domingo, 22 de maio de 2011

Medo do Escuro

           Esses dias eu me peguei pensando em como o ser humano é medroso por natureza. Existe um pequeno espaço de tempo, láááá na infância em que nós temos uma noção quase nula das coisas, e que isso se mostra como uma aparente falta de medo. Lembra quando você não tinha a mínima noção de altura, e parecia um moleque sem noção subindo em árvores? Mas isso passa, e passa rápido! Logo a gente começa a desenvolver essa idéia do perigo, esse medo do desconhecido. Medo de altura, medo de animais, medo de ficar esquecido no colégio. Afinal, quem nunca se apavorou quando sua mãe demorou um pouco mais para te buscar no colégio?

           A gente vai crescendo aqui, apanhando dali e... vai aprendendo mais. Vai vencendo alguns medos, e vai ganhando outros. Hoje eu já não tenho mais medo de ficar esquecido no colégio. Nem medo dos monstros do armário. Hoje, meus medos são outros, e vem das marcas que eu carrego comigo por tudo o que já passei. Cada um leva consigo no bolso essas cicatrizes do passado. Algumas que se curam logo, e outras vão ficar com você até o último suspiro. Não acho errado ter medo, muito menos covarde. O medo sempre foi um dos mecanismos de defesa do ser humano, afinal, ser racional leva à isso. Não sei quando eu vou me livrar dos medos que me atormentam hoje, nem sei o que me espera amanhã. Mais uma ferida, ou talvez uma superação. Isso é uma coisa que eu só vou descobrir vivendo o amanhã. Mas de uma coisa eu tenho certeza, o meu medo do escuro ficou no passado junto com todos aqueles monstros que viviam embaixo da minha cama. 

domingo, 15 de maio de 2011

Doce Ilusão

          Hoje eu sonhei que as guerras haviam acabado. No meu sonho, tudo era tranqüilo. As crianças andavam por ai sem medo, jogando suas bolas e manejando suas bonecas sem preocupação, enquanto o sol intenso caminhava pelo dia. O suor descia, mas não era um suor qualquer. Eram as gotas transbordando dos copos, ou melhor, corpos felizes. Era um dia ensolarado e feliz.

           No meu sonho, não havia preconceito de qualquer gênero. Não existiam crimes contra à natureza, e nenhum tipo de sentimento ruim que levasse à uma atitude violenta. Não existiam roubos. Não. Éramos todos pessoas vivendo, e convivendo pacificamente. No meu sonho, ninguém morria de fome e todas as crianças eram alfabetizadas. Todos tinham uma casa com quintal, com um balanço para as crianças e uma casinha de cachorro. No meu sonho, a natureza era verde e cheia de vida. 

        No meu sonho, a água era um bem para todos. Nele, as pessoas sonhavam mais, e batalhavam para que cada passo valesse à pena. Ninguém tinha medo de errar, ninguém tinha medo de amar. Neste mesmo sonho, tudo o que se via era um mundo sorridente, alegre, colorido. Um mundo perfeito. Um mundo feito para as crianças, para os homens, para as mulheres, para os idosos. Para os animais. Um mundo feito de natureza, para a natureza. 

           E neste mesmo sonho a lua brilhava mais, como se quisesse agradecer por tudo aquilo que acontecia ali, bem embaixo dela. Brilhar mais era seu único, mas precioso sinal. Sonhar nunca pareceu tão fácil, nunca foi tão leve. Mas a leveza não ficou naquelas lembranças, somente. Tudo foi tão leve como ainda pode ser um dia. Sonhe!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Saudades

     Uma segunda-feira chuvosa e cinzenta. Lá fora o silêncio predomina, incomodado aleatoriamente pelos pingos da chuva que caem calmamente. Os pássaros não cantam, as crianças não brincam na rua, e os cachorros não latem. Está tudo muito calmo e quieto. Quieto demais, na verdade. Nada se vê, além de um dia que parece se arrastar pelas horas e insiste em não acabar. Dobraram o tempo, recriaram a monotonia e deixaram a alegria de fora dessa festa. E o dia vai andando, vagarosamente como quem não quer nada. Apenas caminhando, sem pressa de chegar.

         Vem a noite, calma, tranqüila, serena. As gotas já não caem mais, e o que sobrou foi apenas o orvalho nas folhas, e as crianças em suas casas preparando-se para mais um dia de escola. A calmaria faz-se imagem fiel do que foi o seu dia. Sem um sussurro, sem gritos, sem barulhos. Não há música, cores ou alegria. É só mais noite escura e cheia de neblinas, digna de um chá e um bom livro para acompanhar. Nada ficou a não ser o som das palavras, e o sabor de uma boa leitura feita à meia noite. Saudades daquele tempo quando tudo era simples, sem alardes. Nostalgia é o que me faz voltar àqueles dias. Um bom livro é o que me conforta em saber que amanhã pode chover novamente, e tudo será simples outra vez. Chuvoso, cinzento, calmo. Porém, Feliz.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Convenções nada sociais

           Eu não sei de onde veio e quem foi o corno que lá no passado, resolveu criar essas milhares de regras não explicitas em torno de algo que é, teoricamente, o correto socialmente. E por que isso se concentra mais nas mulheres? O meu post anterior não foi revoltado, ou pedindo que todas as mulheres dêem seus telefones para qualquer Zé ruela que peça. Eu só disse que aquele “Princesismo” exagerado não se encaixa no processo da conquista. Mas agora, parando e pensando friamente nas coisas.. A sociedade impõe que seja assim. Nós, homens, impomos isso. Eu não vou mentir que se uma menina fica com qualquer cara, ela fica com fama de fácil. Da mesma forma que aquela menina que você sabe que já foi pra cama com vários tem fama de puta. Eu entendo esse comportamento das mulheres, é como um sistema de defesa contra essas merdas impostas pela sociedade, que por sinal, ainda é bastante machista. E como disse uma amiga, a culpa é toda dos homens. E não é?

           A gente criou o monstro e agora não quer alimentá-lo. Eu já julguei dessa forma, e todos os caras na face da terra já fizeram isso também. Porém, isso não parte exclusivamente da gente. Mulheres fazem os mesmos comentários maldosos, com a diferença que hora elas estão comentando, hora elas estão sendo o motivo dos comentários. É estranho, termos uma opinião que está formada e estabelecida, de uma coisa que apesar de comentarmos, não querermos que ela exista. Cada um é dono de si, e tratando-se do ponto sexualidade, a sociedade é cruel. Como diz Pedro Bial nessa música, que merece várias citações: “Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.”

         Se você quer gastar todo o seu dinheiro com festas, gaste. Se quer ficar com 567 caras numa festa, fique. Se você acha que namorar é ultrapassado, não namore. Essa idéia de ter que dar satisfações à sociedade já fez com que você tomasse muitas decisões erradas. No final do mês, quem paga suas contas é você. Quem vai trabalhar pra crescer, é você. Quem vai chorar, sorrir é deitar a cabeça no travesseiro é você. Acho que já tá na hora de apagar essas convenções sociais que estão escritas na cabeça de cada um. Afinal, uma mente aberta é como um livro em branco, cada dia você pode escrever o que você quiser.