quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Reconciliação

Andamos afastados. Os tempos de outrora haviam mudado e nesses últimos meses não nos falamos. Tanta coisa pra falar, para rabiscar... mas faltava força. Faltava motivação, tempo, disposição. Ou talvez sobrasse preguiça para justificar que aquilo não era tão importante... mas era. Tantos rabiscos que ficaram perdidos em rascunhos de final de tarde. Quantos versos não se perderam em guardanapos e cantos de folha?
Por longos meses ficamos em silêncio. E como isso me fez mal.. engasguei com as palavras quando deveria soltá-las e não deixei fluir meus pensamentos quando tudo o que eles queriam era correr livremente por entre os meus dedos. Talvez por medo de não saber como seria voltar, e pensar, pensar, pensar... e não colocar nada no papel. Esses tempos corridos fazem mal... deixamos aquilo que nos move de lado, e passamos a ser movidos por uma inércia cotidiana que simplesmente caminha. Sem rumo, sem direção, aleatória e desfocada. E quando você menos percebe, está vagando por ai, dando passos incertos rumo a coisas que te levam cada vez mais pra longe da sua essência. Divagamos de mais e agimos de menos.
A mesmice torna-se um produto do meio, mas os fins não te levam aos mesmos lugares. E sabe qual o grande problema disso tudo? A trilha para voltar aos trilhos está quase sumindo. Você não deixou passos confiáveis, e os poucos que ficaram são dispersos de mais para te fazerem lembrar do caminho. Não lhe resta muita coisa a não ser olhar para cima. Olhe para o céu. Oriente-se naquilo que as nuvens desenham quando seus olhos se fecham e tente sentir a emoção tomar conta de você como se fosse o primeiro rabisco... ah, o primeiro versinho ninguém nunca esquece. E pouco a pouco os rabiscos vão se tornando mais firmes, criando clareza onde havia dúvida e tranquilidade onde havia impaciência. É preciso tempo para deixar o processo acontecer, e enquanto isso vai evoluindo... aproveite. Desfrute de cada momento como se fosse novo, de novo. E durma com a tranquilidade de um escritor solitário que, depois de um ano longe de seus textos, encontrou novamente o rumo de sua prosa. Não foi fácil, não foi simples, mas ele sabia que valeria a pena.
E que a cada trilha perdida, o reencontro fosse assim: suave, leve e cheio de memórias poéticas de tempos que estão voltando. E se esses versinhos se perderem no caminho, não há problema. Serão reescritos com a ingenuidade de quem segura o lápis pela primeira vez.  

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Utopia do verbo ser

Há pessoas que têm e que são
Pessoas que são e que têm
Pessoas que não têm, mas tentam ser
E pessoas que não são e não têm.

Há quem não queira ter
E quem não queira ser
Invariavelmente um vazio verbal que se constrói
Preenchido por um conjunto de espelhos distorcidos e que nada refletem

Difícil é querer ser e depois ter.
A utopia do verbo que queria mais valores e menos pudores
Mais amores e menos dores
Ah, sonhador... eterno sonhador.

Na leveza do verbo ser, ele vai sendo
Vai vendo e vai tendo o que contar..
Não sabe o que será nem quando terá, mas deixa para o tempo cuidar

Afinal, de que vale um sonho sem uma história pra contar?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

No place like home

Ele não conseguia mais enxergar o horizonte
tudo o que via era neblina e pensamentos soltos
não sabia no que acreditar, nem como faria para sair dali
Era ali que queria estar ou deveria buscar o lugar de outrora?
as emoções se confundiam e entrelaçavam-se
e por mais cartesiano que fosse, a matemática de nada lhe adiantava
Tentara racionalizar, pesar, questionar. Nada.

No fundo precisava daquele tempo de sol, dos amigos e da antiga rotina
sabia que o cheiro da grama de casa lhe ajudaria
e que as cores daquela velha cidade fariam lhe bem
Era angustiante, mas sabia que tudo isso estava com os dias contados
era quase hora de voltar pra casa novamente

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A matilha de um lobo solitário

Ele era aquele garoto de sempre
Os mesmos hábitos, amigos e trejeitos que o caracterizavam
Não sabia pra onde ia, mas sabia onde queria chegar
Teimosia que ultrapassava a perseverança e que beira a insanidade, diriam alguns
Mas ele definitivamente não se importava. 
Sentia-se totalmente blindado ao mundo ao seu redor..  tinha o seu próprio universo.
E nele viviam tantos outros como ele

Caminhava obstinado e solto desde muito tempo
Não lembrava como era ter pra onde voltar e, na verdade, não sabia como fazer
Por muito tempo sentiu que o MUNDO era sua casa, e assim fez planos
E nas veias de seus planos corriam a sede da descoberta, do desconhecido
O entusiasmo de quem tem um mundo a ganhar todo dia, o dia todo
Era um viajante nato, gigante pela própria natureza
E nem o impávido Colosso seria capaz de aprisiona-lo

Habituara-se com a grandeza das montanhas,
Sentia-se em paz naquelas colinas cinzentas
E agora já lhe agradava muito mais aquela selva predial
Observava atencioso a paisagem colorida em um dia de sol
Definitivamente, gostava da alegria daquele lugar.
Sabia que seria passageiro, que o viajante reapareceria
Decidiu não lutar contra o anseio naquela hora. 

Sabia que a sua casa não era ali
Mas tinha certeza da plenitude dos seus sonhos
E sabia que como filho do mundo não fugiria à luta
Relaxou, sorriu e descansou por um instante
Saberia a hora de ganhar o mundo novamente.. era o seu destino

sábado, 17 de agosto de 2013

just empty

Empty.
some steps are being taken without any reason
and all I see is black. 

It's gonna change, I guess. Actually, I hope so.
but now.. not much to say. 
Void ( )
and that's all, folks.