quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fantoches Rabiscados

Tem gente que quer sempre estar por trás do espelho

E não sabe brincar de procurar os sete erros,

Tem gente que acha coisa aonde não tem

E acaba indo e vindo, sendo tanta coisa sem ser nada.

Tem gente que domina o apontar de dedos

Criticam, gritam e esbravejam com tamanha postura

Mas caem no abismo e acabam esquecendo de si mesmas

E tornam-se só mais umas aleijadas espirituais


Há tanta gente de alma branca e de tamanha boa vontade

Gente que emite boas vibrações

Tornando tão mais agradável seguir em frente nessa selva de pedra

Há pessoas que passam sem ser notadas,

Daquelas que não pendem para mal ou bem

Apenas coadjuvantes nessa peça mal-interpretada

Meros bonecos teatrais conduzidos ao nada


Há pessoas que vivem sem saber

E aquelas que nem sabem o que é viver.

Pessoas medíocres, alegres, tristonhas e conformadas.

Enfim, pessoas.

Não é tudo isso ou tudo aquilo que forma o todo

É um pouco de tudo que gera essa massa, essa nuvem de emoções

O conglomerado de fantoches coloridos chamado mundo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Noite multifacetada

Ela acordara sem saber como seria. Pisou com o pé esquerdo, mas recuou. Decidiu ficar mais alguns minutos no escuro do seu quarto e aproveitar aquela marola sonolenta. Desceu então, pisando dessa vez com o pé direito. Sentiu confiança e um ar de alegria, como uma premissa de que tudo daria certo. Saiu feliz e conversou com cada um dos seus amigos, gesticulando e falando graciosamente, tentando transparecer toda a paz interior daquele dia tão azul. Parecia conseguir deixar um rastro leve no ar. Imaginou como seria voltar ao passado e alterar tudo o que havia feito. Pensou um pouco melhor e percebeu que se fizesse isso, estaria afetando quem ela era, e aquele momento em si. Decidiu não tocar nas feridas. Bebeu, comeu e se divertiu como se fosse sua última noite de liberdade. Não cogitou o amanhã e não atendeu a porta para o pretérito. Simplesmente viveu. Ela sabia que aquilo tudo não duraria pra sempre, mas preferiu deixar o lado racional e egoísta de lado. Pelo menos naquela noite, naquele dia. Abriu as portas da sua cabeça para quem quisesse entrar, e deixou bem claro naquela roda de amigos, que nem tudo ia bem. Aquilo que todos viam era só uma imagem, um papel sendo interpretado por alguém que tentava não demonstrar o que parecia alfinetar por dentro. Um capricho talvez, ou uma forma de defesa. Aquele teatro todo era a sua fortaleza, seus muros pessoais.

Não desejava mais sentir aquela angústia. Queria poder gritar à vontade e marejar os olhos se fosse preciso. E se impreciso fosse o desejo disso tudo, que assim fosse. Desceu do palco e desligou os holofotes que há tanto lhe agraciavam. Tirou toda a maquiagem e mostrou ao mundo o que havia por baixo daquela fantasia carnavalesca. Conseguiu surpreender-se diante do que viu em frente ao espelho – uma mulher forte, criada e vivida por todas aquelas cicatrizes. Necessárias. Cada parte do seu corpo fazia sentido no conjunto, e agora ela podia enxergar isso. Deitou a cabeça no travesseiro e esperou o sono visitá-la. Não conseguia prever seus sonhos mas tinha a ligeira impressão de que seriam bons. Foi entrando num estado meio nirvana, meio saudosista. Colocara ali, naquela hora, um ponto final nessa peça que já durava há tanto. Seria agora uma menina diferente. Uma mulher de olhar forte e sincero, sem máscaras, sem maquiagem, sem meias palavras.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tic-Tac sabor: Nostalgia

A cada dia que passa, eu vejo mais oportunidades passando diante de mim. Chances que eu não agarrei e palavras que não voltam mais. De umas eu não me arrependo, mas de outras eu sinto tremendo pesar. Queria saber quais foram as escolhas sensatas, e quais as equivocadas. Sinto que lá na frente vou olhar pra trás e desejar ter feito tanta coisa diferente. Pena que agora eu não consigo ter essa visão mais clara das coisas, e acabo cego pelas circunstâncias que me rodeiam. Queria ter a experiência de um idoso sem ter que viver tanto tempo. O tempo corre, voa, e a gente não percebe o que passou até ter passado. Ninguém dá valor ao que é recorrente e presente, pois sempre parece indestrutível. Engana-se aquele que acha que tudo é pra sempre e, pensando assim, deixa sempre o que mudar para amanhã.

O amanhã para mim é uma caixa preta. Pode ser algo bom, ruim ou pode não ser. A gente sempre dorme e acorda com algum plano, mas você nunca sabe se vai poder fazê-lo, ou sequer tentá-lo. O mundo é cruel e o tempo mais ainda, e mesmo assim você ainda vive com a ilusão de que pode se dar ao luxo de consertar algo depois. Muito cuidado com as suas escolhas, é só isso que eu posso dizer. O tic-tac é voraz e não perdoa ninguém.

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Bom queridos leitores, provavelmente agora os posts vão se tornar não tão freqüentes. Resolvi me dedicar à idéia de escrever um livro, apoiado por alguns amigos e amigas, e agora estou trabalhando nisso. Espero que saia algo bom, e não se preocupem, assim que puder divulgo um resumo ou uma idéia geral do livro por aqui .. Até o próximo post.