O 'caba' num era 'dotô'
nem era 'caba' rico
Num sabia ditar
poesia mas muito entendia do mundo
Era matuto criado na
roça, filho do mundo e de pais desgarrados
E sabia bem que a
vida lhe havia desafiado
Agora era questão de
honra provar que era um 'caba arretado'!
Saiu de casa sem mais
nem menos, vestiu qualquer coisa e meteu-se no mundo
Foi em busca de um
sonho, de uma vida e do que via na televisão
Pois sabia que
naquele mundão de todo mundo, tinha espaço pra mais um 'vagabundo'
Chegou na cidade
grande, cheia de 'caba' arrumado e coisa enfeitada
Pegou meia dúzia de
moeda, uma roupa rasgada e foi em uma nova empreitada
Com muito custo e
sofrimento, arrumou um bico que lhe deu sustento
Mas sabia que dali
precisava ir mais além, precisava mostrar que aquele 'caba' era alguém
Tocou-se dali e
matutou em casa como fazer, o que buscar e como crescer
Teve uma grande
ideia, uma sacada genial e que mudaria tudo de vez
Levou pros 'dotô' os
papel rabiscado e viu tudo de ruim ficar no passado
O destino sorriu pro 'caba'
do mato, matuto desgarrado
Agora ele seria 'dotô'
também, 'caba' arrumado e engravatado
Cheio de dinheiro,
fama e gente pra todo lado
Só que nada daquilo
havia agradado.
Queria mermo era
voltar pra sua terra, pros seus pais e pros irmãos amados
Parecia simples, mas
era ali que ele era feliz, no mato.
'Eta caba arretado'!
Brilhante primo! Parabéns!
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