Esses dias eu me peguei pensando em como o ser humano é medroso por natureza. Existe um pequeno espaço de tempo, láááá na infância em que nós temos uma noção quase nula das coisas, e que isso se mostra como uma aparente falta de medo. Lembra quando você não tinha a mínima noção de altura, e parecia um moleque sem noção subindo em árvores? Mas isso passa, e passa rápido! Logo a gente começa a desenvolver essa idéia do perigo, esse medo do desconhecido. Medo de altura, medo de animais, medo de ficar esquecido no colégio. Afinal, quem nunca se apavorou quando sua mãe demorou um pouco mais para te buscar no colégio?
A gente vai crescendo aqui, apanhando dali e... vai aprendendo mais. Vai vencendo alguns medos, e vai ganhando outros. Hoje eu já não tenho mais medo de ficar esquecido no colégio. Nem medo dos monstros do armário. Hoje, meus medos são outros, e vem das marcas que eu carrego comigo por tudo o que já passei. Cada um leva consigo no bolso essas cicatrizes do passado. Algumas que se curam logo, e outras vão ficar com você até o último suspiro. Não acho errado ter medo, muito menos covarde. O medo sempre foi um dos mecanismos de defesa do ser humano, afinal, ser racional leva à isso. Não sei quando eu vou me livrar dos medos que me atormentam hoje, nem sei o que me espera amanhã. Mais uma ferida, ou talvez uma superação. Isso é uma coisa que eu só vou descobrir vivendo o amanhã. Mas de uma coisa eu tenho certeza, o meu medo do escuro ficou no passado junto com todos aqueles monstros que viviam embaixo da minha cama.