quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Madrugada Cinzenta

Ontem eu acordei sentindo mais frio que o normal. Não bastasse esse inverno solitário e sem cor, ainda tem aquela outra pontadinha que cutuca o dia inteiro. Realizar qualquer tarefa, por mais simples que seja, é um desafio. Ando desconcentrado, com a cabeça longe, bem longe. Tudo se resume à umas poucas palavras querem ser pronunciadas, mas acabam ficando presas, e à uma seqüência de memórias que, quando juntas, formam um filme em forma de flashback saudosista. Queria estar em outro lugar, distante daqui, aonde eu não conheceria ninguém e talvez ficasse quase incomunicável, mas estaria bem desta forma. Esses tempos de dezembro são bons, são alegres e descontraídos, mas poderiam ser ainda melhores se algumas outras peças estivessem aqui no tabuleiro. De vez em quando a gente não nota a importância do que nos cerca até que o cotidiano vira distância. Foi preciso tudo isso para que eu pudesse enxergar esse cenário em preto e branco de outro ângulo.

Nunca fui de ter problemas com sono, mas de umas semanas pra cá, dormir virou quase um desafio. É quando você deita que fica mais difícil desacelerar os pensamentos. Parece que a madrugada, quanto mais fria e quieta, mais pensativa ela se torna. Sonhar, lembrar, sentir falta, lembrar de novo. Tudo isso que andava enterrado anda voltando aos pouquinhos, tentando se readaptar à cabeça, e a cabeça à isso. É um treinamento bilateral que envolve paciência e requer tempo, mas há de acontecer. Agora o que eu preciso é só de umas noites tranqüilas, com a mente mais sossegada. Continuo fazendo aquela contagem, com um ar ainda mais ansioso, eu diria. E o frio continua apertando, maltratando pela madrugada. Só há uma solução agora:

- Um café, por favor. Extra forte e caprichado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Objetividade

Eu não estaria aonde estou se não tivesse feito tudo aquilo ali atrás. Não, não tem contexto, não tem rima, muito menos sentido. Quer dizer, não pra qualquer um. Sei que aos que se sentirem agraciados pelo texto, a inteligibilidade será suficiente. Mas serão poucos, fato. Acho que é uma mistura de mil obrigações e horários apertados que anda causando essa confusão toda. Dia vira noite, sono vem em horário nobre. É, ‘tá’ complicado. ‘Tô’ tentando entrar num relacionamento sério com uma tal de Férias, mas ela anda difícil demais. Quero dormir, pegar uma praia, correr e ver seriados. Quero acordar sem fazer nada e descansar antes mesmo de ficar cansado. Quero tudo isso com a vagarosidade de um sábado à tarde, numa rede, em frente à qualquer praia aonde haja sol. Não sei se isso vai chegar, quando vai chegar e como vai chegar.

A verdade é que eu já saturei de certas coisas e vai ficando mais difícil de deixar passar outras. A tolerância vai diminuindo, a paciência também. Só o que resta é alguém que vai se conflitando sem motivo. Agora o mês vai se projetando pra uma desaceleração, e o calendário parece mais extenso. Vou fazendo uns rabiscos aqui, outros ali. Uma conta como quem não quer nada. Preciso abrir a mente e me concentrar no que tá aqui, colado, presente. Rumo, foco, regras, objetivos. É isso que falta, ou pelo menos é o que eu pretendo buscar agora. É provável que eu me perca ainda mais, mas uma hora melhora. Tem que melhorar.