Uma das situações que muitos odeiam passar é também uma daquelas aonde podemos encontrar as coisas mais diversas, e os mais variados tipos de pessoas e seus trejeitos. Do que eu estou falando? Do ônibus. É como ter acesso á todo um novo universo com algo em torno de dois/três reais.. Pare pra pensar um pouco na última vez em que você esteve em um, de preferência num horário com razoável quantidade de passageiros. Agora veja o caldeirão de culturas e costumes que temos ali, basta parar alguns minutinhos pra observar as coisas.
Vamos começar pelo motorista. Um carinha geralmente com seus 40 e poucos anos, um óculos meio fundo de garrafa, com um bigodinho facultativo, mas uma barba quase sempre presente. Alguns de aparência amigável, e até falantes, mas em sua grande maioria tem uma cara fechada e cisuda. Cara de poucos amigos, eu diria. Depois, o cobrador. Esse sim, um cara geralmente um pouco mais alegre, com o velho e clássico bigodinho, e um cabelo estilo "boi lambeu". Geralmente falantes, e comunicativos ao ponto de até conversar com alguns passageiros.
Depois disso, encontramos ali na frente um jovem estudante, desleixado e meio jogado no banco, com um fone de ouvido escutando algo que pode variar entre Led Zeppelin até Garota Safada. Meio alheio do mundo, encostado com o cabeça no vidro e sendo tomado lentamente por aquele mágico sono que só aparece no balançar do ônibus. Um banco depois vem uma jovem, bem vestida, cheirosa e com postura admirável. Cabelos lisos voam conforme o vento cruza as janelas, e seu cheiro se espalha aos que estão próximos. Seus pensamentos são diversos, e incluem que roupa usar na próxima festa, quando irá novamente ao salão, e a dúvida se um cara bem apessoado que acabou de passar no corredor notou sua presença. É incrível a capacidade das mulheres de pensar e fazer TÃO BEM tantas coisas ao mesmo tempo. Se me derem duas tartarugas pra cuidar, uma foge com certeza e a outra ainda vai dar trabalho.
Um pouco mais ao meio do ônibus vem um trabalhor humilde, com uma camisa do Flamengo, Corinthians ou Vasco. Um cheiro nem sempre agradável, mas pô, é o cheiro do trabalho minha gente. Vai pra casa pensando na janta, e na bela moça que acaba de cruzar a roleta. No banco ao lado, tem um muleque com seus 20 anos, todo esparramado no banco. Joelho no meio do corredor(Sim, aquele joelho que bate na sua perna ao tentar passar), e pernas extremamente abertas como quem diz: "I have balls." Sim, I have balls too. Porra, fecha essa perna que eu quero sentar.
Um pouco mais ao fundo, nos bancos mais altos vem uma mãe já cansada ao final do dia, com dois filhos: Um que vem na janela, gritando e insistindo em comer bala antes do jantar, e uma criança de colo que chora e deixa todos no ônibus atordoados. Aquele choro fino e agudo que parece furar os tímpanos. No banco ao lado, um senhor de 60 e poucos anos, olhar 43, óculos com lentes garrafais, cabelos grisalhos, sandalha de couro, blusa meio quadriculada e aberta com pêlos saindo no começo do peito. Esse já não se sente tão afetado pelas coisas. Apenas observa com a sabedoria de quem já viveu tantas coisas.
Ao fundo vem um grupo de estudantes, gritando e fazendo balbúrdia, declarando abertamente palavrões, frases pornográficas e piadinhas dirigidas aos outros colegas. Apelidos rídiculos são geralmente citados nesse meio de conversas. Ah, e as meninas que passam na rua podem ser facilmente alvo de brincadeiras. Mas, é a beleza da juventude. Nunca há problema em nada, e está tudo sempre bem.
A gente reclama que não viaja, que não conhece coisas novas. Quer mudar? Entre num ônibus e pare pra ver as coisas à sua volta. Observe calmamente cada situação e analise cada comportamento. Viu? Você já está viajando e conhecendo coisas novas. Mas quer saber? Falei demais.
- "Ô Motorista, pára o ônibus fazendo favor, que eu perdi a minha parada."