Um dia ele se pegou pensando em como havia chegado ali. Em como num piscar de olhos tudo havia mudado: as pessoas, as cores, os ambientes, os hábitos, os gostos. Sua aparência. Ele parecia não acreditar no que via, mas não por ser algo desagradável, e sim pela surpresa que lhe havia causado. E a pergunta continuava rondando a sua cabeça. Por alguns minutos debruçou-se sobre seus braços apoiando lentamente o queixo sobre as mãos e refletiu profundamente sobre a causa daquilo tudo. Era como tentar pescar uma baleia com uma vara de pescar daquelas de festa junina. Tudo aquilo foi gerando uma angústia misturada com pavor e incerteza. Ele nada pode fazer.
Minutos se passaram, horas se passaram, dias se passaram. E o garoto continuava a se perguntar qual era a razão daquilo tudo. Lembrou-se então de amores e decepções passadas e de coisas que lhe fizeram mudar de atitude e tomar a decisão de mudar por um tempo. Era nisto que tinha culminado esta sua decisão. Os amigos haviam aumentado, mas os poucos e bons permaneciam ali. As cores eram apenas diferentes, afinal agora ele tinha mais tonalidades para pintar sua rotina. Os hábitos haviam mudado como uma resposta natural do que ele havia passado. E sua aparência era uma mera conseqüência do tempo. No fundo, agora o garoto estava mais calmo. Descruzou os braços e relaxou o maxilar. Esticou as pernas e por alguns segundos conseguiu se libertar do pensamento que tanto lhe torturava. Agora tudo parecia simples e lógico. Sem pestanejar colocou sua melhor roupa e seu melhor perfume, como quem se arruma pela última vez. Aquela noite prometia ser mais divertida que o normal. Antes de sair para encontrar com seus novos e velhos amigos, olhou-se no espelho como de rotina, apenas para ver se estava tudo em ordem, e surpreendeu-se ao ver quem estava ali. A pergunta foi inevitável: Como eu vim parar aqui?
Congrats, você chegou lá. Esse foi o melhor.
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