quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bolinar é uma arte!

      Já faz algum tempo que toda semana surge um novo caso de bullying. Primeiro foi aquele gordinho que deu um golpe estilo “Street Fighter” e ficou conhecido carinhosamente como Zangief. Depois começaram a surgir vídeos e mais vídeos de brigas em escolas, meninos sendo ridicularizados na escola e criança ficando traumatizada. Agora eu começo a me perguntar, quando foi que isso deixou de ser um problema real e passou a virar um monstro criado pelo sensacionalismo. Porque que eu me lembre, desde sempre existe um cara na turma chamado de “gordo” ou “gordinho”. Você já deve ter conhecido alguém com apelido de “Nego”, porque eu mesmo conheço uns 10. E por ai vão os apelidos que sempre são vergonhosos e deveras ofensivos. Não, eu não estou apoiando a violência contra ninguém. É só que, eu já fui o gordinho da turma, já tive cabelo de índio, já fui pequeno, já levei chute na canela, peteleco, cascudo, tapão e todos os tipos de “agressão” que você passa quando é mais novo no colégio.

      Não, eu não cresci sequelado por isso (Ou cresci? ;O). Eu acho que, até certo ponto, faz parte e faz bem pra criança essa cultura que envolve apelidos, amigos, brincadeiras. Com um certo limite, certo, mas todo mundo aqui já brigou na rua, já bateu e apanhou de alguém, já fez aquela velha balbúrdia pra começar um briga com o clássico: “Ele xingou a sua mãe. Vai deixar é? Se fosse eu não deixaria não..” Todo mundo já fez isso, e o mundo é mundo assim. Seus pais e os meus pais provavelmente perderam lanches pra crianças mais velhas e só tinham vez pra jogar bola depois que os mais velhos queriam. Ninguém morreu por conta disso.

          Agora o que me espanta é essa coisa de crianças intocáveis, de direitos demais. As pessoas esquecem que crianças são naturalmente sem noção e más, afinal, elas fazem aqueles comentários extremamente indelicados simplesmente por não saberem aonde parar. Adolescentes são usualmente desligados e em uma fase transitória em que o certo é o que der na cabeça dele. Tem muito mais gente preocupada com o menino que brigou com outro e chamou o amigo de gordinho, do que com os vários roubos do governo, com os furos no caixa, com mais um imposto que querem criar pra justificar um investimento que vai pro bolso de alguém. Ninguém anda enfatizando o que deve. Agora furacão matando mil pessoas é cotidiano e não passa de uma notícia pra preencher linhas, manchete mesmo é “Menina puxa cabelo de amiga por ser chamada de feia.” 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Traição é Traição, Romance é Romance

            Amor é Amor e o Lance é o Lance. Começando o texto com essa bela música que nada mais é que um retrato fiel do anda rolando por aí. Eu tiraria a segunda e a terceira frase, e deixaria apenas a traição e o lance. Agora sim! A verdade é que as coisas mudaram de tal forma que tudo anda banal e normal demais. Todo mundo aceita tudo, faz tudo, quer tudo. Na minha humilde opinião, juntou-se a praticidade da sociedade com o fato de tudo ter que ser muito rápido e eficiente. É aquela história do quero AGORA! Caos. Foi nisso que deu. Hoje em dia a onda é namorar por “status” e continuar solteiro em paralelo. A moda é passar dois anos com alguém e fingir que são só dois dias. Chutaram o pau da barraca do Respeito.

            Não sou um cara que faz apologia à romances eternos e contos de princesas. Até porque eu sei que no final das contas é tudo uma questão de imaginação. Mas isso não me obriga a bater palmas pro novo comportamento. Na minha cabeça, eu acho muito mais correto um cara que é solteiro convicto, mesmo que por uma década, do que um cara que namora por aparência, na tentativa de manter a imagem de alguém que tem compromisso, quando na verdade é o oposto. Talvez isso seja falta de alguma virtude, ou uma conseqüência do ciclo vicioso em que a sociedade cobra satisfações da sua imagem, e você obedece mostrando algo que nem sempre tem. E assim vai, você finge que namora e eu finjo que não sei de nada. As mulheres sabem. Até hoje eu nunca conheci mulher que não fosse no mínimo umas 10x mais esperta que o cara. E quando eu digo isso, é porque nós homens somos extremamente práticos e desatentos, enquanto elas são minuciosas no que fazem. Sacam no ar muito antes de você cogitar algo.

         Por isso que eu digo que não existe mulher lesa, existe mulher que se faz. Agora eu sinceramente não entendo o porquê disso. Você vivem reclamando que falta HOMEM, que falta cara querendo compromisso. Quando arrumam qualquer coisa, apegam-se à isso como se fosse a última coca-cola do deserto, o muro que matou Ayrton Senna. Como já dizia a minha vó (e provavelmente a sua vó também) "Antes só do que mal acompanhado" .. Uma mistura de desespero com falta de amor próprio. Eu sou homem mas não sou hipócrita ao ponto de defender a nossa classe. Eu sei que mulher trai e que faz merda, mas pelo que eu VEJO, os homens fazem “trocentas” vezes mais. O homem sempre tem a ilusão de que o que é dos outros é melhor, por isso essa vontade constante de pular a cerca. Só que ai você pula, consegue o que quer e TXARAM! Tem algo melhor em outra cerca. Essa é a basicamente a diferença entre porque os homens erram tanto, mesmo gostando muito de alguém.

           É claro que aqui eu generalizei, mas não adianta falar de mulheres que vacilam com a gente. A proporção é baixíssima e no final das contas elas querem romance e amor. A gente quer traição e lance. É o novo lance, o lance do pente!

domingo, 31 de julho de 2011

O meu passado me condena

           Eu já joguei queimada e brinquei de polícia e ladrão. Já colecionei kinder ovo e milhares de álbuns de figurinhas. Já comi chocolate escondido e já deixei de lanchar na escola para comprar mais figurinhas. Eu já ralei o joelho, os cotovelos e já fiz muita cara feia para passar o bom e velho “mertiolate”. Eu já passei horas brincando com bonecos e já falei sozinho enquanto criava minhas brincadeiras de criança. Já soltei pipa com cerol e já joguei pião na rua. Eu já toquei a campainha do vizinho e corri. Eu já deixei de fazer as tarefas do colégio e copiei dos meus amigos mais nerds. Eu já colei em provas e já dei cola pra muita gente. Já gostei de quem não gostava de mim. Já mandei cartas e bilhetes de paquera, daqueles que você manda quando tem 12 anos e depois sente uma vergonha eterna de já ter sido tão infantil. Mas faz parte.

               Já passei tempos sem falar com amigos que sumiram e mesmo assim eles continuam os mesmos bons e confiáveis amigos. Eu já empurrei pessoas na piscina e já fui derrubado. Já menti para proteger quem eu gostava e já menti por achar que isso seria mais cômodo. Já fui sincero demais e acabei falando o que não devia. Eu já fui orgulhoso e não pedi desculpas, e já morri de vontade de ver alguém que mora longe. Já senti saudades do que estava do meu lado, e do que eu nunca tive. Já briguei com grandes amigos e hoje somos ainda mais unidos. Já quis viajar para longe e não voltar. Já estive longe e quis voltar. Já fiz tanta coisa que nem eu mesmo lembro de tudo agora. Eu sei que meu passado é um grande livro com umas páginas rabiscadas, outras coloridas e outras apenas escritas. E aqui vai mais uma pequena anotação nisso tudo.

domingo, 24 de julho de 2011

"Só as mães são felizes"

- Mainhaá, tô saindo!

- Eii, aonde você pensa que você vai?

- Vou sair com o pessoal.

- De novo? Você saiu quarta, quinta.. chegou de madrugada. Você não acha que tá bom não?

- Pô mãe, mas hoje é sexta-feira! Eu vou ficar em casa num sexta-feira? É isso que você quer?

- Por que você não sai mais cedo ou vai pegar um cinema, ou alguma coisa assim mais tranqüila??? Todo dia é bar, farra, festa. Você nunca foi assim. Depois que começou a andar com esse pessoal ficou desse jeito... e eu nem sei mais quem são seus amigos.

- Ah mãe, pelo amor de Deus. É o mesmo pessoal de sempre e tal, os caras do colégio e um pessoal que eu conheci esse ano. Mas é todo mundo tranqüilo. Não tem porque se preocupar.

- Sei. Mas essa coisa de ficar “zanzando” de madrugada por ai é perigoso. Você vê, meu filho, quanto acidente tem por ai. Esse pessoal que bebe e vai dirigir..

- Mas mãe, eu mal bebo. Você sabe muito bem disso.

- Eu sei meu filho, e eu confio em você. Eu não confio é nos outros.

- Aaaah mãe, parou. Eu não vou ficar em casa numa sexta-feira. Tô saindo, tá? Já to atrasado e o pessoal já tá lá no bar.

- Eu não vou dormir bem enquanto você não chegar. Por favor, me ligue e mande mensagem quando você chegar lá. OUVIU? E depois me ligue pra dizer se tá tudo bem.

- Tá, tá, tá. Eu ligo. Affff, nam..

- Não vai me dar um beijo não?

- Ah mãe, tá! Só quero sair, pfff.

- Vai com Deus, meu filho. E não esquece de me ligar viu?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A razão disso tudo

           Um dia ele se pegou pensando em como havia chegado ali. Em como num piscar de olhos tudo havia mudado: as pessoas, as cores, os ambientes, os hábitos, os gostos. Sua aparência. Ele parecia não acreditar no que via, mas não por ser algo desagradável, e sim pela surpresa que lhe havia causado. E a pergunta continuava rondando a sua cabeça. Por alguns minutos debruçou-se sobre seus braços apoiando lentamente o queixo sobre as mãos e refletiu profundamente sobre a causa daquilo tudo. Era como tentar pescar uma baleia com uma vara de pescar daquelas de festa junina. Tudo aquilo foi gerando uma angústia misturada com pavor e incerteza. Ele nada pode fazer.

           Minutos se passaram, horas se passaram, dias se passaram. E o garoto continuava a se perguntar qual era a razão daquilo tudo. Lembrou-se então de amores e decepções passadas e de coisas que lhe fizeram mudar de atitude e tomar a decisão de mudar por um tempo. Era nisto que tinha culminado esta sua decisão. Os amigos haviam aumentado, mas os poucos e bons permaneciam ali. As cores eram apenas diferentes, afinal agora ele tinha mais tonalidades para pintar sua rotina. Os hábitos haviam mudado como uma resposta natural do que ele havia passado. E sua aparência era uma mera conseqüência do tempo. No fundo, agora o garoto estava mais calmo. Descruzou os braços e relaxou o maxilar. Esticou as pernas e por alguns segundos conseguiu se libertar do pensamento que tanto lhe torturava. Agora tudo parecia simples e lógico. Sem pestanejar colocou sua melhor roupa e seu melhor perfume, como quem se arruma pela última vez. Aquela noite prometia ser mais divertida que o normal. Antes de sair para encontrar com seus novos e velhos amigos, olhou-se no espelho como de rotina, apenas para ver se estava tudo em ordem, e surpreendeu-se ao ver quem estava ali. A pergunta foi inevitável: Como eu vim parar aqui?