segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dos 1000 y doze

Às vezes na vida a gente perde o foco do que fazer, como fazer e porque fazer. E ai você entra numa estrada perigosa, que é aleatória, sombria e que geralmente não te leva pra lugar algum. Alguns entram e saem dessa estrada com facilidade, outros ficam nela por muito tempo. Eu diria que, por mais danosa que ela possa ser, ela se faz necessária pra qualquer pessoa. Faz bem de vez em quando ficar perdido pra se achar. Não é que eu andasse completamente perdido, mas até algum tempo atrás sempre havia um ou dois caminhos que divergiam das minhas idéias e dos meus ideais. Agora não. Tudo parece convergir e está harmônico, ressonante. Queria poder expressar de forma mais pessoal essa minha alegria toda, mas ai eu perderia todo o poder de criar um texto que seja de utilidade comum, que fale sobre qualquer ponto que pode caber à qualquer pessoa.

Não é fácil pensar que você poderia estar numa situação melhor há mais tempo, simplesmente porque o seu caminho sempre esteve ali ao seu lado, pertinho. Mas talvez, se essa página fosse escrita lá atrás, ela tivesse tomado outro rumo, e acabaria tendo outro final. É melhor não pensar. Não ficar imaginando que pensar alteraria o passado, e que pensar sobre pensar altere o futuro. Melhor não mexer com esse pensamento físico que ao meu ver encontra-se numa linha tênue do princípio da incerteza.

Decidi que à partir de agora eu vou deixar enterrado num capítulo anterior todos aqueles rabiscos frustrados. Eles me fizeram escrever isso aqui hoje, mas não posso permitir que influenciem meus textos futuros. Eu sei que preciso escrever uma nova história hoje, amanhã, depois... e pra isso preciso de uma cabeça limpa, clara, e que permita que eu me jogue em cada parágrafo. Agora eu deito tranqüilo, sabendo que amanhã será mais um dia feliz com certeza. Já estava cansado de tanta incerteza sentimental e de tanta babaquice comportamental. Posso considerar este o meu primeiro texto feliz de 2012. Quer dizer, o meu primeiro texto do ano. Feliz ‘dos 1000 y doze’.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Madrugada Cinzenta

Ontem eu acordei sentindo mais frio que o normal. Não bastasse esse inverno solitário e sem cor, ainda tem aquela outra pontadinha que cutuca o dia inteiro. Realizar qualquer tarefa, por mais simples que seja, é um desafio. Ando desconcentrado, com a cabeça longe, bem longe. Tudo se resume à umas poucas palavras querem ser pronunciadas, mas acabam ficando presas, e à uma seqüência de memórias que, quando juntas, formam um filme em forma de flashback saudosista. Queria estar em outro lugar, distante daqui, aonde eu não conheceria ninguém e talvez ficasse quase incomunicável, mas estaria bem desta forma. Esses tempos de dezembro são bons, são alegres e descontraídos, mas poderiam ser ainda melhores se algumas outras peças estivessem aqui no tabuleiro. De vez em quando a gente não nota a importância do que nos cerca até que o cotidiano vira distância. Foi preciso tudo isso para que eu pudesse enxergar esse cenário em preto e branco de outro ângulo.

Nunca fui de ter problemas com sono, mas de umas semanas pra cá, dormir virou quase um desafio. É quando você deita que fica mais difícil desacelerar os pensamentos. Parece que a madrugada, quanto mais fria e quieta, mais pensativa ela se torna. Sonhar, lembrar, sentir falta, lembrar de novo. Tudo isso que andava enterrado anda voltando aos pouquinhos, tentando se readaptar à cabeça, e a cabeça à isso. É um treinamento bilateral que envolve paciência e requer tempo, mas há de acontecer. Agora o que eu preciso é só de umas noites tranqüilas, com a mente mais sossegada. Continuo fazendo aquela contagem, com um ar ainda mais ansioso, eu diria. E o frio continua apertando, maltratando pela madrugada. Só há uma solução agora:

- Um café, por favor. Extra forte e caprichado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Objetividade

Eu não estaria aonde estou se não tivesse feito tudo aquilo ali atrás. Não, não tem contexto, não tem rima, muito menos sentido. Quer dizer, não pra qualquer um. Sei que aos que se sentirem agraciados pelo texto, a inteligibilidade será suficiente. Mas serão poucos, fato. Acho que é uma mistura de mil obrigações e horários apertados que anda causando essa confusão toda. Dia vira noite, sono vem em horário nobre. É, ‘tá’ complicado. ‘Tô’ tentando entrar num relacionamento sério com uma tal de Férias, mas ela anda difícil demais. Quero dormir, pegar uma praia, correr e ver seriados. Quero acordar sem fazer nada e descansar antes mesmo de ficar cansado. Quero tudo isso com a vagarosidade de um sábado à tarde, numa rede, em frente à qualquer praia aonde haja sol. Não sei se isso vai chegar, quando vai chegar e como vai chegar.

A verdade é que eu já saturei de certas coisas e vai ficando mais difícil de deixar passar outras. A tolerância vai diminuindo, a paciência também. Só o que resta é alguém que vai se conflitando sem motivo. Agora o mês vai se projetando pra uma desaceleração, e o calendário parece mais extenso. Vou fazendo uns rabiscos aqui, outros ali. Uma conta como quem não quer nada. Preciso abrir a mente e me concentrar no que tá aqui, colado, presente. Rumo, foco, regras, objetivos. É isso que falta, ou pelo menos é o que eu pretendo buscar agora. É provável que eu me perca ainda mais, mas uma hora melhora. Tem que melhorar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fantoches Rabiscados

Tem gente que quer sempre estar por trás do espelho

E não sabe brincar de procurar os sete erros,

Tem gente que acha coisa aonde não tem

E acaba indo e vindo, sendo tanta coisa sem ser nada.

Tem gente que domina o apontar de dedos

Criticam, gritam e esbravejam com tamanha postura

Mas caem no abismo e acabam esquecendo de si mesmas

E tornam-se só mais umas aleijadas espirituais


Há tanta gente de alma branca e de tamanha boa vontade

Gente que emite boas vibrações

Tornando tão mais agradável seguir em frente nessa selva de pedra

Há pessoas que passam sem ser notadas,

Daquelas que não pendem para mal ou bem

Apenas coadjuvantes nessa peça mal-interpretada

Meros bonecos teatrais conduzidos ao nada


Há pessoas que vivem sem saber

E aquelas que nem sabem o que é viver.

Pessoas medíocres, alegres, tristonhas e conformadas.

Enfim, pessoas.

Não é tudo isso ou tudo aquilo que forma o todo

É um pouco de tudo que gera essa massa, essa nuvem de emoções

O conglomerado de fantoches coloridos chamado mundo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Noite multifacetada

Ela acordara sem saber como seria. Pisou com o pé esquerdo, mas recuou. Decidiu ficar mais alguns minutos no escuro do seu quarto e aproveitar aquela marola sonolenta. Desceu então, pisando dessa vez com o pé direito. Sentiu confiança e um ar de alegria, como uma premissa de que tudo daria certo. Saiu feliz e conversou com cada um dos seus amigos, gesticulando e falando graciosamente, tentando transparecer toda a paz interior daquele dia tão azul. Parecia conseguir deixar um rastro leve no ar. Imaginou como seria voltar ao passado e alterar tudo o que havia feito. Pensou um pouco melhor e percebeu que se fizesse isso, estaria afetando quem ela era, e aquele momento em si. Decidiu não tocar nas feridas. Bebeu, comeu e se divertiu como se fosse sua última noite de liberdade. Não cogitou o amanhã e não atendeu a porta para o pretérito. Simplesmente viveu. Ela sabia que aquilo tudo não duraria pra sempre, mas preferiu deixar o lado racional e egoísta de lado. Pelo menos naquela noite, naquele dia. Abriu as portas da sua cabeça para quem quisesse entrar, e deixou bem claro naquela roda de amigos, que nem tudo ia bem. Aquilo que todos viam era só uma imagem, um papel sendo interpretado por alguém que tentava não demonstrar o que parecia alfinetar por dentro. Um capricho talvez, ou uma forma de defesa. Aquele teatro todo era a sua fortaleza, seus muros pessoais.

Não desejava mais sentir aquela angústia. Queria poder gritar à vontade e marejar os olhos se fosse preciso. E se impreciso fosse o desejo disso tudo, que assim fosse. Desceu do palco e desligou os holofotes que há tanto lhe agraciavam. Tirou toda a maquiagem e mostrou ao mundo o que havia por baixo daquela fantasia carnavalesca. Conseguiu surpreender-se diante do que viu em frente ao espelho – uma mulher forte, criada e vivida por todas aquelas cicatrizes. Necessárias. Cada parte do seu corpo fazia sentido no conjunto, e agora ela podia enxergar isso. Deitou a cabeça no travesseiro e esperou o sono visitá-la. Não conseguia prever seus sonhos mas tinha a ligeira impressão de que seriam bons. Foi entrando num estado meio nirvana, meio saudosista. Colocara ali, naquela hora, um ponto final nessa peça que já durava há tanto. Seria agora uma menina diferente. Uma mulher de olhar forte e sincero, sem máscaras, sem maquiagem, sem meias palavras.