Na última
semana eu tive a oportunidade de ir às ruas e presenciar algo que há algumas
gerações estava entalado na garganta de muitos. O que o Brasil presenciou foi o
povo, gritando enfaticamente por mudanças, e mostrando que está sim indignado
com tanta coisa errada que fica difícil até saber por onde começar. O que vimos
foi um movimento espontâneo e liderado pela nossa geração, mas apoiado por
tantas pessoas mais velhas que provavelmente quiseram gritar assim também, mas
foram repreendidas. Mas, ao mesmo tempo que a indignação da massa é visível, devemos tomar um cuidado no
tratamento que será dado daqui pra frente. Há algumas coisas que precisam sim
ser bem definidas: propostas sólidas levadas por representantes, e que
demonstrem o desejo da maioria. Para o começo, foi sim muito positivo lotar as
ruas e mostrar que queremos mudanças na Saúde, Educação, Transporte e mais
Transparência Política. Tudo isso quando analisado friamente, acaba tendo como
raiz (ou maior causadora dos problemas) a corrupção – um mal que assola o país
há muito tempo. É o que queremos mudar, mas é preciso saber como. Um tanto
disso mudaria se aqueles que estão no poder tivessem valores como caráter e
honestidade, mas isso meus amigos, protesto algum do mundo vai criar nas
pessoas. O que podemos sim é mudar as cabeças pensantes lá de cima, escolhendo melhor quem vai nos liderar, sem
colocar Renan’s e Sarney’s no poder, porque ai vira a tragédia da morte
anunciada. Aliás, uma primeira mudança que acho deveras cabível é a mudança de
voto para facultativo. O voto obrigatório valoriza quem manipula a massa. A
opção de votar caberia àqueles que quisessem sair de casa para mudar o país,
afinal isso é algo tão sério, mas tão sério, que você não pode fazer por
obrigação. Se um dia pensar em ir para um protesto por obrigação, não vá. Fique
em casa que você contribuirá muito mais.
Um outro ponto
que deve ser repensado é a opressão aos partidos. Não acho justo sermos tão
árduos com gente que por muito tempo lutou por você, mesmo que você não saiba.
Isso é ignorar anos de história de "Gigantes que já estavam acordados", e por
mais que o movimento seja “do povo”, reprimir partidos não é inteligente, até
porque existe uma DIFERENÇA ABSURDA em ser apartidário e anti-partidário. Além
disso, lembrem-se que o povo por si só não se governa, por mais legal que seja
essa ideia. O povo todo gritando pelo que quer, sem líderes e objetivos, é uma
linha tênue entre democracia e anarquismo. Mas agora, que demos esse primeiro
choque inicial de realidade no governo, está na hora de deixar a poeira baixar
só um pouquinho. Não, não vamos nos calar, mas é hora de sentar, pensar,
discutir e colocar num papel o que se quer. Não adianta ir pras ruas e gritar
que o Feliciano é maluco e logo em seguida pedir para a Dilma não aprovar a
PEC37. Isso só mostra que falta consciência política em muitos, que por sinal,
deveriam estudar um pouco mais antes de ir pra rua. A movimentação na rua é
boa, mas conhecimento nunca fez mal a ninguém. O que precisamos agora é da
força consciente do povo. Ontem, no 4º protesto que pude participar aqui no
Rio, percebi que existem pessoas levando isso como micareta, bebendo cerveja e
tentando pegar mulher. Sério, você que faz isso, pode ficar em casa comendo pão
com mortadela que eu vou te agradecer, mas não vá para a rua com esse intuito.
O que eu
espero ver daqui pra frente, é que o "Gigante mantenha-se acordado" porque eu
acredito sim que dessa vez veremos mudanças. O que nós queremos nada mais é do
que o mínimo. Ninguém está gritando por luxo ou benefícios que não nos caibam.
E que todos criem um pouco mais de consciência política antes de gritar por
alguma coisa. Grite apenas por algo em que você realmente acredite, e lembre-se
que a história se repete. E antes de pegar a caneta e começar a escrever esse
novo capítulo da nossa história, pare um pouco e pense: Você é destro ou canhoto?