Quem nunca soube o que é estar perdido não sabe o que é acordar sem saber se a verdade é aquilo mesmo diante dos seus olhos e o que fazer à respeito de uma mentira tão conveniente que foi contada tantas vezes por você mesmo que já lhe convence do contrário. Há momentos em que tudo muda num piscar de olhos e a reação normal é apenas uma: ficar sem reação. Ninguém sabe lidar com mudanças tão repentinas, sejam elas boas ou ruins. Se são boas, desconfie da esmola do santo. Se são ruins, culpe Murphy, o destino, o horóscopo ou uma amiga invejosa que colocou olhado. O fato é que todo mundo quer o que não tem, quer sempre subir um degrau à mais e alcançar um outro ponto, só que a mudança que isso atrai geralmente incomoda. Perdido, é assim que muitos andam.
Eu já andei sem saber pra onde ia, e já vim de lugares sem saber como havia chegado lá. Mas nada disso me matou, apenas contribuiu pra que eu resolvesse os meus problemas naquele momento. Encontrar-se ou encontrar algo nem sempre é a solução pras incógnitas que rondam a sua cabeça. Deixar-se levar pela onda de aleatoriedade tão encantadora pode ser um tanto quanto eficaz. Nem sempre é fácil colocar a cabeça no travesseiro e dormir com tantas incertezas na cabeça: relacionamentos, dinheiro, trabalho, estudos, família, lazer. Fica tudo martelando até que você chegue à conclusão de que não há saída, e que as coisas vão de mal à pior. Na maioria das vezes, não vão. Hoje eu deito sem saber absolutamente nada sobre o amanhã, e já me acostumei a caminhar assim. Prefiro não me definir demais ou planejar demais, exceto por alguns pontos que necessitam de uma rotina pra que a coisa não saia de controle. Fora isso, adotei a política dos bons ventos. E pretendo manter isso até que chegue um furacão e desregule tudo, salientando que todo furacão tem nome de mulher. Coincidência não? Sem polêmicas, por favor.