--------------------------//-----------------------
Música do post: Shoot to Thrill ~ AC/DC
Um apaixonado pelo comportamento humano e todas as formas de interação social, buscando escrever textos que retratam a visão de quem observa o mundo com os olhos de um aprendiz.
Aquele dia amanhecera diferente. Azulado, claro e com um aroma agradável. Desde os primeiros passos já se mostrava deveras interessante. O menino havia se proposto a vagar vagarosamente pelo mundo vagabundo e vasto de tanto vivacidade. Não tinha a certeza de que viver tudo aquilo seria tão sagaz, mas decidira apostar suas fichas naquilo ali. Havia se cansado tanto da prolixidade repetitiva dos dias recentes, que qualquer sombra de mudança parecia um movimento de translação de uma cabeça que se abre pro mundo. Tudo parecia diferente, mas perigoso. Calmo porém enérgico. Saiu de casa com a calmaria de sempre, um sorriso no rosto e um semblante inspirador, como alguém que caminha rumo à vitória. Aquele dia havia de ser diferente, no mínimo um marco no processo todo de mudança. A vida caminhava pra frente, e o tempo ia junto, nunca andando pra trás. Nem dando passos em falso. Os ponteiros nunca perdoam e por mais que se queira parar no tempo, o tempo não iria parar para o menino. “Melhor correr agora, pra tirar das costas o peso de um relógio atrasado” - pensou ele. E assim foi feito, e foi o que se comentou .. que “um menino com um belo sorriso no rosto havia sido avistado por ai, caminhando perdido em direção a um lugar qualquer.”
E um tanto mais se ouviu sobre o menino de sorriso largo e direção indefinida. Dizem que até hoje ele vagueia por ai, vagabundo e voraz, tentando vencer os ponteiros do relógio com a vontade de um vencedor nato. O menino pertencia ao mundo.
Nesta vida eu já vivi mais que uma vida
Já vi gente vazia entrar e sair como quem não quer nada
E já vi vazios formados por gente que se foi repentinamente
Já tive dias vagarosos e rotinas complicadas
Horários que se entrelaçavam e amores infantis,
Um dia brinquei até adormecer e quando me dei conta
Fazia contas numa cadeira de universidade
É, meus amigos.. o tempo passou
Não lembro quando voltei ao passado pela última vez
Mas sei que nunca voltarei o ponteiro do relógio para trás
A palavra dita só vai, ela nunca volta.
Um dia acorda-se por cima, no outro, por baixo..
E assim a dança vai se completando como que perfeitamente
Sem deixar de lado as imperfeições necessárias,
E ao mesmo tempo sem calcificar o que há de ser maleável
Não, nada está perdido ainda...
A vida corre aqui, corre ali. Corre-se atrás dela
E no final, quem ganha esta corrida é ela
Sutil e tranqüila, agressiva e voraz
Nada mais do que um tic-tac nervoso que galga rumo ao fim inevitável
E daqui eu não levarei nada.
Afinal, são tudo palavras soltas, atitudes ao vento
Daqui eu realmente não levo nada. Mas a vida me leva.