sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Contos inacabados da terra do efêmero

Caminhos voláteis e histórias que se entrelaça(ra)m
Jogos aqui e ali, sem nenhum fortuito vencedor, afinal
Disputas sem nexo  e um lego sentimental que se espalha por aí
Pedaços, cacos, espinhos, sobras, amor e um pouco de dor
Sente-se aqui, sente-se ali... mas não se sente, realmente, em nenhum lugar
E sentado à beira do mar, descobre-se que os sentidos se enganaram
Que o irreal tomou conta muito antes da mente se dar conta
E que agora, infelizmente, a conta já é alta demais – há de se pagar o preço

Um grito entalado na garganta e preso por tanto tempo
Disfarçado, cabisbaixo mas deveras energético – cheio de emoção consigo
Quando solto, causa estrago, como um furacão aleatório de sentimentos
Varrendo consigo mar, terra, poeira e pessoas boas
Ah, as pessoas... quanta gente certa na hora errada
Pagando o preço do relógio que já girou – e girou errado
Como se o erro estivesse aqui e não ... ali

E assim, sem mais nem menos, o permanente se vai
O impensável entra em ação e toma conta do rotineiro
Um sonho de cada vez, um passo atrás do outro e um pôr do sol por dia
Dias que seguem... efêmeros e marcantes
Importantes, mas negligenciados por quem fica aqui
Como se tudo não passasse de ... um sopro?

E soprou.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Dores do crescimento

Quando decidimos crescer, tomamos o risco de aprender algumas coisas de uma forma não tão amigável. É quando repetimos para nós mesmos que chegou a hora de evoluir, de se tornar mais resiliente e de entender que nem sempre as coisas sairão do jeito que planejamos. Nossos planos? São meros rabiscos de expectativa que criamos para tentar nos manter focados naquilo que achamos que queremos. No fim, é tudo possivelmente passageiro e mutável – coisa que só descobrimos tempos depois.
Uma das belezas do aprendizado é perceber que hoje temos uma compreensão melhor do que ontem e imaginar que amanhã será ainda melhor do que hoje. Somos seres em constante evolução e em busca de felicidade e plenitude. Passamos então a admirar o aprendizado, mesmo quando doloroso, porque sabemos que algo melhor virá disso tudo. É possível quase que tangibilizar aquele momento, aquele estalo mental, em que enxergamos uma melhor versão de nós mesmos. E que momento!
O grande ponto deste processo de evolução é que toma-se tempo. Tempo até entender onde a expectativa se descolou da realidade. Tempo para entender o que causou isso. Tempo para mensurar os impactos das frustrações em nosso subconsciente e entender que há coisas muito mais profundas do que um simples desalinhamento de expectativas. E, acima de tudo, tempo para se aprender a lidar com tantos pensamentos e absorver a dor daquilo que já se foi, visceralmente acreditando que planos maiores estão traçados mais a frente.

É... crescer não é fácil, mas é necessário. Pode nos custar ombros amigos, noites de sono e porres de amor, mas no fim, sempre vale a pena. Crescer é estar vivo e estar vivo é ter a oportunidade de seguir evoluindo. Se não é pra isso que viemos nessa vida, por que seria?