segunda-feira, 9 de março de 2015

Caba arretado


O 'caba' num era 'dotô' nem era 'caba' rico
Num sabia ditar poesia mas muito entendia do mundo
Era matuto criado na roça, filho do mundo e de pais desgarrados
E sabia bem que a vida lhe havia desafiado
Agora era questão de honra provar que era um 'caba arretado'!

Saiu de casa sem mais nem menos, vestiu qualquer coisa e meteu-se no mundo
Foi em busca de um sonho, de uma vida e do que via na televisão
Pois sabia que naquele mundão de todo mundo, tinha espaço pra mais um 'vagabundo'

Chegou na cidade grande, cheia de 'caba' arrumado e coisa enfeitada
Pegou meia dúzia de moeda, uma roupa rasgada e foi em uma nova empreitada
Com muito custo e sofrimento, arrumou um bico que lhe deu sustento
Mas sabia que dali precisava ir mais além, precisava mostrar que aquele 'caba' era alguém

Tocou-se dali e matutou em casa como fazer, o que buscar e como crescer
Teve uma grande ideia, uma sacada genial e que mudaria tudo de vez
Levou pros 'dotô' os papel rabiscado e viu tudo de ruim ficar no passado

O destino sorriu pro 'caba' do mato, matuto desgarrado
Agora ele seria 'dotô' também, 'caba' arrumado e engravatado
Cheio de dinheiro, fama e gente pra todo lado
Só que nada daquilo havia agradado.
Queria mermo era voltar pra sua terra, pros seus pais e pros irmãos amados
Parecia simples, mas era ali que ele era feliz, no mato.
'Eta caba arretado'!

Um comentário: