terça-feira, 25 de outubro de 2011

Um conto sobre o esquecimento

Um dia ele acordou com a idéia de que tudo seria diferente. Espreguiçou-se espantando todos os males e tomou um banho para lavar a alma. Colocou sua melhor roupa e perfumou-se meticulosamente. Viu o sol raiar e se deu conta do quão belo era o amanhecer, coisa que havia lhe fugido à mente há tanto tempo. Ouviu os pássaros cantarem, o orvalho secar e desejou um sol pra ele todo dia. Não queria ainda encarar que o mundo lá fora o aguardava ansioso e voraz, querendo lhe mostrar umas verdades inevitáveis. Decidiu então se calçar e abriu a grande muralha marrom. Lá fora, a luz refletia a beleza já esquecida por ele. Por um momento, conseguiu viajar na sensação do vento batendo no seu rosto e como que sorrateiramente, sorriu de canto de boca. Felicidade, era isso que ele sentia. Sentiu todo seu corpo ser percorrido por uma bela corrente fugaz que arrepiou todos seus pêlos. Deu seus primeiros passos como uma criança que tropeça nas próprias pernas, e lembrou agora dos tempos da sua juventude. É, o tempo havia sido cruel com ele. Cantarolou sozinho, conversou consigo mesmo, gritou ao vento e viu-se como um louco, sendo observado pelos olhares críticos de pessoas que não sabiam o motivo de tanto alarde. Não ligava para isso, e cantou ainda mais alto.

Sentou-se no banco da praça, ou melhor, naquele banco da praça. Sim, aquele que há alguns anos atrás mudara sua vida. Era ali talvez, o lugar mais dolorido para estar. Ainda conseguia sentir no ar o cheiro doce que por tempos foi seu guia. Fechou os olhos e criou novamente o cenário que lhe causara pesadelos e o fizera perder tantas noites de sono. Agora já não sentia mais aquela confiança, e o medo parecia estar sentado ao seu lado. Pestanejou e desejou nunca ter saído de casa. Tudo que lhe restava eram memórias doloridas, imersas em momentos que foram tão bons, mas que agora não passavam do passado. Não viu outra saída senão voltar à sua segura escuridão e saborear lentamente aquela agonia amorosa. Caminhou para casa tentando se convencer de que tudo ficaria bem e não passara de mais um sonho ruim, até dar-se conta de que toda aquela luz era de fato real. Prometeu-se apenas que a partir daquele momento não entregaria mais seu coração à ninguém. Era dolorido demais, real demais. Sabia que talvez nunca mais fosse feliz, mas era um risco à se correr, afinal, a dor já estava o matando mesmo. Deitou-se e pensou apenas em coisas boas, como se isso devesse lhe trazer bons sonhos. Sabia que conviveria com aquele fantasma ainda por muito tempo, e ainda assim quis permanecer solitário.Esqueceu-se apenas do fato de que ninguém é tão alguém que seja alguém sozinho. Mais um amor traído que caiu no esquecimento, perdido nas memórias em preto e branco, vagando por ai sem propósito e sem vontade. Mais um, apenas isso, mais um.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Filosofia de Bar

Outro dia estava num bar, e entre umas e outras surge aquele assunto polêmico: mulheres (Não, o assunto polêmico não são MAMILOS, ok?). Um fala de como as mulheres estão mudadas, agressivas, festeiras e beberronas. Outro fala que já se decepcionou aos montes e que mulher nenhuma presta, e que agora é só curtição até os 45 anos. Não sei, mas creio que as mulheres quando se reúnem conspiram coisas similares, aonde tudo pode ser resumido à seguinte frase, diga-se de passagem – poética: “Homem é tudo igual, nenhum presta”. Enfim, voltando ao ponto da conversa dos homens, que é o alvo do post... em meio à tantas conversas no bar, um dos caras na mesa pede a palavra, e demonstrando sensatez começa a mostrar aquele lado bom e gracioso da mulherada que no fundo, no fundo, beeem lá no fundo, é verdade. O homem tem o costume/hábito/vício – ou sei lá qual a palavra adequada - de achar que sempre existe alguém solteiro, e em melhor condição. Sempre tem-se a idéia de que o que é do outro é melhor. É por isso que, a maioria dos caras comprometidos vive imaginando como é a vida daquele seu amigo solteirão, bonitão e que vive na farra. Ilusão, essa é a palavra. Quase sempre nos deixamos levar pela fantasia criada pela noite, aonde bebe-se, festeja-se qualquer coisa, e conhece-se pessoas aleatórias e efêmeras que muito provavelmente não passarão de uma pegação casual na balada.

Claro que a vida de solteiro tem seu lado bom, e julgo importante que todo mundo passe um tempo nela para mudar apenas quando tiver certeza de que chegou a hora certa, caso contrário, vai namorar pra colocar no facebook, nada mais. Mas então, geralmente o homem busca uma mulher que : não reclame de nada, que goste de futebol, que beba, que goste de sair, que aceite toalhas e roupas jogadas pela casa, que seja linda, que não seja tão ciumenta, e mais algumas coisas semi-impossíveis aí. O fato é, depois de um tempo você PRECISA acordar para o fato de que mulher assim não existe. E não que isso seja ruim, não é, é só a realidade. Da mesma forma que tantas coisas que elas procuram em nós, não existem, e elas vivem muito bem com isso. Por mais que a vida de solteiro seja boa e sem muitas responsabilidades, eu acredito que quem dá o equilíbrio na vida de um homem é a mulher. Alguns sabem disso, mas ainda não querem aceitar. Outros não sabem, e existem ainda os que sabem e são felizes ao lado de alguém. Conversas de bar são sempre filosóficas e profundas, como se todo bêbado fosse psicólogo com ênfase em comportamentos humanos. Ahh esses bêbados, sempre aprontando alguma. – Garçom, mais uma cerveja por favor.