Andamos afastados. Os tempos de
outrora haviam mudado e nesses últimos meses não nos falamos. Tanta coisa pra
falar, para rabiscar... mas faltava força. Faltava motivação, tempo,
disposição. Ou talvez sobrasse preguiça para justificar que aquilo não era tão
importante... mas era. Tantos rabiscos que ficaram perdidos em rascunhos de
final de tarde. Quantos versos não se perderam em guardanapos e cantos de
folha?
Por longos meses ficamos em
silêncio. E como isso me fez mal.. engasguei com as palavras quando deveria
soltá-las e não deixei fluir meus pensamentos quando tudo o que eles queriam
era correr livremente por entre os meus dedos. Talvez por medo de não saber
como seria voltar, e pensar, pensar, pensar... e não colocar nada no papel.
Esses tempos corridos fazem mal... deixamos aquilo que nos move de lado, e
passamos a ser movidos por uma inércia cotidiana que simplesmente caminha. Sem
rumo, sem direção, aleatória e desfocada. E quando você menos percebe, está
vagando por ai, dando passos incertos rumo a coisas que te levam cada vez mais
pra longe da sua essência. Divagamos de mais e agimos de menos.
A mesmice torna-se um produto do meio, mas os fins não te levam aos
mesmos lugares. E sabe qual o grande problema disso tudo? A trilha para voltar
aos trilhos está quase sumindo. Você não deixou passos confiáveis, e os poucos
que ficaram são dispersos de mais para te fazerem lembrar do caminho. Não lhe
resta muita coisa a não ser olhar para cima. Olhe para o céu. Oriente-se
naquilo que as nuvens desenham quando seus olhos se fecham e tente sentir a
emoção tomar conta de você como se fosse o primeiro rabisco... ah, o primeiro
versinho ninguém nunca esquece. E pouco a pouco os rabiscos vão se tornando
mais firmes, criando clareza onde havia dúvida e tranquilidade onde havia
impaciência. É preciso tempo para deixar o processo acontecer, e enquanto isso
vai evoluindo... aproveite. Desfrute de cada momento como se fosse novo, de
novo. E durma com a tranquilidade de um escritor solitário que, depois de um
ano longe de seus textos, encontrou novamente o rumo de sua prosa. Não foi
fácil, não foi simples, mas ele sabia que valeria a pena.
E que a cada trilha perdida, o
reencontro fosse assim: suave, leve e cheio de memórias poéticas de tempos que
estão voltando. E se esses versinhos se perderem no caminho, não há problema.
Serão reescritos com a ingenuidade de quem segura o lápis pela primeira vez.
Fico feliz em reencontrar um pouco do antigo Marcos nesse texto. Não perca sua essência, ela é linda. Um beijo
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