terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O que sei sobre o lado de cá


A vida é rápida, ligeira, efêmera
Um dia eu ‘tô’ aqui, depois ali
Nunca lá, mas também nunca cá.
Não vou pra os lugares escuros, mas não gosto de muita claridade
Costumo correr do que me faz mal
Mas estou quase sempre me perdendo do que me faz bem

A cabeça é firme, decidida, determinada
Sei quase tudo o que quero, quando quero e como quero,
E sei que quero não querer mais do que posso ter
Nem ter menos do que sou capaz de realizar
Sei o que quero mesmo sem saber pra onde isso me levará
Nunca pra lá, espero.

Não vivo com medo, mas tenho medo de não viver mais
De não poder voltar atrás do que fiz errado
E de não lançar uma última palavra ao vento.
Sei que o vento leva pra longe o que não faz bem
E que tende a trazer pra perto as alegrias. Sempre.

Hoje a cabeça ‘tá’ rodando, confusa..
A realidade deu uma sacudida na rotina e nas idéias
Passou e deixou tudo de cabeça pra baixo.
Mas pelo menos eu sei o que eu sei
E sei que os ventos vão passar, soprar e levar isso pra longe
Só não quero chegar lá.. não, lá não!
Perdido ou não, estou bem por aqui.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Labirinto


       Já faz um tempo que eu me perdi das palavras. Andamos brigados e tentamos uma reaproximação amigável, mas não rolou. Horas, dias, semanas afastados... mal conseguíamos iniciar um diálogo e já desconversávamos. O tempo passou e a saudade bateu. Um olhar 43, um sorriso de canto de boca e um abraço sincero, foi o que precisou pra relação voltar a se estreitar novamente. A coisa foi melhorando, fluindo. Foi importante ter ficado um tempo sem andar com as palavras. Acho que elas também gostaram dessa distância de mim. Voltamos fortalecidos, mais fortes e com a certeza de que a nossa proximidade se faz necessária. Senti uma saudade imensa de me debruçar sobre o papel e sentir as palavras fluindo entre os meus dedos, mesmo que sem sentido ou sem formar textos que me agradem. Agora estamos numa fase de fortalecimento da relação, de uma reaproximação carinhosa, e essa aqui é a minha primeira declaração. Ainda soa meio infantil, desconexa, mas carrega sentimento consigo.
       Agora eu só preciso pegar um lápis, rabiscar, rascunhar.. Dar tempo ao tempo e deixar as palavras se acomodarem na cabeça. 
                

domingo, 11 de novembro de 2012

Rabiscos biográficos


             Cada um de nós nasce com um livro nas mãos. Livro este que vem com uma bonita capa dourada e páginas em branco, que começam no número 1 e vão até um número surpresa. Este livro vem sem referências, sem comentários, sem agradecimentos e sem nenhum tipo de assinatura ou dedicatória. Os anos vão passando e você vai se tornando o escritor da sua própria história, criando capítulos e parágrafos, poemas e estrofes, versos e versinhos. O livro é seu, e você o faz da forma que achar melhor. Um dia você é um cronista, no outro um jornalista e naqueles dias de chuva, aonde a inspiração bate à sua porta, você pode até ser um poeta.
             Nessa história que vai sendo escrita, temos contos de infância, de escola, de amigos e de namoradas. Surgem então os relatos mais sérios, que tratam agora de responsabilidades e preocupações quase reais, misturadas e realçadas pelo seu dom de tornar tudo aquilo um fato que é visto pelo seu ponto de vista. Nem tudo é o que parece ser. Nem sempre as coisas são sérias demais ou complicadas como você pensa. Ou às vezes, existe muito mais por trás do que você consegue enxergar. Afinal de tudo, você é só um escritor. Livre, aprendiz e viajante.
               Nem todos terminam suas histórias com finais felizes, e uma grande parte nem chega ao final do seu livro. Algumas páginas se perdem, outras são rasgadas, e algumas outras não passam de meros rascunhos que serviram apenas de inspiração para um novo capítulo. São tentativas que culminam em acertos. Esse aqui é mais um relato que vai para o livro que eu guardo comigo. Vai entrar no meu capítulo chamado “Meus 20 e poucos anos”. Não posso prever quando escreverei pela última vez, nem quão bom meu livro ficará no final de tudo. Mas como eu bem disse, eu sou só um escritor. Impulsivo, errôneo e humano. Mas, feliz. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ah, o tempo ...


          O tempo se encarrega de levar as coisas ruins pra longe. Por mais que a mente possa não colaborar com isso, o tempo fatalmente consegue fazer com que algo caia no esquecimento. Não é que seja voluntário, ele só tem essa habilidade intrínseca. Olhar uns álbuns de fotografias, ouvir aquela música que um dia te fez chorar ou sentir o perfume de uma pessoa querida que já se foi .. nada disso pode ser apagado pelo tempo. Ele não destrói o que ficou de bom, como aquelas sensações reprimidas de um amor que não deu certo, ele apenas se encarrega de apagar o que alfineta.
            O tempo é sim forte, poderoso, mas não invencível. Ou talvez seja, considerando-se que ele nunca pára, nunca perde, nunca anda pra trás. O tempo é escalar. Nós somos vetoriais. Não existe uma forma de se competir com ele, até porque isso seria matematicamente grosseiro. Hoje parece que o tempo anda mais devagar, como se fizesse questão de deixar claro os bons ventos que pairam por aqui, querendo dizer: “Vai lá garoto, aproveita e se joga!” , ou talvez ele só esteja ocupado demais levando embora alguns sentimentos ruins pra longe de quem precisa. Sempre há alguém que precisa e sempre há alguém na plenitude da vontade de correr o mundo.
            Nessa vida é o tempo que nos ensina tudo. Ele é o grande professor. Não há mistérios no aprendizado, basta esperar que ele passe. Pra alguns ele corre, pra outros ele caminha.. nunca para. Nunca. Não ande, corra! Pense, reflita, aja. Re-pense. Cuidado ao dar tempo demais ao tempo. Ele tem o seu próprio ritmo e não vai te perdoar pelas suas inseguranças ou medos. Viva intensamente, por mais que as coisas não saiam como você planejou. Na pior das hipóteses você vai parar, vai sofrer um pouco e depois o tempo vai cicatrizar tudo isso, quer você queira ou não. É essa a função do tempo, passar e ensinar que tudo um dia vai valer a pena. Nem que seja uma remota lembrança de um momento bom. Acredite, ele nunca erra.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Cariocando


Eu carioco
Tu cariocas
Ele carioca
Nós cariocamos
Vós cariocais
Eles cariocam

                E com o tempo a gente vai pegando de novo o jeito de se tornar habitante dessa cidade maravilhosa. Uma malandragem aqui, uma "cariocada" ali. A vida anda boa, tranquila.. até bem melhor do que era esperado. Parece que depois de muito tempo, absolutamente tudo resolveu se encaixar. Só me resta cariocar mais e mais. Rio de Janeiro, você continua lindo!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um ar puro novamente


            Há algum tempo eu deixei de passar por aqui. Por falta de tempo e por preguiça. Mais por este último pra ser bem sincero. As idéias surgiram, mas faltava vontade e alguns minutos para colocar tudo no papel de uma forma agradável. Os últimos tempos foram muito bons. Algumas mudanças de vida, de hábitos e de amizades. Tudo parece que foi cautelosamente planejado afim de convergir para a felicidade. Cada escolha, cada passo. Foi bom ver coisas ruins se afastando e coisas boas chegando. Ventos novos, novos sabores e cores. Tudo novo.
             Agora é tempo de mudanças, de dar um grande passo na vida. Mal posso conter a felicidade e a alegria que essa nova oportunidade me trouxe.. uma oportunidade de ouro, é verdade. E o que me espera logo ali é uma nova vida na selva de pedra. Sei que lá tudo acontece de uma forma diferente, mas acho que já era hora de voltar às origens cariocas, à cidade que nunca dorme. Um detalhe aqui, outro ali e tudo vai se adaptando. Sei que a saudade de casa vai apertar, a falta da família e dos amigos vai falar alto, mas pra tudo isso existe foco e determinação, com uma pitada de lazer. É hora de cair no mundo, de mudar de vida, de fazer acontecer. Um abraço pra cidade que nunca dorme.. Alô meu Rio de Janeiro, ‘tô’ voltando. 

sábado, 28 de abril de 2012

Referencial Estático


         É incrível perceber que uma simples mudança de referencial altera completamente a perspectiva sobre algo. É como estar parado em relação à um trem que se move rapidamente, e ao mesmo tempo, em movimento com relação ao que está do lado de fora. As pessoas ficam presas às situações, incapazes de entender ou modificar o estado atual pelo simples fato de não conseguirem mudar o seu referencial sobre o que está diante delas. Não concordo com afirmações absolutas sobre certo e errado, sobre bom ou ruim. O que hoje é bom para você, podia ser absurdo há anos atrás. A grande dificuldade é sempre sair daquela zona de conforto feita de opiniões formadas e comodismo. É difícil admitir que talvez tudo não seja tão ruim como você pensou, ou tão bom quanto te disseram, ou que talvez tenha faltado a fala serena de alguém que está em outro referencial para chegar e dizer: “Vá com calma, não é tudo isso ai que você pensa. Respire, viva, mude a sua visão sobre isso para entender melhor. E só então, decida o que falar e quando falar.” De fato, sempre falta uma ajudinha para mudar o referencial sobre algo.
     Outro dia eu acordei diferente, num referencial novo. Passei a enxergar coisas que estavam escancaradas para mim, mas eu não queria acreditar. Agora eu vejo com clareza o que tanta gente tentou me mostrar. Agora eu não estou mais em repouso com relação ao trem, estou sim em movimento. E acelerado. Cansei de esperar essa inércia passar e ter que aceitar alguns conceitos não absolutos como verdades, vindos de pessoas que não me acrescentam em absolutamente nada. Hoje eu posso acordar e dizer que esse tipo de atrito, estático ou cinético, não vai acontecer mais por aqui. Descobrir certas coisas me ajudaram nessa mudança de referencial, e agora as coisas vão caminhar. Bem e para frente. 

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 Música do post: Shoot to Thrill ~ AC/DC

terça-feira, 17 de abril de 2012

O menino que vagava por aí

Aquele dia amanhecera diferente. Azulado, claro e com um aroma agradável. Desde os primeiros passos já se mostrava deveras interessante. O menino havia se proposto a vagar vagarosamente pelo mundo vagabundo e vasto de tanto vivacidade. Não tinha a certeza de que viver tudo aquilo seria tão sagaz, mas decidira apostar suas fichas naquilo ali. Havia se cansado tanto da prolixidade repetitiva dos dias recentes, que qualquer sombra de mudança parecia um movimento de translação de uma cabeça que se abre pro mundo. Tudo parecia diferente, mas perigoso. Calmo porém enérgico. Saiu de casa com a calmaria de sempre, um sorriso no rosto e um semblante inspirador, como alguém que caminha rumo à vitória. Aquele dia havia de ser diferente, no mínimo um marco no processo todo de mudança. A vida caminhava pra frente, e o tempo ia junto, nunca andando pra trás. Nem dando passos em falso. Os ponteiros nunca perdoam e por mais que se queira parar no tempo, o tempo não iria parar para o menino. “Melhor correr agora, pra tirar das costas o peso de um relógio atrasado” - pensou ele. E assim foi feito, e foi o que se comentou .. que “um menino com um belo sorriso no rosto havia sido avistado por ai, caminhando perdido em direção a um lugar qualquer.”

E um tanto mais se ouviu sobre o menino de sorriso largo e direção indefinida. Dizem que até hoje ele vagueia por ai, vagabundo e voraz, tentando vencer os ponteiros do relógio com a vontade de um vencedor nato. O menino pertencia ao mundo.




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Musica do Post: Lost - Coldplay

domingo, 8 de abril de 2012

Estrofes Bem Vividas

Nesta vida eu já vivi mais que uma vida

Já vi gente vazia entrar e sair como quem não quer nada

E já vi vazios formados por gente que se foi repentinamente

Já tive dias vagarosos e rotinas complicadas

Horários que se entrelaçavam e amores infantis,

Um dia brinquei até adormecer e quando me dei conta

Fazia contas numa cadeira de universidade

É, meus amigos.. o tempo passou

Não lembro quando voltei ao passado pela última vez

Mas sei que nunca voltarei o ponteiro do relógio para trás

A palavra dita só vai, ela nunca volta.

Um dia acorda-se por cima, no outro, por baixo..

E assim a dança vai se completando como que perfeitamente

Sem deixar de lado as imperfeições necessárias,

E ao mesmo tempo sem calcificar o que há de ser maleável

Não, nada está perdido ainda...

A vida corre aqui, corre ali. Corre-se atrás dela

E no final, quem ganha esta corrida é ela

Sutil e tranqüila, agressiva e voraz

Nada mais do que um tic-tac nervoso que galga rumo ao fim inevitável

E daqui eu não levarei nada.

Afinal, são tudo palavras soltas, atitudes ao vento

Daqui eu realmente não levo nada. Mas a vida me leva.




Viva la Vida ~ Coldplay

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Idiotice Genética

Os homens nascem, crescem e morrem idiotas. Não falo do seres humanos, mas dos seres do sexo masculino. Lá na infância já são notáveis os sinais de uma idiotice que parece estar no sangue. Geralmente vem dos meninos as idéias mais infantis durante aqueles poucos anos. Meninas também têm sua ingenuidade, mas coisa normal, de criança. No comparativo, os meninos são sempre mais lentos, atrasados. Deve ser por isso que existe aquele ditado popular que diz que as mulheres amadurecem mais cedo, aos 13 anos. E os homens chegam à isso com, sei lá.. uns 50? Talvez.

Homens têm a incrível capacidade de errar querendo errar e de errar querendo acertar. Erram com demasiada freqüência, para ser sincero. Um dom de falar demais quando tudo pede tão pouco. De não perceber coisas pequenas e deixar passar momentos tão simples. Homens tem uma certa mania de grandeza, um ego as vezes agressivo e que se sobrepõe ao que se deseja. Como se à todo tempo o mundo o desafiasse à ser melhor e mais forte. Enquanto mulheres competem silenciosamente umas com as outras, numa eterna batalha estética e social, homens competem com eles mesmos, numa incansável e impiedosa busca de uma coisa que geralmente não existe. Homens têm uma tendência maior a serem imediatistas, precipitados, babacas. É isso que todos nós somos, babacas. E que me perdoem os ofendidos e os machistas, mas isso é uma verdade. E não falo com um tom agressivo ou negativo, mas como um fato que sempre existiu e que nos trouxe até aqui, hoje. Mulheres toleram, aceitam e entendem uma porção de idiotices nossas. Acho que no fundo elas sabem que a maior parte não é proposital, e querendo ou não, elas não vivem sem nós... e a recíproca é verdadeira.

    Hoje eu já não me incomodo mais em ser um pouco idiota. Não sou por completo, mas sou. E cada um é idiota ao seu modo, sem essa conversinha de que todos os homens são iguais. Ninguém é igual, mas o mundo é tão grande, mas tão grande, que eventualmente comportamentos se repetirão aqui e ali, o que não torna ninguém espelho de ninguém. Não busco com pressa essa nova fase menos idiota, apenas espero que um dia chegue. Quero parar lá na frente e olhar pra trás com os olhos marejados de saudade desses tempos. Tempos bons, tempos ruins .. tempos idiotas, mas necessários. Que eu possa deitar numa rede, um quarentão despreocupado, olhando as fotos do passado e pensando: “Poxa, eu já fui tão mais idiota um dia” – sem saber que aquele meu lado infantil vai estar comigo até o último suspiro. Mais uma idiotice achar que não.

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Comentários e críticas são sempre bem vindos :)
Musica do post: Nickelback - This Afternoon


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma insônia produtiva

Outro dia eu deitei a cabeça no travesseiro e me peguei pensando sobre o porquê das coisas darem errado. Ou melhor, parei pra pensar porque geralmente isso acontece repentinamente, parecendo que num piscar de olhos veio uma tempestade de coisas ruins que nem você sabe ao certo explicar. É como fosse necessário, o tempo todo, a condução das coisas dentro de umas linhas pra que tudo fique bem. Se você vacilar e se descuidar, nem que por alguns instantes, a entropia cresce e se alastra e quando você menos espera ... há algo de errado ali. Isso parece meio radical, meio pessimista, mas nada ai é totalmente falso. Nem totalmente verdadeiro. Foi só um ponto de vista que me ocorreu no meio de uma noite regada à insônia.

Não consigo definir as causas reais disso, nem é fácil colocar numa lista todos os motivos, mas valores humanos ligados aos relacionamentos são, ou melhor, podem ser causas prováveis. Orgulho, soberba, inveja, teimosia. Tudo isso e um pouco mais, quando combinados, ou até mesmo soltos, podem desencadear numa seqüência de ações que não são racionais se vistas de fora, ou se vistas numa outra marca temporal.. mas pra quem as realiza, ali, naquele momento, elas parecem fazer todo sentido. Pena que em momentos como esse, parece que alguém joga uma cortina e fica sempre mais difícil enxergar as coisas de forma racional, e é necessário uma compreensão – à sangue frio – pra se contornar isso e baixar a guarda. Não é simples, não é fácil e às vezes até machuca. O orgulho principalmente. Mas é necessário para que não se comece uma cadeia de eventos que vão caminhando pra um lado que torna ainda mais difícil a solução do problema inicial. Mas, isso tudo é só uma aspiração de um pensamento preguiçoso feito numa madrugada qualquer. Algo há de ser aproveitado ai, mas não sei ao certo o que.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dos 1000 y doze

Às vezes na vida a gente perde o foco do que fazer, como fazer e porque fazer. E ai você entra numa estrada perigosa, que é aleatória, sombria e que geralmente não te leva pra lugar algum. Alguns entram e saem dessa estrada com facilidade, outros ficam nela por muito tempo. Eu diria que, por mais danosa que ela possa ser, ela se faz necessária pra qualquer pessoa. Faz bem de vez em quando ficar perdido pra se achar. Não é que eu andasse completamente perdido, mas até algum tempo atrás sempre havia um ou dois caminhos que divergiam das minhas idéias e dos meus ideais. Agora não. Tudo parece convergir e está harmônico, ressonante. Queria poder expressar de forma mais pessoal essa minha alegria toda, mas ai eu perderia todo o poder de criar um texto que seja de utilidade comum, que fale sobre qualquer ponto que pode caber à qualquer pessoa.

Não é fácil pensar que você poderia estar numa situação melhor há mais tempo, simplesmente porque o seu caminho sempre esteve ali ao seu lado, pertinho. Mas talvez, se essa página fosse escrita lá atrás, ela tivesse tomado outro rumo, e acabaria tendo outro final. É melhor não pensar. Não ficar imaginando que pensar alteraria o passado, e que pensar sobre pensar altere o futuro. Melhor não mexer com esse pensamento físico que ao meu ver encontra-se numa linha tênue do princípio da incerteza.

Decidi que à partir de agora eu vou deixar enterrado num capítulo anterior todos aqueles rabiscos frustrados. Eles me fizeram escrever isso aqui hoje, mas não posso permitir que influenciem meus textos futuros. Eu sei que preciso escrever uma nova história hoje, amanhã, depois... e pra isso preciso de uma cabeça limpa, clara, e que permita que eu me jogue em cada parágrafo. Agora eu deito tranqüilo, sabendo que amanhã será mais um dia feliz com certeza. Já estava cansado de tanta incerteza sentimental e de tanta babaquice comportamental. Posso considerar este o meu primeiro texto feliz de 2012. Quer dizer, o meu primeiro texto do ano. Feliz ‘dos 1000 y doze’.