segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vou andando ...

Eu ando distraído, tranqüilo e com a cabeça vazia

Não faço idéia do que me espera ali depois da curva

E na verdade nem quero saber o que há por trás das cortinas

O que eu vejo, ou melhor, não vejo

São sombras e objetos distorcidos

Imagens rabiscadas e projeções do quase real

 

Eu ando perdido, sereno e acomodado

Sem pensar em nada, sem fazer nada

Sem ser nada.

Eu vou andando até que algo me pare, ou até que eu o caminho acabe

Eu estou simplesmente... sendo o que eu quero ser agora

 

Não quero ser mais do que eu não consigo

Nem menos do que eu posso ser

Não quero andar, caminhar, correr. Eu só não quero nada.

Quero sentar e escrever amanhã esperando que alguma idéia venha

E que algum texto se vá,

Acho que eu já nem sei mais o que eu quero,

Mas eu ando assim, perdido demais.

sábado, 25 de junho de 2011

Babaca e Careta

          Há momentos na vida em que você consegue filtrar o que te agride, repintar as partes feias e deixar consigo só o que te agrada. Há momentos em que tudo o que você quer é não fazer nem querer nada, apenas sentar no seu quarto esperando que ninguém venha lhe perguntar o que aconteceu. Não aconteceu, e se aconteceu, ninguém quer falar. Eu não quero. Há momentos em que os momentos se foram e você só consegue viver uns flashes desastrosos que parecem conspirar contra você. Para cada momento, há um “eu” pronto para vivê-lo.

          O mundo vai tendo os seus momentos também. E agora é o momento de ser careta, babaca e idiota. Eu não vivi tantos anos para estabelecer algum parâmetro que me permita a comparação, mas o que eu vejo ao meu redor são rebanhos de pessoas sem nada na cabeça. Que aparentam ter nascido do nada e estarem indo para o lugar nenhum. Pessoas que não sabem o que são, que não querem saber e nem querem que você as diga. Elas estão ali, só isso. Eu já cansei de tanto falatório sem sentido, de tanta gente hipócrita gritando pelos ideais dos outros. De tanta gente que parece ganhar mais para viver a sua vida do que as delas. Eu já não quero mais ter que achar tudo legal, normal e aceitável. Eu quero gritar em alto e bom som para quem quiser ouvir: “Pára esta porra que está tudo muito errado.”

            É.. esse mundão não vai parar pra mim. Nem as pessoas sem nada na cabeça vão ouvir isto de bom grado. É, mas pra falar a verdade eu não me importo com isso. Só quero ter a certeza de que mais alguém concorda comigo em pensar que o mundo mudou. Ou melhor dizendo, as pessoas mudaram e mundo só acompanhou isto. Queria acordar e não ver mais essa desordem toda, essa falta de confiança, essa falta de educação, essa falta do que falar. Queria ver mais do mundo que existe no meu universo paralelo. Acho que no fundo eu só queria não querer sair daqui. Já cansei de ficar cansado do que não me agrada. Eu não quero viver num mundo babaca e careta. Eu quero viver, só isso.

~ Esse texto não foi repensado ou reescrito. Ele foi simplesmente vomitado no papel, portanto, por favor relevem qualquer coisa. Se ainda houverem posts por aqui, serão melhores. Pelo menos, mais cuidadosos. 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Alegria em poucas linhas

          Considero a escrita como um dom, uma forma de arte. Aquele que escreve bem e consegue envolver o leitor em seus textos, usando palavras que tocam, que identificam e fazem com que o leitor se sinta preso, esse sim é o verdadeiro escritor. Pra mim, a escrita sempre serviu como uma forma de expressão, como uma "válvula de escape". Outros cantam, dançam, bebem, dormem. Eu gosto é de escrever. Não sei se escrevo bem, se meus textos são apenas mais uns, ou se são realmente bons. Realmente espero que seja esta última a correta. Gosto de falar sobre coisas que vivo e que vivi. Geralmente tento deixar no ar algum sentimento que está presente na minha vida no exato momento em que escrevo, mesmo que isso seja feito nas entrelinhas. Não se engane. Nenhum texto, em momento algum, é sem motivo. Por mais sem sentido que ele o pareça, não é.

           Não sei como os outros começam seus textos, mas gosto de deixar os pensamentos fluírem e colocar no papel as coisas que giram na minha cabeça. Quase sempre isso leva um certo tempo, mais pra achar as palavras certas, mas as idéias estão todas ali esperando para serem lapidadas.  Um texto bem escrito tem que ser capaz de causar um efeito similar ao de uma música ou de uma essência, que é: desprender do momento, provocar sensações adversas, sejam elas boas ou ruins, e despertar lembranças. Agora imagine algo semelhante, só que você é o criador dessa sensação. E o melhor, em você mesmo e nos outros. É isso que quem escreve sente, ou pelo menos deveria sentir. Não importa se o texto é bom, ruim ou indiferente. Até porque aqui entra um efeito curioso. Escreva algo hoje, e se esforce mesmo nisso. Daqui algum tempo, volte e releia aqueles rasbiscos. A chance de você não o achar mais tão interessante é bem grande, e a chance de você pensar  "Meu Deus, um dia eu escrevi isso e ainda tive coragem de mostrar pra alguém." é maior ainda. Isso deve ter alguma explicação, algo que devia ser descrito como um “efeito escritor”.

          Mas, quem se importa? Eu não me importo de olhar pra algum texto meu e ver que o mesmo não era tão bom quanto eu pensava, mas por algum motivo eu o achava na época. Sei que no momento em que coloquei o último ponto final, senti uma sensação de leveza. De liberdade. Sensação esta que provavelmente sentirei quando terminar este. Pode ser que um dia eu o ache meio tolo também. Vai ver isso é tudo parte desse ciclo de quem escreve. E com sorte, no final da sua vida você poderá dizer: "Poxa, este texto continua bom". Mas de uma coisa estou certo, esse meu ponto final acabou de fazer valer o meu dia.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Sonhador

      Eu sempre fui do tipo prol-liberdade. Nunca gostei de regras, rotinas ou qualquer comportamento que me transpareça a idéia de estar preso. Desde pequeno buscava contrariar o que se parecia fixo, e ir de encontro ao que era indiscutível. Não, eu nunca fui rebelde. Sou, e sempre fui um cara com idéias e ideologias, capaz de defendê-las sob quaisquer circunstâncias. Gosto da idéia de me sentir livre, de dormir em Nova York e acordar em Paris. Da idéia de conhecer todos os continentes, e viver o máximo de cada cultura possível. Como já disse Pedro Bial : “More uma vez em Nova York mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer”. Eu quero, e vou, viver cada sensação que esse mundão há de me proporcionar. Sou do tipo sonhador, com um toque de capricorniano que não nega a minha perseverança no que eu faço.

         Sou fascinado pelas caminhadas sem rumo que vem e vão, pelos caminhos confusos que vão sendo lançados ao longo desses minutos tão ligeiros. Hoje eu escrevo aqui, amanhã eu escrevo ali. Outro dia.. ah, o outro dia ninguém sabe. E essa é a única certeza que eu tenho: sobre o amanhã eu não sei de nada. Alguém já disse um dia: “Pra morrer, basta estar vivo.” Espero levar comigo até o último instante essa liberdade que sempre fez muito bem. Até hoje eu não entendo como gastamos tanta energia buscando mostrar ao mundo o quanto somos felizes, como se ele, em algum momento, tivesse pedido explicações. É desafiar demais as probabilidades, desperdiçando cada única oportunidade que se abre pra você. Não dependa da sorte, nem conte com ela para guiar os seus passos, afinal, a sorte vem para quem está preparado. Caminhe, ande, corra, viaje. Viaje!

         A verdade é que dessa vida eu não vou levar nada. E quando eu partir, o que vão ficar serão lembranças, idéias, memórias e amigos. Tudo isso será lembrado por uma única e forte palavra que sempre me descreveu: Liberdade. E que isso crie tantos outros sonhadores, capazes de viver consigo mesmos, e sozinhos se preciso. Capazes de enxergar a beleza de um amanhecer ao lado de alguém numa praia deserta. Que consigam perceber que o que te faz feliz está ai, do seu lado. Não busque o equilíbrio longe demais, nem torne a sua felicidade dependente de algo que não depende de você. É tudo tão efêmero e sutil que não vale à pena. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O enigma

Somos todos um rabisco mal escrito de um texto incompleto

Texto este que busca revelar o que não existe...

Entender o que não faz sentido

Viver o que não tem entendimento

Não sentir o que se faz entender

Não viver o que se entende da vida

E não tornar-se passivo diante do desconhecido

Acabamos reféns de nossas próprias palavras.

 

Nem tudo é inteligível, tal como nem tudo é impossível

Somos mais impulsivos que nossos pensamentos

E menos corajosos que nossos ideais

E ninguém entende o porquê de tanto caos

E de tantos porquês vagando ociosos por ai

Tão ociosos que, diante de nós, parecem pitorescos abismos

Verdadeiras fendas que levam ao nada, vindas do nada, passando pelo nada.

Nada, essa é a verdade.

 

Eu já vagueei pelo escuro sem saber

E já soube que, mesmo lá tão claro, continuava aleatório

Eu sou assim, e prefiro me manter assim

Aleatório, impulsivo e incógnito.

Um enigma será sempre assim: Surpreendente.

domingo, 12 de junho de 2011

Perder e Ganhar. Ganhar e Perder.

        Parece uma dança das cadeiras, com umas regras diferentes, aonde além de cair, você também deve ganhar ou perder alguma coisa. Só que você joga com cadeiras que se movem, numa sala escura e cheia de buracos. E a regra do jogo é simples : perder ou ganhar. Eu não sei se o perder vem quase sempre acompanhado do fato de nós sermos idiotas - e quando eu falo nós eu to me referindo à sociedade como um todo – ou se é só uma questão da velha e boa lei de Murphy. Um pouco dos dois, maybe.

         Estamos tão habituados à nos contentar com a mesmice, que perder algo ou alguém, pode doer e marcar, mas é encarado como algo normal. Não é, ou pelo menos não deveria. É como estar numa situação boa e que te faz bem, e não conseguir mais enxergar isso, ofuscado pela rotina. Ai vem uma mudança e te faz acordar e perceber o quanto aquilo é importante. O intrigante da coisa é saber que você depende daquilo ou daquela pessoa, e que você pode perdê-la à qualquer hora ,e mesmo assim se acomodar e esperar que a pura sorte tome conta das rédeas de tudo. Só que uma hora ou outra, meu amigo,  o cavalo corre demais e a carroça tomba.

         Eu já perdi tanta coisa, e deixei passar tanta gente boa na minha vida simplesmente por me acomodar e achar que isso era certo. Pra falar a verdade, escrever é uma forma de aliviar esse sentimento de culpa que segue comigo. Mas apesar de concordar e compactuar com o que foi dito, ninguém vai deixar de errar por isso. De algum modo, faz parte da vida perder algo e sentir essa dor da perda, pra só assim abrir os olhos e ser capaz de crescer como pessoa. Só sei que eu cansei de cair nessa dança das cadeiras, mas não posso reclamar também. Já puxei a cadeira de muita gente nesse jogo de perde e ganha. Mas afinal de contas, quem é que ganha alguma coisa com isso? Estou tentando descobrir até hoje.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cinzentos anos dourados

        “Hoje eu acordei com sono, sem vontade de acordar”. Mas não foi somente isso. Não sei se você já sentiu isso, mas eu tenho a constante impressão de que eu nasci na época errada, na década errada. É olhar para o lado e se perguntar de onde veio tudo isso, e como chegamos à tal ponto. Não sou um revolucionário, nem tão pouco o cara que vai mudar o mundo. Sou mais um sonhador de mãos atadas, ou melhor, acomodadas. Mãos estas, as mesmas que cospem no papel uma ideologia de mudança puramente imaginária.

         Eu queria ter a capacidade de viver o passado apenas pelas coisas boas e místicas, podendo à qualquer hora voltar para a minha realidade limitada e segura. Eu queria ser do tempo em que os jovens brigavam por suas razões nem sempre justificadas. Dos tempos em que o Barão Vermelho ecoava pelo Circo Voador com seus Codinomes Beija-flor. Do tempo de Chico e suas obras de arte líricas, chamadas de música. Dos tempos de Woodstock e seus defensores de cabelo grande. Pensando nisso tudo, eu sinto uma nostalgia de algo que eu não vivi, uma saudade de algo que eu nunca tive. Talvez por tudo, apesar de cinzento, parecer simples e alegre. Vai ver, é tudo uma ilusão criada pelo romantismo da época. Romantismo no sentido real da palavra. Romantismo dos tempos em que jogava-se bola na rua, o leite vinha em garrafas de vidro, o padeiro passava na sua rua levando sonhos e a cidade inteira se reunia ao lado da TV para assistir à Canarinha jogar. Tempos bons devem ter sido estes..

 
        E toda essa idéia meio anos 60, meio hippie, me deixa num grau de abstração digno de anestesia. São as idéias fluindo e a imaginação indo com a maré. Esse mundo colorido e brilhante demais não é pra mim. Preferia agora estar sentado numa cadeira de balanço, aos pés do Rio de 80, ouvindo um pouco de Joplin e Hendrix. Colocaria pra tudo pra fora num papel e talvez descobrisse que aqueles tempos nem eram tão bons assim. Eram cinzentos e monótonos demais. Mas apesar de tudo, eu teria uma boa música e um tanto de romantismo ao meu lado. Isso me bastaria.

domingo, 5 de junho de 2011

A tristeza é um ponto de vista

         Eu não cresci com a falsa idéia de que a vida era fácil. Nunca tive tudo na mão e agradeço por ter sido criado assim, afinal, a criação é a base para o que se vai ser quando crescer. A vida não é fácil nem justa, muito menos tranqüila. Vivemos as sensações mais variadas possíveis, e as mudanças nos fazem do jeito que somos. Ninguém vive de só felicidade ou de tristeza , e sim de equilíbrio. Nunca acredite em alguém que aparenta ser sempre feliz. Um dia se está por cima, outros por baixo.. já dizia Pedro Bial.

         Hoje eu consigo olhar pra trás e ver como eu sou forte por ter assimilado e superado os obstáculos pelos quais eu passei. Não quero me vangloriar por isso, nem me comparar com ninguém, até porque existem pessoas que sofreram bem mais. Mas eu não posso pensar na minha vida num comparativo minimalista, imaginando as piores experiências na vida de alguém e me achar um príncipe por isso. Seria injusto e pré-potente. Eu vivo o que a minha realidade me trás, e preciso conviver com os problemas reais, aqueles que existem e que batem à minha porta todo dia. 

          O mundo é grande, e tem seus alguns bilhões de pessoas, mas tudo o que eu consigo ver agora é a janela do meu quarto, um céu estrelado e o silêncio lá fora. O meu quarto parece uma armadura contra todos os problemas que ecoam inquietos com o vento. Não, não é medo. Nem covardia. É só a impressão, talvez falsa, de que eu estou mais seguro comigo mesmo. Os meus problemas não são os maiores, e a minha tristeza não é completa e totalmente justificável. Na verdade, eu nunca busquei justificativa pra nada. Eu só sei que agora o que me dói é real e intenso. Eu sinto e sei muito bem disso.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um livro chamado Seu

            Cada um de nós nasce com um livro nas mãos. Livro este que vem com uma bonita capa dourada e páginas em branco, que começam no número 1 e vão até um número surpresa. Este livro vem sem referências, sem comentários, sem agradecimentos e sem nenhum tipo de assinatura ou dedicatória. Os anos vão passando e você vai se tornando o escritor da sua própria história, criando capítulos e parágrafos, poemas e estrofes, versos e versinhos. O livro é seu, e você o faz da forma que achar melhor. Um dia você é um cronista, no outro um jornalista e naqueles dias de chuva, aonde a inspiração bate à sua porta, você pode até ser um poeta.

            Nessa história que vai sendo escrita, temos contos de infância, de escola, de amigos e de namoradas. Surgem então os relatos mais sérios, que tratam agora de responsabilidades e preocupações quase reais, misturadas e realçadas pelo seu dom de tornar tudo aquilo um fato que é visto pelo seu ponto de vista. Nem tudo é o que parece ser. Nem sempre as coisas são sérias demais ou complicadas como você pensa. Ou às vezes, existe muito mais por trás do que você consegue enxergar. Afinal de contas, você é só um escritor. Livre, aprendiz e viajante.

           Nem todos terminam suas histórias com finais felizes, e uma grande parte nem chega ao final do seu livro. Algumas páginas se perdem, outras são rasgadas, e algumas outras não passam de meros rascunhos que servirão de inspiração para um novo capítulo. São tentativas que culminam em acertos. Esse aqui é mais um relato que vai para o livro que eu guardo comigo. Vai entrar no meu capítulo chamado “Meus 20 e poucos anos”. Não posso prever quando escreverei pela última vez, nem quão bom meu livro ficará no final de tudo. Mas como eu bem disse, eu sou só um escritor. Impulsivo, errôneo e humano.