sábado, 28 de abril de 2012

Referencial Estático


         É incrível perceber que uma simples mudança de referencial altera completamente a perspectiva sobre algo. É como estar parado em relação à um trem que se move rapidamente, e ao mesmo tempo, em movimento com relação ao que está do lado de fora. As pessoas ficam presas às situações, incapazes de entender ou modificar o estado atual pelo simples fato de não conseguirem mudar o seu referencial sobre o que está diante delas. Não concordo com afirmações absolutas sobre certo e errado, sobre bom ou ruim. O que hoje é bom para você, podia ser absurdo há anos atrás. A grande dificuldade é sempre sair daquela zona de conforto feita de opiniões formadas e comodismo. É difícil admitir que talvez tudo não seja tão ruim como você pensou, ou tão bom quanto te disseram, ou que talvez tenha faltado a fala serena de alguém que está em outro referencial para chegar e dizer: “Vá com calma, não é tudo isso ai que você pensa. Respire, viva, mude a sua visão sobre isso para entender melhor. E só então, decida o que falar e quando falar.” De fato, sempre falta uma ajudinha para mudar o referencial sobre algo.
     Outro dia eu acordei diferente, num referencial novo. Passei a enxergar coisas que estavam escancaradas para mim, mas eu não queria acreditar. Agora eu vejo com clareza o que tanta gente tentou me mostrar. Agora eu não estou mais em repouso com relação ao trem, estou sim em movimento. E acelerado. Cansei de esperar essa inércia passar e ter que aceitar alguns conceitos não absolutos como verdades, vindos de pessoas que não me acrescentam em absolutamente nada. Hoje eu posso acordar e dizer que esse tipo de atrito, estático ou cinético, não vai acontecer mais por aqui. Descobrir certas coisas me ajudaram nessa mudança de referencial, e agora as coisas vão caminhar. Bem e para frente. 

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 Música do post: Shoot to Thrill ~ AC/DC

terça-feira, 17 de abril de 2012

O menino que vagava por aí

Aquele dia amanhecera diferente. Azulado, claro e com um aroma agradável. Desde os primeiros passos já se mostrava deveras interessante. O menino havia se proposto a vagar vagarosamente pelo mundo vagabundo e vasto de tanto vivacidade. Não tinha a certeza de que viver tudo aquilo seria tão sagaz, mas decidira apostar suas fichas naquilo ali. Havia se cansado tanto da prolixidade repetitiva dos dias recentes, que qualquer sombra de mudança parecia um movimento de translação de uma cabeça que se abre pro mundo. Tudo parecia diferente, mas perigoso. Calmo porém enérgico. Saiu de casa com a calmaria de sempre, um sorriso no rosto e um semblante inspirador, como alguém que caminha rumo à vitória. Aquele dia havia de ser diferente, no mínimo um marco no processo todo de mudança. A vida caminhava pra frente, e o tempo ia junto, nunca andando pra trás. Nem dando passos em falso. Os ponteiros nunca perdoam e por mais que se queira parar no tempo, o tempo não iria parar para o menino. “Melhor correr agora, pra tirar das costas o peso de um relógio atrasado” - pensou ele. E assim foi feito, e foi o que se comentou .. que “um menino com um belo sorriso no rosto havia sido avistado por ai, caminhando perdido em direção a um lugar qualquer.”

E um tanto mais se ouviu sobre o menino de sorriso largo e direção indefinida. Dizem que até hoje ele vagueia por ai, vagabundo e voraz, tentando vencer os ponteiros do relógio com a vontade de um vencedor nato. O menino pertencia ao mundo.




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Musica do Post: Lost - Coldplay

domingo, 8 de abril de 2012

Estrofes Bem Vividas

Nesta vida eu já vivi mais que uma vida

Já vi gente vazia entrar e sair como quem não quer nada

E já vi vazios formados por gente que se foi repentinamente

Já tive dias vagarosos e rotinas complicadas

Horários que se entrelaçavam e amores infantis,

Um dia brinquei até adormecer e quando me dei conta

Fazia contas numa cadeira de universidade

É, meus amigos.. o tempo passou

Não lembro quando voltei ao passado pela última vez

Mas sei que nunca voltarei o ponteiro do relógio para trás

A palavra dita só vai, ela nunca volta.

Um dia acorda-se por cima, no outro, por baixo..

E assim a dança vai se completando como que perfeitamente

Sem deixar de lado as imperfeições necessárias,

E ao mesmo tempo sem calcificar o que há de ser maleável

Não, nada está perdido ainda...

A vida corre aqui, corre ali. Corre-se atrás dela

E no final, quem ganha esta corrida é ela

Sutil e tranqüila, agressiva e voraz

Nada mais do que um tic-tac nervoso que galga rumo ao fim inevitável

E daqui eu não levarei nada.

Afinal, são tudo palavras soltas, atitudes ao vento

Daqui eu realmente não levo nada. Mas a vida me leva.




Viva la Vida ~ Coldplay

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Idiotice Genética

Os homens nascem, crescem e morrem idiotas. Não falo do seres humanos, mas dos seres do sexo masculino. Lá na infância já são notáveis os sinais de uma idiotice que parece estar no sangue. Geralmente vem dos meninos as idéias mais infantis durante aqueles poucos anos. Meninas também têm sua ingenuidade, mas coisa normal, de criança. No comparativo, os meninos são sempre mais lentos, atrasados. Deve ser por isso que existe aquele ditado popular que diz que as mulheres amadurecem mais cedo, aos 13 anos. E os homens chegam à isso com, sei lá.. uns 50? Talvez.

Homens têm a incrível capacidade de errar querendo errar e de errar querendo acertar. Erram com demasiada freqüência, para ser sincero. Um dom de falar demais quando tudo pede tão pouco. De não perceber coisas pequenas e deixar passar momentos tão simples. Homens tem uma certa mania de grandeza, um ego as vezes agressivo e que se sobrepõe ao que se deseja. Como se à todo tempo o mundo o desafiasse à ser melhor e mais forte. Enquanto mulheres competem silenciosamente umas com as outras, numa eterna batalha estética e social, homens competem com eles mesmos, numa incansável e impiedosa busca de uma coisa que geralmente não existe. Homens têm uma tendência maior a serem imediatistas, precipitados, babacas. É isso que todos nós somos, babacas. E que me perdoem os ofendidos e os machistas, mas isso é uma verdade. E não falo com um tom agressivo ou negativo, mas como um fato que sempre existiu e que nos trouxe até aqui, hoje. Mulheres toleram, aceitam e entendem uma porção de idiotices nossas. Acho que no fundo elas sabem que a maior parte não é proposital, e querendo ou não, elas não vivem sem nós... e a recíproca é verdadeira.

    Hoje eu já não me incomodo mais em ser um pouco idiota. Não sou por completo, mas sou. E cada um é idiota ao seu modo, sem essa conversinha de que todos os homens são iguais. Ninguém é igual, mas o mundo é tão grande, mas tão grande, que eventualmente comportamentos se repetirão aqui e ali, o que não torna ninguém espelho de ninguém. Não busco com pressa essa nova fase menos idiota, apenas espero que um dia chegue. Quero parar lá na frente e olhar pra trás com os olhos marejados de saudade desses tempos. Tempos bons, tempos ruins .. tempos idiotas, mas necessários. Que eu possa deitar numa rede, um quarentão despreocupado, olhando as fotos do passado e pensando: “Poxa, eu já fui tão mais idiota um dia” – sem saber que aquele meu lado infantil vai estar comigo até o último suspiro. Mais uma idiotice achar que não.

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Comentários e críticas são sempre bem vindos :)
Musica do post: Nickelback - This Afternoon