso parece meio radical, meio pessimista, mas nada ai é totalmente falso. Nem totalmente verdadeiro. Foi só um ponto de vista que me ocorreu no meio de uma noite regada à insônia.

Não consigo definir as causas reais disso, nem é fácil colocar numa lista todos os motivos, mas valores humanos ligados aos relacionamentos são, ou melhor, podem ser causas prováveis. Orgulho, soberba, inveja, teimosia. Tudo isso e um pouco mais, quando combinados, ou até mesmo soltos, podem desencadear numa seqüência de ações que não são racionais se vistas de fora, ou se vistas numa outra marca temporal.. mas pra quem as realiza, ali, naquele momento, elas parecem fazer todo sentido. Pena que em momentos como esse, parece que alguém joga uma cortina e fica sempre mais difícil enxergar as coisas de forma racional, e é necessário uma compreensão – à sangue frio – pra se contornar isso e baixar a guarda. Não é simples, não é fácil e às vezes até machuca. O orgulho principalmente. Mas é necessário para que não se comece uma cadeia de eventos que vão caminhando pra um lado que torna ainda mais difícil a solução do problema inicial. Mas, isso tudo é só uma aspiração de um pensamento preguiçoso feito numa madrugada qualquer. Algo há de ser aproveitado ai, mas não sei ao certo o que.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dos 1000 y doze

Às vezes na vida a gente perde o foco do que fazer, como fazer e porque fazer. E ai você entra numa estrada perigosa, que é aleatória, sombria e que geralmente não te leva pra lugar algum. Alguns entram e saem dessa estrada com facilidade, outros ficam nela por muito tempo. Eu diria que, por mais danosa que ela possa ser, ela se faz necessária pra qualquer pessoa. Faz bem de vez em quando ficar perdido pra se achar. Não é que eu andasse completamente perdido, mas até algum tempo atrás sempre havia um ou dois caminhos que divergiam das minhas idéias e dos meus ideais. Agora não. Tudo parece convergir e está harmônico, ressonante. Queria poder expressar de forma mais pessoal essa minha alegria toda, mas ai eu perderia todo o poder de criar um texto que seja de utilidade comum, que fale sobre qualquer ponto que pode caber à qualquer pessoa.

Não é fácil pensar que você poderia estar numa situação melhor há mais tempo, simplesmente porque o seu caminho sempre esteve ali ao seu lado, pertinho. Mas talvez, se essa página fosse escrita lá atrás, ela tivesse tomado outro rumo, e acabaria tendo outro final. É melhor não pensar. Não ficar imaginando que pensar alteraria o passado, e que pensar sobre pensar altere o futuro. Melhor não mexer com esse pensamento físico que ao meu ver encontra-se numa linha tênue do princípio da incerteza.

Decidi que à partir de agora eu vou deixar enterrado num capítulo anterior todos aqueles rabiscos frustrados. Eles me fizeram escrever isso aqui hoje, mas não posso permitir que influenciem meus textos futuros. Eu sei que preciso escrever uma nova história hoje, amanhã, depois... e pra isso preciso de uma cabeça limpa, clara, e que permita que eu me jogue em cada parágrafo. Agora eu deito tranqüilo, sabendo que amanhã será mais um dia feliz com certeza. Já estava cansado de tanta incerteza sentimental e de tanta babaquice comportamental. Posso considerar este o meu primeiro texto feliz de 2012. Quer dizer, o meu primeiro texto do ano. Feliz ‘dos 1000 y doze’.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Madrugada Cinzenta

Ontem eu acordei sentindo mais frio que o normal. Não bastasse esse inverno solitário e sem cor, ainda tem aquela outra pontadinha que cutuca o dia inteiro. Realizar qualquer tarefa, por mais simples que seja, é um desafio. Ando desconcentrado, com a cabeça longe, bem longe. Tudo se resume à umas poucas palavras querem ser pronunciadas, mas acabam ficando presas, e à uma seqüência de memórias que, quando juntas, formam um filme em forma de flashback saudosista. Queria estar em outro lugar, distante daqui, aonde eu não conheceria ninguém e talvez ficasse quase incomunicável, mas estaria bem desta forma. Esses tempos de dezembro são bons, são alegres e descontraídos, mas poderiam ser ainda melhores se algumas outras peças estivessem aqui no tabuleiro. De vez em quando a gente não nota a importância do que nos cerca até que o cotidiano vira distância. Foi preciso tudo isso para que eu pudesse enxergar esse cenário em preto e branco de outro ângulo.

Nunca fui de ter problemas com sono, mas de umas semanas pra cá, dormir virou quase um desafio. É quando você deita que fica mais difícil desacelerar os pensamentos. Parece que a madrugada, quanto mais fria e quieta, mais pensativa ela se torna. Sonhar, lembrar, sentir falta, lembrar de novo. Tudo isso que andava enterrado anda voltando aos pouquinhos, tentando se readaptar à cabeça, e a cabeça à isso. É um treinamento bilateral que envolve paciência e requer tempo, mas há de acontecer. Agora o que eu preciso é só de umas noites tranqüilas, com a mente mais sossegada. Continuo fazendo aquela contagem, com um ar ainda mais ansioso, eu diria. E o frio continua apertando, maltratando pela madrugada. Só há uma solução agora:

- Um café, por favor. Extra forte e caprichado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Objetividade

Eu não estaria aonde estou se não tivesse feito tudo aquilo ali atrás. Não, não tem contexto, não tem rima, muito menos sentido. Quer dizer, não pra qualquer um. Sei que aos que se sentirem agraciados pelo texto, a inteligibilidade será suficiente. Mas serão poucos, fato. Acho que é uma mistura de mil obrigações e horários apertados que anda causando essa confusão toda. Dia vira noite, sono vem em horário nobre. É, ‘tá’ complicado. ‘Tô’ tentando entrar num relacionamento sério com uma tal de Férias, mas ela anda difícil demais. Quero dormir, pegar uma praia, correr e ver seriados. Quero acordar sem fazer nada e descansar antes mesmo de ficar cansado. Quero tudo isso com a vagarosidade de um sábado à tarde, numa rede, em frente à qualquer praia aonde haja sol. Não sei se isso vai chegar, quando vai chegar e como vai chegar.

A verdade é que eu já saturei de certas coisas e vai ficando mais difícil de deixar passar outras. A tolerância vai diminuindo, a paciência também. Só o que resta é alguém que vai se conflitando sem motivo. Agora o mês vai se projetando pra uma desaceleração, e o calendário parece mais extenso. Vou fazendo uns rabiscos aqui, outros ali. Uma conta como quem não quer nada. Preciso abrir a mente e me concentrar no que tá aqui, colado, presente. Rumo, foco, regras, objetivos. É isso que falta, ou pelo menos é o que eu pretendo buscar agora. É provável que eu me perca ainda mais, mas uma hora melhora. Tem que melhorar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fantoches Rabiscados

Tem gente que quer sempre estar por trás do espelho

E não sabe brincar de procurar os sete erros,

Tem gente que acha coisa aonde não tem

E acaba indo e vindo, sendo tanta coisa sem ser nada.

Tem gente que domina o apontar de dedos

Criticam, gritam e esbravejam com tamanha postura

Mas caem no abismo e acabam esquecendo de si mesmas

E tornam-se só mais umas aleijadas espirituais


Há tanta gente de alma branca e de tamanha boa vontade

Gente que emite boas vibrações

Tornando tão mais agradável seguir em frente nessa selva de pedra

Há pessoas que passam sem ser notadas,

Daquelas que não pendem para mal ou bem

Apenas coadjuvantes nessa peça mal-interpretada

Meros bonecos teatrais conduzidos ao nada


Há pessoas que vivem sem saber

E aquelas que nem sabem o que é viver.

Pessoas medíocres, alegres, tristonhas e conformadas.

Enfim, pessoas.

Não é tudo isso ou tudo aquilo que forma o todo

É um pouco de tudo que gera essa massa, essa nuvem de emoções

O conglomerado de fantoches coloridos chamado mundo.