Às vezes na vida a gente perde o foco do que fazer, como fazer e porque fazer. E ai você entra numa estrada perigosa, que é aleatória, sombria e que geralmente não te leva pra lugar algum. Alguns entram e saem dessa estrada com facilidade, outros ficam nela por muito tempo. Eu diria que, por mais danosa que ela possa ser, ela se faz necessária pra qualquer pessoa. Faz bem de vez em quando ficar perdido pra se achar. Não é que eu andasse completamente perdido, mas até algum tempo atrás sempre havia um ou dois caminhos que divergiam das minhas idéias e dos meus ideais. Agora não. Tudo parece convergir e está harmônico, ressonante. Queria poder expressar de forma mais pessoal essa minha alegria toda, mas ai eu perderia todo o poder de criar um texto que seja de utilidade comum, que fale sobre qualquer ponto que pode caber à qualquer pessoa.
Não é fácil pensar que você poderia estar numa situação melhor há mais tempo, simplesmente porque o seu caminho sempre esteve ali ao seu lado, pertinho. Mas talvez, se essa página fosse escrita lá atrás, ela tivesse tomado outro rumo, e acabaria tendo outro final. É melhor não pensar. Não ficar imaginando que pensar alteraria o passado, e que pensar sobre pensar altere o futuro. Melhor não mexer com esse pensamento físico que ao meu ver encontra-se numa linha tênue do princípio da incerteza.
Decidi que à partir de agora eu vou deixar enterrado num capítulo anterior todos aqueles rabiscos frustrados. Eles me fizeram escrever isso aqui hoje, mas não posso permitir que influenciem meus textos futuros. Eu sei que preciso escrever uma nova história hoje, amanhã, depois... e pra isso preciso de uma cabeça limpa, clara, e que permita que eu me jogue em cada parágrafo. Agora eu deito tranqüilo, sabendo que amanhã será mais um dia feliz com certeza. Já estava cansado de tanta incerteza sentimental e de tanta babaquice comportamental. Posso considerar este o meu primeiro texto feliz de 2012. Quer dizer, o meu primeiro texto do ano. Feliz ‘dos 1000 y doze’.